Morador da comunidade da Guaíba, na zona rural de Cachoeira, Sandro Alves Conceição, mais conhecido como Lau, utilizou um programa de rádio para fazer um apelo às autoridades e denunciar uma série de problemas enfrentados diariamente pelos moradores da localidade. Entre as principais reclamações estão as más condições da estrada de acesso à comunidade, a falta de manutenção da vegetação que invade a pista e a persistente escassez de água, mesmo após a perfuração de dois poços artesianos.
Durante a entrevista, Lau afirmou que o trecho asfaltado que liga a comunidade encontra-se em estado crítico de conservação, com inúmeros buracos que colocam em risco a segurança de motoristas e passageiros. Segundo ele, a situação é tão grave que os ônibus precisam invadir a contramão para desviar dos buracos, aumentando o risco de acidentes. "Eu vim agora no ônibus e vi a situação. Tem muita curva e, às vezes, o motorista precisa desviar dos buracos indo para a contramão. Pode vir outro carro e acontecer uma tragédia”.
O morador pediu que seja realizada, com urgência, uma operação tapa-buracos na via. "Esse asfalto foi feito, mas hoje está terrível. Está muito esburacado. Precisamos que a empresa responsável ou o poder público façam a manutenção dessa estrada”.
Lau defendeu que a população precisa cobrar providências dos governos municipal, estadual e federal, independentemente de quem seja o responsável pela manutenção da estrada. "Tem que cobrar a gestão pública. Seja Governo do Estado, Governo Federal ou quem for responsável. É um direito da população exigir que essa estrada seja recuperada”.
Para ele, muitas pessoas deixam de reivindicar melhorias por receio. "Tem gente que fica com medo de cobrar, mas tem que cobrar, sim. É um direito e também uma obrigação do cidadão”.
Outro problema apontado pelo morador é o avanço da vegetação sobre a estrada, especialmente das cercas vivas existentes nas propriedades rurais. Segundo Lau, a comunidade realiza, quando possível, pequenos serviços de roçagem, mas a extensão da estrada torna impossível resolver o problema apenas com esforço dos moradores.
Ele explicou que muitos proprietários rurais deixam as cercas crescerem sem manutenção, permitindo que os galhos avancem sobre a pista. "As cercas vivas invadem a estrada. A pista fica estreita e praticamente não passam dois veículos grandes ao mesmo tempo”.
Além da redução da largura da via, ele alerta que a vegetação possui espinhos, oferecendo risco para motociclistas, ciclistas e até para veículos. "Tem muito espinho. Quando fura um pneu por causa disso, é um problemão”.
Lau afirmou que pretendia registrar imagens da situação para encaminhá-las à emissora e reforçar a denúncia.
A escassez de água foi outro tema destacado durante a entrevista. Segundo o morador, a comunidade convive há anos com dificuldades no abastecimento, apesar da existência de dois poços artesianos perfurados pelo Governo do Estado. Ele afirmou que os poços nunca entraram em funcionamento. "Tem dois poços cavados lá na comunidade, mas nenhum funciona”.
Questionado sobre o motivo, Lau respondeu que o problema seria a ausência das bombas necessárias para colocar o sistema em operação. "Falta a bomba. O poço está lá, mas sem bomba não chega água para o povo”. Ele disse que, quando os poços foram perfurados, havia água suficiente, mas hoje não sabe informar se a vazão permanece a mesma.
Lau também relatou um episódio ocorrido recentemente envolvendo o abastecimento por carro-pipa enviado pela Prefeitura. Segundo ele, uma moradora da comunidade ficou sem receber água durante a distribuição realizada pelo veículo. Sensibilizado com a situação, decidiu ajudá-la utilizando sua própria água. "Ela pediu água e eu não podia negar. Peguei meus tubos, fui até lá e enchi o tanque dela”.
Mesmo se recuperando de uma virose, Lau contou que fez questão de prestar auxílio à vizinha. "Eu ainda estava doente, mas fui ajudar porque água é vida e é saúde”. Ele afirmou desconhecer o motivo pelo qual a residência não foi abastecida pelo caminhão-pipa.
Lau destacou que a comunidade da Guaíba vem registrando crescimento populacional e recebendo novos moradores, inclusive pessoas vindas de outros estados. Segundo ele, trata-se de uma região bonita, acolhedora e com potencial turístico, mas que continua enfrentando problemas básicos de infraestrutura. "É um lugar bonito. Tem muita gente vindo morar lá. Quem não conhece precisa visitar a comunidade”.
Apesar disso, ele lamenta que, a cada período eleitoral, muitos candidatos procurem os moradores pedindo votos, mas as demandas históricas permaneçam sem solução. "Agora vai aparecer deputado, senador, presidente, todo mundo pedindo voto. Mas, para resolver os problemas da comunidade, ninguém aparece”.
Na avaliação de Lau, uma solução definitiva para o abastecimento seria a atuação conjunta entre o poder público e a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). Ele acredita que novos investimentos em perfuração de poços não resolverão o problema enquanto a água não chegar efetivamente às residências. "Eu acho que a Embasa poderia entrar nessa situação para resolver isso de uma vez. Não adianta gastar dinheiro cavando poços e eles continuarem sem funcionar”.
Ao encerrar sua participação, Lau reforçou que continuará cobrando melhorias para a comunidade da Guaíba e defendeu que essa é uma responsabilidade de todo cidadão. "Eu não sou político. Sou apenas um cidadão que mora lá e sente os problemas da comunidade. O que resta para nós é cobrar, cobrar, cobrar e continuar cobrando”.
Ele agradeceu o espaço concedido pela emissora e deixou um apelo para que as autoridades olhem com mais atenção para as necessidades da população da Guaíba, especialmente em relação à recuperação da estrada, à manutenção da vegetação que invade a pista e à solução definitiva para o abastecimento de água na comunidade.
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