A abstenção nas eleições presidenciais de 2026 caiu quase 2% no segundo turno e atingiu o menor patamar em duas décadas. Cerca de 3 milhões de eleitores que não compareceram às urnas na primeira etapa da disputa votaram neste domingo (25), reduzindo o número de ausentes de aproximadamente 33,4 milhões para 30,4 milhões, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A taxa de abstenção passou de 21,08%, no primeiro turno, realizado em 4 de outubro, para cerca de 19,21% na votação que definiu a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL). O índice é o menor registrado em um segundo turno presidencial desde 2006, quando ficou em aproximadamente 19%.
Ao todo, 128,2 milhões de brasileiros compareceram às urnas na etapa decisiva, ante 125,3 milhões no primeiro turno. O resultado representa uma mudança em relação ao comportamento tradicional do eleitorado, já que, historicamente, a abstenção costuma aumentar na segunda rodada das eleições presidenciais.
A queda ocorreu em meio a uma mobilização intensificada das campanhas para estimular a participação dos eleitores. O comparecimento às urnas tornou-se uma das prioridades da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que terminou o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro (PL) e buscou reverter o cenário na reta final da disputa.
A campanha petista promoveu atos e manifestações em diferentes regiões do país, com mobilizações em pelo menos 37 cidades. Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife e Curitiba receberam eventos de apoiadores do presidente, em uma estratégia voltada tanto à conquista de novos votos quanto ao retorno de eleitores que haviam faltado à primeira votação.
A mobilização também ocorreu nas redes sociais. O deputado federal André Janones (Rede-MG), aliado de Lula, criou o canal de mensagens Exército do Lula, que chegou a reunir 10 milhões de pessoas. A iniciativa buscou coordenar ações digitais para convencer indecisos e incentivar a participação no segundo turno.
Do outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro organizou o Bloquinho do 22, com eventos em várias regiões do país, incluindo um ato na avenida Paulista ao lado do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A redução da abstenção em 2026 contrasta com os números de eleições anteriores. Em 2010, o índice subiu de 18,12% no primeiro turno para 21,50% no segundo. Em 2014, passou de 19,39% para 21,10%, enquanto, em 2018, avançou de 20,33% para 21,30%.
Em 2022, a tendência começou a mudar, com a taxa recuando de 20,95% para 20,58% entre os dois turnos. Na ocasião, cerca de 570 mil eleitores a mais compareceram à votação decisiva.
Em 2026, a redução foi mais acentuada, levando a abstenção ao menor nível em 20 anos. Os votos brancos e nulos também registraram queda e somaram 3,23%, de acordo com os dados divulgados durante a apuração, o menor percentual nos dois turnos das eleições presidenciais neste século.
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