A Superintendência Municipal de Trânsito de Feira de Santana (SMT) intensificou a fiscalização de veículos utilizados no transporte de passageiros após identificar, durante uma operação realizada na última segunda-feira (14), um veículo em condições consideradas inadequadas para transportar pessoas. A ação foi coordenada pelo superintendente municipal de Trânsito, Ricardo Cunha, que alertou para os riscos enfrentados por passageiros que utilizam transportes sem condições de segurança.
Durante entrevista ao Portal Boca de Forno News, Ricardo Cunha explicou que a fiscalização teve como objetivo avaliar as condições do trânsito na cidade e verificar a qualidade dos veículos que circulam pelas ruas, especialmente aqueles utilizados no transporte coletivo. “Eu mesmo encabecei uma operação na segunda-feira, visando observar como estava o trânsito, principalmente na região da cidade, e também a qualidade dos veículos que estavam circulando”, afirmou.
Segundo o superintendente, durante a fiscalização, foram identificados veículos utilizados no transporte de passageiros que apresentavam sinais de deterioração e não ofereciam condições adequadas de circulação. “Comecei a observar que alguns veículos estavam fazendo um transporte coletivo péssimo de passageiros. Foram divulgadas imagens pela imprensa de veículos que, acredito, não tinham nenhuma condição de trafegar ou de transportar um ser humano dentro”, relatou.
Ricardo Cunha destacou que, embora reconheça as necessidades que podem levar algumas pessoas a utilizar esse tipo de transporte, considera preocupante a exposição dos passageiros a veículos em condições precárias. “Entendo a necessidade das pessoas, talvez, mas não compreendo por que alguém coloca o seu veículo em circulação naquele estado, colocando em risco a vida de quem está sendo transportado”, declarou.
Após a identificação do veículo durante a fiscalização presencial, a SMT ampliou o acompanhamento para tentar localizar outros automóveis que estejam circulando em condições semelhantes. De acordo com Ricardo Cunha, o sistema de monitoramento da Prefeitura também foi colocado à disposição para auxiliar na identificação de veículos deteriorados.
“Coloquei as câmeras da Prefeitura em alerta para detectar qualquer veículo na mesma situação daquele que foi identificado. Assim que houver algum registro, a equipe entrará em contato comigo, e eu pessoalmente irei à operação. Com certeza, vamos retirar esse veículo de circulação, caso ele não apresente condições de segurança”, afirmou.
O superintendente explicou ainda que a fiscalização inicial foi realizada de forma pontual, a partir da observação dos agentes durante a operação. Após a identificação do problema, o trabalho foi ampliado. “Essa identificação não foi feita inicialmente pelo sistema de monitoramento. Foi uma ação pontual. Eu decidi fazer uma fiscalização na rua e, naquele momento, percebi o problema. Assim que identificamos a situação, ampliamos a fiscalização e o monitoramento”, explicou.
Segundo Ricardo, a SMT também conta com um grupo de operações de inteligência, denominado SMT, que realiza levantamentos para auxiliar na localização de veículos que possam estar oferecendo riscos aos usuários. “Nós temos um serviço chamado SMT, que é um grupo de operações de inteligência. Esse grupo estava fazendo um levantamento sobre a circulação desse veículo, identificando os locais por onde ele passava. A partir dessas informações, vamos montar operações nesses pontos e fazer a remoção dos veículos que estiverem em situação irregular”, detalhou.
Riscos
O superintendente municipal de Trânsito chamou a atenção para os riscos associados à utilização de veículos sem manutenção adequada, principalmente no transporte de passageiros. Ricardo Cunha explicou que problemas mecânicos podem comprometer diretamente a segurança dos ocupantes, aumentando a possibilidade de acidentes. “É um veículo que não tem qualidade de manutenção. O condutor pode perder o controle da direção, ficar sem freio ou até mesmo ter uma porta desprendida. São vários os riscos”, alertou.
Ainda segundo ele, não é possível mensurar um único risco específico, já que a precariedade dos veículos pode provocar diferentes tipos de problemas durante o deslocamento. “A falta de segurança é um problema sério. Não conseguimos mensurar um risco específico, mas, quando se trata de um veículo nessas condições, eu poderia fazer uma lista enorme de riscos aos quais os passageiros estão expostos”, ressaltou.
Sobre o veículo identificado durante a operação, Ricardo Cunha informou que o automóvel foi encaminhado ao setor responsável pelos procedimentos administrativos e que não apresentava condições de circulação. “O veículo que levamos para o SMT não tinha condição nenhuma de circulação. Ele foi encaminhado para os procedimentos necessários e não deverá voltar às ruas enquanto não estiver totalmente regularizado”, afirmou.
O superintendente explicou que, conforme a legislação de trânsito, um veículo pode ser liberado caso apresente condições de segurança e o proprietário regularize as pendências identificadas. “Quando existe a possibilidade de regularização, o condutor pode receber um prazo para resolver o problema. O veículo pode ser encaminhado a uma oficina e permanecer retido até que a situação seja resolvida”, explicou.
Ricardo também destacou que, no caso do automóvel fiscalizado, a situação exigia medidas mais rigorosas, devido às condições em que o veículo se encontrava.
Denúncias
Ao final da entrevista, o superintendente orientou os usuários a procurarem os órgãos responsáveis sempre que identificarem problemas relacionados ao transporte irregular ou veículos que apresentem riscos à população. “Se houver qualquer problema relacionado ao transporte irregular na cidade, a orientação é que as pessoas procurem a Secretaria responsável. Também podem conversar comigo. Apesar de essa não ser exclusivamente a minha área de atuação, podemos dialogar, entender o que está acontecendo e buscar soluções”, afirmou.
Ricardo Cunha destacou a importância de compreender os motivos que levam os passageiros a utilizar veículos em condições precárias, especialmente quando crianças e outros familiares estão envolvidos. “Precisamos entender o que leva uma pessoa a utilizar um veículo daquele estado e colocar um filho, uma filha ou qualquer familiar dentro dele. É importante que as pessoas conversem conosco para que possamos compreender a situação e tentar resolver o problema”, declarou.
O superintendente reforçou a necessidade de conscientização sobre a segurança no transporte de passageiros e fez um questionamento aos usuários sobre a utilização de veículos deteriorados. “Você teria coragem de circular em um veículo naquelas condições ou de colocar sua família dentro dele? De jeito nenhum. É isso que esperamos que as pessoas compreendam”, afirmou.
Ricardo Cunha concluiu destacando que o trabalho da SMT deve priorizar a proteção da população e a redução dos riscos no trânsito. “Queremos que as pessoas dialoguem conosco e expliquem o que está levando à utilização desse tipo de veículo. Assim, poderemos entender a situação e tentar resolver o problema o mais rápido possível, porque a nossa função é cuidar das pessoas".
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