Um evento com participação de Ernesto Araújo, ex-chanceler de Jair Bolsonaro, foi motivo para troca de acusações entre o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB) e a Secretaria de Cultura do Estado (Secult-Ba).
O IGHB acusa a Secult de censura após a nota emitida pela pasta informando a retirada de apoio a palestra. A postura foi classificada pelo Instituto como “despropositado” e “ultraje à pessoa humana e ao livre debate intelectual”. Confira os comunicados do IGHB aqui e o da Secult neste link.
De acordo com o IGHB, o evento denominado “A República ontem e hoje: um great reset no Brasil”, se trata de uma série de palestras a serem ministradas, por “notáveis expositores das mais distintas concepções”, por ocasião do aniversário da importante data da Proclamação da República e acontece nesta quinta-feira (9), por transmissão via Youtube.
Por sua vez, a Secult alegou que o IGHB é financiado como Instituição Cultural pelo Edital de Apoio a Ações Continuadas via Fundo de Cultura do Estado da Bahia, e que não foi submetido à avaliação da pasta e não será considerado enquanto meta na prestação de contas da Instituição. A pasta ainda justificou a decisão argumentando que o bolsonarista é um disseminador de desinformação.
“A Secult e o Governo do Estado da Bahia não pactuam com práticas de fake news e, portanto, não apoia eventos que promovem pessoas envolvidas com tais práticas. A Secretaria enviou comunicado à instituição solicitando que seja retirada da divulgação do evento qualquer vinculação com a SecultBa e com o Governo do Estado da Bahia”, diz um trecho da nota.
O IGHB rebateu a Secult dizendo que “não há realização de despesas com cachê, transporte, hospedagem ou publicidade, havendo apenas a confecção de card de caráter informativo e transmissão on-line da palestra, via plataforma gratuita do YouTube, não havendo qualquer promoção pessoal, como induziu o pérfido ato de censura”.
“Tampouco merece prosperar a solicitação de retirada da marca da pasta e do governo do Estado da Bahia de qualquer divulgação, seja porque o ato de divulgação já está consumado, seja porque tal pedido viola frontalmente o disposto na Cláusula Terceira, II, g, do Termo de Fomento, que impõe ao IGHB a divulgar “obrigatoriamente (...) a participação do Governo do Estado (...) em toda e qualquer ação, promocional ou não, relacionada ao objeto, bem assim apor a marca (...), sob pena de ser considerado inadimplente, respondendo pelas restrições e sanções decorrentes”.
Ernesto Araújo ocupou o cargo de ministro das Relações Exteriores entre 2019 e 2021. Um dos seguidores mais conhecidos do escritor e guru bolsonarista Olavo de Carvalho, Ernesto marcou sua passagem no Itamaraty como chanceler que minou as relações construídas pelo Brasil ao longo dos anos.
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