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Saúde Palavra de médico

O “Palavra de Médico” deste domingo (17) falou sobre insônia

Falta de sono afeta até um em cada três brasileiros e pode aumentar riscos à saúde, alerta médico Tarcízio Pimenta.

17/08/2026 08h35
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Reprodução / Internet
Foto: Reprodução / Internet

A insônia é um problema que vai muito além da dificuldade para dormir. A insônia é um distúrbio do sono comum caracterizado pela dificuldade em adormecer, permanecer dormindo ou acordar cedo demais e não conseguir voltar a dormir. Ela prejudica o descanso, afeta o humor, gera cansaço diurno e reduz a qualidade de vida.

O alerta sobre esta condição foi feito pelo clínico geral e cirurgião, doutor Tarcízio Pimenta, durante participação no quadro “Palavra de Médico”, do programa Boca de Forno, da rádio Sociedade News. Segundo o especialista, o sono inadequado pode estar relacionado a uma série de problemas de saúde e precisa ser encarado com seriedade.

De acordo com Tarcízio Pimenta, cerca de 30% a 35% dos brasileiros sofrem com insônia, enquanto as mulheres podem ser ainda mais afetadas, chegando a aproximadamente 40%. O médico explicou que a insônia não se manifesta apenas quando a pessoa não consegue dormir. “Dificuldade para iniciar o sono, acordar várias vezes durante a noite, acordar muito cedo e não conseguir dormir mais. Tudo isso é insônia”, explicou.

Segundo ele, quando esses episódios acontecem três vezes por semana ou mais, os impactos sobre o organismo podem ser importantes. O médico afirmou ainda que existem mais de 170 doenças associadas ao sono desregulado, envolvendo diferentes sistemas do corpo.

Entre os problemas relacionados à falta de sono estão hipertensão arterial, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC), arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, diabetes tipo 2, obesidade, depressão, ansiedade, Alzheimer, doença de Parkinson, enxaqueca, alterações da imunidade, doenças inflamatórias, disfunções sexuais, quedas e alterações hormonais.

Tarcízio Pimenta destacou que muitos problemas relacionados ao sono não aparecem de forma repentina. Segundo ele, a dificuldade para dormir pode ser consequência de situações que já vêm se acumulando durante dias, meses ou até anos. “Tem muita queixa que a gente ouve: ‘eu não consigo dormir, meu cérebro não desliga’. Porque o sono, às vezes, acontece de problemas que já estão instalados há dias, há meses, há anos”, afirmou.

O médico também ressaltou a importância do sono para a recuperação do organismo e para o funcionamento cerebral. Segundo ele, durante o descanso ocorrem processos importantes para a recuperação do cérebro, e a ausência de um sono adequado compromete esse processo.

Um dos alertas feitos pelo médico diz respeito ao ronco. Para ele, o barulho durante o sono não deve ser encarado apenas como um incômodo para quem está ao lado. “O ronco pode ser um sinal de apneia, pode ser um distúrbio respiratório”, explicou.

De acordo com o especialista, alterações respiratórias durante o sono podem contribuir para uma noite mal dormida e também precisam ser investigadas. Outro mito citado por Tarcízio é o de que algumas pessoas podem dormir pouco sem sofrer consequências porque o organismo estaria acostumado. Segundo ele, a privação do sono se acumula e não é simplesmente compensada por dormir mais durante o fim de semana.

O médico também falou sobre o hábito de cochilar depois do almoço. Segundo ele, ao contrário do que muitas pessoas acreditam, o cochilo não necessariamente prejudica o sono noturno. O problema estaria relacionado à falta de controle sobre esse período. “Basta que você regule. O que o sono precisa é de regulação”, afirmou.

Para Tarcízio, estabelecer horários regulares para dormir e acordar é uma das principais medidas para melhorar a qualidade do sono. Ele explicou que o cérebro tende a se adaptar à rotina estabelecida. “Se você dorme todo dia 22 horas, seu cérebro vai dirigir você para esse sono às 22 horas. Se acorda todo dia às 5 horas da manhã, seu ritmo vai ser esse”, disse.

Outro comportamento que pode prejudicar o descanso é o uso de celulares e outros equipamentos eletrônicos antes de dormir. Segundo o médico, a sensação de relaxamento provocada pelo uso do aparelho não significa que ele esteja ajudando o organismo a adormecer. “A luz atrapalha o adormecer”, alertou.

Por isso, a recomendação é reduzir a exposição às telas antes do horário de dormir e criar um ambiente adequado para o descanso.

Tarcízio Pimenta chamou atenção ainda para o uso de medicamentos que podem alterar o padrão do sono. Ele citou alguns antidepressivos, como fluoxetina, sertralina, escitalopram, venlafaxina e duloxetina, além de corticoides, como prednisolona, dexametasona e metilprednisolona.

O médico também mencionou medicamentos da classe dos betabloqueadores, como propranolol e atenolol, e descongestionantes nasais, incluindo substâncias como fenilefrina e pseudoefedrina. Segundo ele, a reação pode variar de uma pessoa para outra. Por isso, quem perceber alterações no sono durante o uso de medicamentos deve conversar com o médico responsável. “Procura conversar com o seu médico para ver se ele regula isso, se ele troca a medicação”, orientou.

Ainda durante a entrevista, o médico reforçou que dormir mal não deve ser considerado um problema secundário. Segundo os dados apresentados por ele, a alteração do sono está relacionada ao aumento de diversos riscos à saúde, inclusive de mortalidade. Tarcízio afirmou que o risco de morte pode aumentar em cerca de 14% entre pessoas com problemas relacionados ao sono, destacando a importância de buscar tratamento.

Ele também chamou atenção para o excesso de sono. Segundo o médico, o período normalmente indicado para descanso fica em torno de sete a oito horas, e dormir muito além disso também pode estar associado a riscos maiores.

O especialista ressaltou ainda que pessoas que fazem uso de medicamentos para dormir não devem ser ridicularizadas ou julgadas. Em determinadas situações, segundo ele, esses medicamentos podem ser necessários, desde que utilizados com acompanhamento médico.

Para melhorar a qualidade do descanso, Tarcízio Pimenta recomenda a chamada higiene do sono. Entre as orientações estão utilizar o quarto prioritariamente para dormir, evitar trabalhar na cama, não levar computador ou celular para o ambiente de descanso e manter o quarto escuro e silencioso. “O quarto é para dormir. Desliga todas as telas, procura deixar o quarto escuro, sem ruído. Não vai trabalhar na cama, não leva computador para a cama, não leva celular para a cama”, orientou.

Segundo ele, não basta simplesmente retirar o celular do quarto. É necessário modificar hábitos que estejam contribuindo para a dificuldade de dormir.

Ao final da entrevista, o médico apresentou uma estratégia que chamou de “regra de ouro” para começar a regularizar o sono: a regra 10, 3, 2, 1, 0. A orientação é:

- 10 horas sem cafeína: evitar café e outros produtos com cafeína a partir de aproximadamente 10 horas antes de dormir. O médico destacou que a substância permanece no organismo por várias horas e pode interferir no sono.

- 3 horas sem comida ou álcool: evitar alimentação e bebidas alcoólicas nas três horas que antecedem o horário de dormir.

- 2 horas sem trabalho: interromper, sempre que possível, as atividades profissionais duas horas antes de ir para a cama.

- 1 hora sem tela: ficar pelo menos uma hora antes de dormir sem celular, televisão, computador ou outros dispositivos eletrônicos.

- 0 vezes no botão soneca: evitar ficar acionando repetidamente o botão de “soneca” do despertador.

Para Tarcízio Pimenta, a regularidade é um dos principais caminhos para melhorar o sono. O médico reforçou que dormir bem influencia diretamente a disposição, o desempenho profissional e a qualidade de vida.

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