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Saúde da mulher após os 35 anos exige atenção aos sinais do corpo e prevenção

Ginecologista Juliana Lopes alerta que alterações no sono, irritabilidade, cansaço, falhas de memória, ressecamento e redução da libido podem estar relacionadas às oscilações hormonais do climatério e defende que a mulher procure avaliação médica antes da menopausa.

17/08/2026 08h33
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Juliana Lopes - Foto: Boca de Forno News
Juliana Lopes - Foto: Boca de Forno News

A chegada aos 35 anos marca uma fase de importantes transformações na vida da mulher. Além de lidar com uma rotina marcada, muitas vezes, pela conciliação entre trabalho, filhos, marido e outras responsabilidades, ela também pode começar a perceber mudanças no próprio corpo e no comportamento. Para a médica ginecologista Juliana Lopes, reconhecer esses sinais e procurar atendimento antes que os sintomas se intensifiquem é fundamental para garantir mais qualidade de vida.

Segundo a especialista, muitas mulheres passam a administrar uma rotina de múltiplas tarefas e acabam deixando o autocuidado em segundo plano. Com isso, sinais que poderiam indicar mudanças hormonais são frequentemente atribuídos apenas ao cansaço ou às responsabilidades do dia a dia. “Essa fase da mulher a partir dos 35 anos primeiro é ela administrar a rotina dela, das múltiplas tarefas que ela tem com os filhos, marido, trabalho e se perceber dentro desse contexto de mudança”, explicou Juliana.

Entre os sinais que merecem atenção estão alterações no sono, irritabilidade, cansaço crônico, falhas de memória, ressecamento dos olhos e também ressecamento vaginal. A mulher pode ainda perceber mudanças na forma como reage às situações cotidianas e sentir que está vivendo no chamado “modo automático”.

A ginecologista destaca que uma das principais dificuldades está justamente no fato de a mulher continuar menstruando normalmente ou estar fazendo uso de anticoncepcional. Por isso, muitas vezes ela não relaciona as mudanças aos processos de oscilações hormonais que podem ocorrer durante o climatério e a transição para a menopausa. “A mulher tende a só buscar ajuda quando está muito mais intenso os sintomas ou ela já deixou de menstruar”, afirmou.

Para Juliana Lopes, a conscientização precisa acontecer antes do fim da menstruação. A ideia é permitir que a mulher compreenda as transformações do próprio corpo e tenha condições de atravessar essa fase de maneira mais confortável.

Sintomas “normais”

No consultório, a médica relata que é comum ouvir das pacientes que os sintomas foram considerados normais durante muito tempo. Muitas só procuram ajuda quando as alterações começam a interferir de maneira significativa na rotina, no trabalho e nos relacionamentos.

Juliana conta que costuma perguntar às pacientes em que momento elas começaram a perceber as mudanças. Entre os relatos estão dificuldades para dormir, estresse intenso, irritabilidade e mudanças na relação com o parceiro. “Doutora, eu sempre achei que era normal, que era da rotina”, é uma das respostas que, segundo ela, mais aparecem durante os atendimentos.

A médica relata ainda situações em que o próprio marido percebe as mudanças e incentiva a mulher a procurar atendimento. Em alguns casos, o parceiro também acompanha a consulta, principalmente quando a relação do casal começa a ser afetada. “Ela já não gostava mais de namorar como era antes. E as coisas foram alterando, alterando, alterando e eu estou aqui porque chegou ao nível muito complicado. E muitas das vezes é o próprio marido que manda a mulher ir. Quando ele não vai junto também”, relatou.

De acordo com Juliana, muitos desses casais chegam ao consultório tentando retomar uma relação que acabou sendo modificada ao longo dos anos. O parceiro pode sentir falta da mulher que conhecia anteriormente, enquanto ela própria não consegue identificar exatamente em que momento essas mudanças começaram. “Ele quer ter aquela mulher de antes, mas ele já não reconhece mais ela. E eles têm uma história junto. Eu recebo muitos casais nesse contexto, precisando de retomar uma relação que se perdeu em algum momento da vida”, contou.

A ginecologista explica que, muitas vezes, a própria mulher não consegue dizer quando tudo começou porque acredita que os sintomas são apenas consequências da rotina e das múltiplas responsabilidades. No entanto, podem existir alterações hormonais e metabólicas contribuindo para esse processo.

Qualidade de vida

Questionada se, com tratamento, a mulher pode voltar a se sentir como antes, Juliana Lopes ressalta que é preciso compreender que o tratamento deve respeitar a nova fase da vida. Segundo ela, a mulher não pode esperar que o corpo aos 35 anos ou depois dessa idade responda exatamente como respondia aos 20. A quantidade de hormônios produzidos, o metabolismo e a própria história metabólica construída até aquele momento passam a ser diferentes. “Temos que entender que a estratégia muda. Não podemos nos comportar como se tivéssemos 20”, afirmou.

A especialista lembra ainda que, com o passar dos anos, a mulher já não ganha massa muscular da mesma maneira e o corpo também passa por transformações. Isso, entretanto, não significa que seja necessário aceitar uma queda na qualidade de vida. Para Juliana, é possível manter uma mulher ativa, consciente dos próprios sintomas e das atitudes que pode adotar para cuidar da saúde em cada etapa.

A ginecologista destaca que, com uma estratégia individualizada, é possível buscar qualidade de vida, melhorar a relação com o próprio corpo, recuperar a libido dentro das condições daquela fase, alcançar maior equilíbrio emocional e manter uma rotina saudável. “O objetivo é conseguir ter uma qualidade de vida boa, ter uma boa relação, voltar a ter sua libido normal, dentro daquele contexto, conseguir ter um equilíbrio emocional e manter ali uma qualidade de vida saudável para cada fase”, explicou.

Prevenção

A principal recomendação da médica é não esperar que os problemas se tornem graves para procurar atendimento. Para ela, a prevenção deve fazer parte do cuidado com a saúde feminina antes mesmo da interrupção da menstruação. “Não espere o problema chegar. Não espere ter a falência nas suas múltiplas funções”, alertou.

Juliana chama atenção para os impactos que os sintomas podem provocar quando não são avaliados. O trabalho pode ser prejudicado, os relacionamentos podem ficar comprometidos e a própria mulher pode deixar de se reconhecer dentro da rotina.

Por isso, qualquer mudança persistente deve ser observada. Dores, alterações de comportamento, irritabilidade, mudanças na relação com outras pessoas ou a sensação de que “já não é mais a mesma” são motivos para buscar uma avaliação. “É fundamental que essa mulher, quando começar a perceber que já não se reconhece mais, que alguma coisa está muito diferente, uma dor, um comportamento diferente com os outros, ela não se reconhece mais dentro daquele contexto, procure uma avaliação médica”, orientou.

A partir dessa avaliação, segundo a ginecologista, é possível construir uma estratégia individualizada para cada mulher, levando em consideração sua história, seus sintomas e sua fase de vida.

A mensagem, portanto, é de que o envelhecimento feminino não precisa ser encarado como sinônimo de sofrimento ou perda de qualidade de vida. Com informação, acompanhamento e prevenção, a mulher pode compreender as transformações do corpo e encontrar formas de continuar ativa, saudável e consciente das próprias necessidades.

Para Juliana Lopes, cuidar-se antes que os sintomas se agravem é uma das principais formas de atravessar essa fase com mais qualidade e menos sofrimento.

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