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Polícia Adoecimento da PM

Comandante da 64ª CIPM fala sobre corporação adoecida psicologicamente

Eventos trágicos envolvendo policiais aconteceram na última semana na Bahia.

10/05/2022 08h51 Atualizada há 1 semana
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Luiz Santos
Foto: Luiz Santos

Eventos trágicos envolvendo policiais aconteceram na última semana na Bahia. O Capitão da Polícia Militar, Jaime Souza da Silva, morreu na última quinta-feira (5) em circunstâncias que ainda não foram oficialmente apuradas. Muitos rumores correm nas redes sociais, mas nada ainda confirmado pelo comando da Polícia Militar em Feira de Santana.

Já no final de semana foram três PMS’s assassinados. O primeiro foi Alexandre Menezes era lotado na 3ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM) de Cajazeiras. O soldado morreu após trocar tiros contra homens armados na Rua Ulisses Guimarães, no bairro de Águas Claras, no final da noite de sábado (7). Ele estava junto com a equipe fazendo rondas na região, quando foram surpreendidos por homens que atiraram na direção da viatura.

Ao voltar do enterro de Alexandre, os policiais militares Vitor Vieira Ferreira Cruz e Shanderson Lopes Ferreira oram mortos na Rua Vereador Zezeu Ribeiro, no bairro da Fazenda Grande I, em Salvador. A dupla estava à paisana.

Moradores da região chamaram a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que prestou atendimento e socorreu os dois PMs para o Hospital Municipal de Salvador, porém, eles não resistiram aos ferimentos.

Em entrevista, o diretor-coordenador Regional da ASPRA, Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia, Paulo Fernando da Silva dos Anjos, falou sobre os problemas psicológicos da corporação. Ele afirmou que a entidade se colocou à disposição das famílias dos policiais e chamou a estrutura da PM de adoentada porque há muito tempo se vê PM’s com problemas psicológicos na corporação.

“E não vemos nenhuma atitude efetiva para que isso seja tratado. O governo tenta fazer propaganda em cima disso dizendo que está tratando, mas nós que acompanhamos o dia a dia dos policiais e bombeiros militares da Bahia vemos que infelizmente não há nenhum interesse. É apenas uma forma de dar uma resposta para a sociedade que não satisfaz a necessidade desses profissionais”.

Paulo disse que o principal motivo que leva policias ao suicídio são relatos de perseguição, injustiça e muitos equívocos que continuam sendo praticados dentro da corporação. A ASPRA cede psicólogos para ajudar policiais que eles veem que tem essa necessidade e os procuram. “O Estado tenta varrer para debaixo do tapete esse problema e enquanto isso acontecer ele vai existir e vai se agravar como tem se agravado”, disse.

Palavra do comando da PM

A Major Lilian Nascimento, comandante da 64ª CIPM, Companhia Independente da Polícia Militar, falou sobre os problemas psicológicos da tropa. Ela disse que tem cuidado dos seus policiais porque sabe que se não fizer isso não tem como eles desempenharem bem a sua função. “Temos cuidado com a nossa tropa. Esse é o nosso primeiro olhar porque sabemos que se não cuidamos dos nossos internamente não tem como ser feito um trabalho de qualidade externamente”, disse.

Ainda conforme a major, existe um projeto dentro da Polícia Militar para dar conforto físico e emocional a tropa. É o projeto “Mais Vida, Mais Saúde” onde os PM’s fazem atividades físicas, acompanhamento nutricional e psicológico. Ele acontece por duas vezes durante a semana. “Buscamos cuidar dos policiais sendo homem ou mulher de forma integral”.

Ela confirmou que existem policiais afastados por problemas de saúde. Alguns deles estão trabalhando internamente por não terem condições no momento de desempenharem suas funções em campo. Esses policiais passam um período trabalhando internamente e depois retornam para a área. “Os problemas de cunho psiquiátrico estão na sociedade como um todo. E fazemos parte dela por isso estamos sujeitos a isso", finalizou.

Com informações do G1

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