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Política Eleições 2022

Coronel Anselmo Brandão faz críticas a justiça brasileira e diz que modelo atual de segurança pública é ultrapassado

Se eleito deputado federal, ele diz que pretende lutar por mudanças.

03/08/2022 13h00 Atualizada há 2 semanas
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Paulo Victor Nadal
Foto: Paulo Victor Nadal

Coronel Anselmo Brandão, ex-comandante Geral da Polícia Militar na Bahia, retornou a Feira de Santana e falou sobre a sua pré-candidatura a deputado federal no próximo pleito pelo partido Avante. Ele diz que a sua bandeira principal é a segurança pública. “Temos que repensar a segurança no país e não apenas na Bahia. Esse é um problema do Brasil. Estamos vivendo uma situação difícil diante de muita insegurança, jurídica principalmente, e também de muita ausência do estado em muitas ações. Infelizmente, sempre quem paga o pato são as polícias, principalmente a Militar”, diz.

Ele faz críticas a justiça brasileira que, mesmo com a grande quantidade de pessoas delinquindo, e esse modelo libera essas pessoas deixando a sociedade refém do crime. “Se hoje nós temos uma justiça frágil, um Código Penal ultrapassado é porque nenhum político que passou pela Câmara dos Deputado e que lá estão tem colocado em seu mandato, em seu posicionamento, algo que venha transformar. Vejo poucos deputados tratar de segurança pública nesse país e falar de leis. Eles nem mesmo lamentam a morte de inocentes. Os bandidos tem certeza da impunidade”.

Para Anselmo, o sistema como todo está ruim. “Não chamo de falido porque faço parte dele”. Ele disse ainda que a segurança pública tem que ser trabalhada em três vertentes. A primeira é o enfrentamento do crime, onde as polícias estão na ponta. “Mas as vezes essas peças não dialogam. Temos que ter uma inteligência forte e um judiciário que dialogue conosco. A justiça liberou um dos maiores assaltantes de banco da Bahia porque ele estava com dor na coluna. Ele foi para o Paraguai e ficou de lá administrando o crime na Bahia. Hoje está morto”, explica.

A segunda são os órgãos do Estado. Os jovens precisam estudar, ter a participação das famílias em suas vidas e professores tem que estar motivados. “E a terceira, que é a longo prazo. Não se faz segurança pública sem emprego e sem inclusão social”, completa.

Ele quer ser eleito para poder falar o que hoje ele não pode. “Com um mandato é diferente. O deputado pode discutir propostas, mas mais do que isso, cobrar ações do Executivo Federal. As viaturas tem que ser blindadas, mudar as leis como o formato de audiência de custódia que não está funcionando. Pessoas com dez passagens sendo liberadas no outro dia. Do jeito que está, liberando para não encarcerar, o marginal fica nas ruas e nós em casa, encarcerados”.

Recursos

Falando sobre a devolução de recursos devolvidos que seriam para investimentos na segurança pública do estado por falta de projetos enquanto ele geria a Polícia Militar, o coronel confirmou que sim. “Uma burocracia infernal, infelizmente. Parece que todo mundo nesse país hoje é ladrão. Tínhamos vários projetos na área de educação e capacitação. Os recursos são escassos”.

Crime organizado

O crime organizado pode ser combatido na Bahia. O que falta, segundo Coronel Anselmo, é vontade política no geral, tanto do Governo Federal quanto dos governos estaduais. “Segurança é foco. Marginal só fica em um espaço quando não é incomodado. Temos ferramentas, como a inteligência, para isso. Combater a lavagem de dinheiro e ir na fonte, nos grandes. A PM troca tiro com os varejistas, temos que ir nos ‘mangangões’. E isso só se faz com trabalho articulado, com todos juntos”.

Quando o crime sentir a primeira porrada, como aconteceu em outros países, Anselmo não tem dúvida que as coisas mudam. “O crime está avançando. Daqui a pouco ficaremos em uma cidade com dois tipos de polícias: a polícia ordinária de enfrentamento do crime e uma outra dos criminosos que vai tomar conta das cidades. Isso já acontece em alguns estados da Federação, como o Rio de Janeiro que tem três polícias: a do Estado, as milícias e as facções”.

Porte de arma

Anselmo disse que o porte de arma sempre existiu. As pessoas tem que ser habilitados, saber quem são, levar em consideração a questão psicológica. É preciso ter critérios, alerta. “As pessoas estão comprando armas e colocando em casa. Tem pessoas comprando fuzil e colocando em carro popular para atirar em uma academia. Quando o marginal souber que ele tem arma vai tomar”. Como comandante geral ele disse que apreendeu muitas armar legais e artesanais.

Descriminalização da maconha

O secretário de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA) Ricardo César Mandarino é a favor da descriminalização da maconha, dizendo que isso pode diminuir o tráfico de drogas. O coronel disse que respeita a opinião do secretário e de qualquer pessoa por ser democrata, mas discorda dela. “Essa discussão não é do Executivo, mas da sociedade. Liberar a maconha é um problema. Nós não temos controle nem do cigarro, que é tributado. 80% dos cigarros fumados no país são clandestinos, não paga imposto. Imagine maconha. O sistema de saúde não atende as pessoas, imagine pessoas maconhadas por aí”.

Para ele, o problema não é a droga, mas as pessoas. “Precisamos cuidar de quem não consome drogas. Se elas estão desesperadas com algo, precisam encontrar uma fuga e a fuga é a droga. Isso gera uma dependência que alimenta o crime. Usuário não é traficante. São doentes que precisam de tratamento e o Estado não dá, a família não dá, ninguém dá. Tira o foco do usuário. Não é ele o problema”.

Fronteiras

É preciso cuidar das fronteiras. Os postos da Polícia Rodoviária Federal (PRF) estão todos desativados, reclama. “Você não vê mais os policiais esperando nas rodovias. É preciso ter uma estrutura”.

Nas fronteiras tem um grande trânsito de armas e drogas, diz. “Isso preocupa as gerações futuras. O que será dos nossos filhos e netos que tem tanta acessibilidade as drogas no país? Tem que ter vontade política para resolver esses problemas como se tem para resolver fundo eleitoral, Auxílio Emergencial”.

Anselmo reclama que o PROERD, Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência, não recebeu nem um real do Governo Federal. “Esse é um dos melhores programas e que vou defender se for eleito”.

Instalação de câmeras nas fardas dos PMs

Anselmo é a favor. Na opinião do coronel, é preciso tirar esse conceito de que se colocar câmeras nas fardas e nas viaturas é para evitar que os policiais façam algo errado. “A câmera nesses locais é para que ele dê mais transparência na sua ação e lhe dê até segurança. O policial que trabalha direito não tem medo de câmera nem na farda e nem na viatura, muito pelo contrário”.

Quem é Anselmo

Integrante da PM há 38 anos, Anselmo Brandão foi comandante geral da entidade por 6 anos, até janeiro deste ano quando foi substituído por Paulo Coutinho.

Ele liderou ainda a Academia de Polícia Militar, a 11ª Companhia Independente da Barra, a 10ª Companhia Independente de Candeias e o 18º Batalhão da Polícia Militar do Centro Histórico.

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