Marlede Oliveira - Foto: Boca de Forno News
Professores da rede municipal de Feira de Santana, acompanhados por pais de alunos e representantes da APLB Sindicato, realizaram uma manifestação em frente à Prefeitura Municipal nesta terça-feira (5), cobrando o cumprimento de acordos firmados com a categoria, a contratação de professores para suprir a falta de profissionais nas escolas e a reversão da exoneração da diretora da Escola Municipal Professora Almira Pereira Lago, no bairro Campo do Gado Novo.
A presidente da APLB Feira, Marlede Oliveira, afirmou que o ato foi aprovado em assembleia e teve como objetivo denunciar o que classificou como descumprimento de compromissos assumidos pela gestão municipal com os trabalhadores da educação.
Segundo ela, mesmo após quatro audiências entre o sindicato e a Prefeitura, a categoria ainda não obteve respostas concretas às reivindicações. Uma quinta reunião está marcada para o próximo dia 12 de agosto. “O governo não cumpriu o acordo que foi homologado no Tribunal de Justiça e assinado pela própria Prefeitura. Nós esperamos que esse compromisso seja respeitado”, afirmou.
Marlede também destacou que a mobilização contou com a participação de mães de alunos da Escola Municipal Professora Almira Pereira Lago, que protestaram contra a exoneração da diretora da unidade.
Para a dirigente sindical, a retirada da gestora do cargo representa uma perseguição em razão de sua participação na mobilização realizada pela categoria na semana passada. “Nós entendemos que foi uma perseguição, porque ela aderiu ao movimento. O professor e o diretor têm direito à liberdade de expressão e de participar da paralisação. Isso é garantido por lei".
Outro ponto destacado pela presidente da APLB foi a deficiência no quadro de professores da rede municipal. Segundo Marlede, diversas escolas enfrentam problemas há anos devido à ausência de profissionais, comprometendo o calendário letivo e o aprendizado dos estudantes.
Ela criticou a proposta da Prefeitura de realizar aulas aos sábados para compensar o conteúdo perdido, acompanhada de gratificação aos professores. “Isso não vai suprir um ano inteiro de aulas prejudicadas. Desde 2023 essa situação vem se arrastando. Para haver aprendizagem é preciso ter professor em sala de aula. Muitos alunos se matriculam, vão dois ou três dias e depois não têm aula".
Ainda de acordo com a sindicalista, o problema vai além da valorização salarial da categoria. “Aqui não estamos falando apenas de salário. Estamos falando da qualidade da educação que está sendo oferecida às crianças. Educação de qualidade começa com professores em sala de aula".
Sobre a exoneração da diretora, Marlede informou que a APLB solicitará oficialmente esclarecimentos à Secretaria Municipal de Educação. “Vamos encaminhar um documento ao secretário pedindo explicações sobre a exoneração da professora. Depois da resposta, vamos avaliar as medidas jurídicas cabíveis".
Diretora exonerada
Jacilene Santos Souza - Foto: Boca de Forno News
A professora Jacilene Santos Souza, ex-diretora da Escola Municipal Professora Almira Pereira Lago, afirmou que foi surpreendida com a publicação de sua exoneração no Diário Oficial um dia após participar da manifestação dos professores realizada em frente ao Centro Administrativo.
Segundo a professora, ela ingressou na rede municipal por concurso público em 2019 e foi aprovada no processo seletivo para gestores escolares, assumindo oficialmente a direção da unidade em 14 de abril deste ano. Ela relata que, durante sua gestão, enfrentou problemas relacionados à falta de professores. “Havia turmas tendo aula apenas dois dias por semana. O primeiro ano, por exemplo, ficou sem aulas durante semanas por falta de professor. Eu estava sempre buscando soluções para a comunidade escolar".
Jacilene acredita que sua exoneração tenha ocorrido em razão da participação no movimento da categoria. “Não vejo outro motivo. Existe um barema de avaliação para diretores, mas ele sequer foi aplicado. No Diário Oficial não houve qualquer justificativa para minha exoneração".
Ela afirmou ter recebido amplo apoio das famílias da escola. “Esse apoio demonstra o trabalho que desenvolvemos nesses três meses. Sempre procurei respeitar as famílias, os alunos e lutar pelos direitos das crianças".
A professora também criticou a forma como foi afastada da função. “Voltei para a sala de aula porque sou professora e tenho orgulho disso. O que aconteceu fere os princípios da gestão democrática. Eu passei por um processo seletivo, fui certificada e não ocupava um cargo por indicação política".
Segundo Jacilene, até o momento nenhum representante da Secretaria Municipal de Educação entrou em contato para apresentar explicações. “Vou buscar as providências legais juntamente com a APLB, porque fui exonerada sem qualquer justificativa".
Pais apoiam diretora
Mariana Marcelo - Foto: Boca de Forno News
Durante a manifestação, mães de alunos também participaram do protesto em defesa da permanência da diretora e da melhoria das condições da educação municipal.
A mãe de aluno Mariana Marcelo afirmou que a comunidade escolar decidiu participar do ato após acompanhar as dificuldades enfrentadas pelos estudantes ao longo do ano letivo. “Estamos aqui reivindicando os nossos direitos como pais. Nossos filhos estavam tendo aula apenas duas vezes por semana por falta de professores".
Segundo Mariana, após assumir a direção da escola, Jacilene passou a buscar soluções para os problemas enfrentados pela unidade. “Quando a situação começou a melhorar e ela passou a cobrar os direitos dos alunos e também dos professores, acabou sendo exonerada".
Ela ressaltou que a decisão não foi bem recebida pela comunidade escolar. “Nós, pais, rejeitamos essa mudança porque vimos quem realmente estava lutando pelos direitos dos nossos filhos".
A expectativa, segundo Mariana, é que a Prefeitura dialogue com os professores e encontre uma solução para o impasse. “Esperamos que haja um acordo e que a diretora Jacilene possa voltar para a escola".
A mãe também defendeu a contratação de novos professores para reduzir o déficit de profissionais na rede municipal. “Esperamos que o município contrate mais professores. Hoje muitos profissionais preferem trabalhar em cidades do interior porque os salários são mais atrativos. Com mais valorização, a situação pode melhorar tanto para os professores quanto para os alunos".
A manifestação ocorreu enquanto a categoria aguarda uma nova rodada de negociações com a Prefeitura de Feira de Santana, marcada para o dia 12 de agosto, quando a APLB espera avanços nas reivindicações apresentadas ao governo municipal.
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