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Os efeitos da inteligência artificial na sociedade

Por João Paulo Just Peixoto

26/09/2026 19h26
Por: Karoliny Dias Fonte: João Paulo Just Peixoto
Foto: Reprodução / Internet
Foto: Reprodução / Internet

É fato: praticamente todo mundo (pelo menos das pessoas que conheço) estão usando algum tipo de inteligência artificial. Seja ChatGPT, Gemini ou aquelas IAs que fazem fotos e vídeos, todos estão usando. A promessa do mercado é que a inteligência artificial aumenta a produtividade das pessoas (há controvérsias), mas qual é o efeito disso em nossas vidas?

Realmente, a IA como ferramenta pode ajudar bastante no trabalho, seja qual for seu ramo de atuação. Ela pode nos ajudar nas tarefas repetitivas, como na formatação de um texto, ou naquelas em que precisamos de uma ajuda para destravar o caminho. Porém, tenho notado um certo vício ou dependência na IA por algumas pessoas. Tarefas que poderiam ser feitas normalmente, sem nenhum auxílio externo, são delegadas a alguma ferramenta digital de inteligência artificial. Esse hábito de recorrer à IA sempre sem nem parar pra pensar e tentar pode acabar nos transformando em preguisoços mentais, com cérebros atrofiados por não mais usá-los. Pior: há quem delegue tudo para a IA e nem mesmo revisa o que ela produziu. Daí surgem produções mal-feitas e incorretas que acabam tendo que ser refeitas por alguém, jogando pra dentro do ralo a proposta de aumento de produtividade que a ferramenta poderia trazer.

Atualmente estou farto de ouvir pessoas dizerem coisas como:

- “Pedi a opinião da IA.”

- “A IA me disse que esse remédio é bom.”

- “Nem precisa ler o livro, é só perguntar à IA.”

A comodidade de ter respostas rápidas (mas que nem sempre são corretas) deixou as pessoas ainda mais preguiçosas. Prevejo uma queda intelectual da humanidade a longo prazo se as coisas continuarem neste ritmo.

Apesar de acertar na maioria das vezes, IA erra e não é pouco. Esse erro pode trazer problemas graves em alguns casos. E eu não sou o único a pensar assim: no início deste mês o Conselho Nacional de Educação proibiu o uso de inteligência artificial para corrigir provas e questões dissertativas nas escolas. Seria apenas uma regra boba do CNE para que os professores trabalhem em vez de delegar a correção para a máquina? Claro que não! O problema está em delegar um trabalho intelectual a um software que erra e alucina com frequência. Imagine agora uma redação muito bem escrita com uma nota baixa ou vice-versa! Quem garante que a IA dará a nota correta à redação ou à resposta? O professor teria que revisar a avaliação o que, no caso, faz com que o uso da IA nesta situação seja inútil logo de cara.

Também ficou proibido o uso sem supervisão da IA pelos alunos, o que é muito importante realmente. Sim, a inteligência artificial pode ser uma grande aliada no aprendizado, mas o que está acontecendo na prática é que muitos estudantes estão colocando as ferramentas para fazer suas tarefas e trabalhos acadêmicos, sem que precisem fazer um mínimo esforço para aprender. Há umas semanas atrás tive que fazer uma reflexão com meus alunos sobre o uso da inteligência artificial na execução das atividades, terminando com a pergunta: “Se a IA sumisse hoje, vocês conseguiriam fazer este trabalho?”.

Pois então, fica a pergunta para o caro leitor: se a IA sumisse hoje, você conseguiria continuar fazendo seu trabalho?

Por João Paulo Just Peixoto

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