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Reinauguração do Teatro Dona Canô marca novo momento para a cultura de Santo Amaro

Equipamento cultural foi reaberto após ampla restauração e passa a integrar uma série de investimentos do Governo da Bahia voltados ao fortalecimento da cultura no Recôncavo Baiano.

03/07/2026 09h12
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News

Foto: Boca de Forno News

A reinauguração do Teatro Dona Canô, em Santo Amaro da Purificação, marcou um novo capítulo para a cultura do Recôncavo Baiano. A solenidade reuniu artistas e representantes da comunidade cultural e autoridades entre eles o governador Jerônimo Rodrigues, o prefeito de Salvador, Bruno Reis, o secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, além de nomes consagrados da música e da cultura baiana.

Durante o evento, o governador destacou que a entrega do espaço faz parte de uma semana de importantes investimentos na cultura baiana. Segundo ele, além da reabertura do teatro, o Governo do Estado lançou recentemente iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor audiovisual.

Jerônimo ressaltou que o Teatro Dona Canô foi totalmente requalificado para voltar a ser um espaço de referência para a produção cultural. "O teatro ficou muito aconchegante e foi muito bem ajustado. Espero que esse palco receba grandes artistas, como vimos hoje, mas também seja um espaço para aqueles que estão iniciando suas carreiras. Que daqui possam surgir novos talentos", afirmou.

O governador enfatizou que o equipamento não será destinado apenas a espetáculos artísticos, mas também a reuniões, capacitações e diversas atividades culturais e educativas, atendendo escolas municipais, estaduais, instituições particulares e toda a comunidade, "sem qualquer tipo de preconceito".

Jerônimo também destacou que a homenagem à matriarca da família Veloso é justa e representa o reconhecimento da importância de Dona Canô para a história cultural de Santo Amaro e da Bahia.

Campus da UFRB

Durante a entrevista, o governador confirmou que o futuro campus da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em Santo Amaro, também receberá o nome de Dona Canô. Segundo ele, o projeto será implantado ao lado de uma escola de tempo integral, fortalecendo a integração entre educação básica e ensino superior.

A proposta, explicou, é construir um modelo semelhante ao adotado pelo Colégio da Polícia Militar e por outras experiências educacionais, permitindo que estudantes tenham contato com o ambiente universitário ainda durante o ensino médio. "Quem sabe, no futuro, a gente possa diminuir até essa necessidade do vestibular, permitindo que os estudantes ingressem na universidade pelo desempenho que obtiverem no ensino médio", afirmou.

De acordo com Jerônimo Rodrigues, a previsão é que o novo campus seja entregue no segundo semestre de 2028, após aproximadamente dois anos de obras.

Casa do Samba

Outro tema abordado durante a visita foi a situação da Casa do Samba, localizada ao lado do Teatro Dona Canô e considerada um dos mais importantes patrimônios culturais do município. O governador afirmou que a entrega do teatro representa apenas uma etapa dos investimentos previstos para Santo Amaro.

Segundo ele, além da recuperação física do equipamento, a Secretaria de Cultura foi orientada a desenvolver uma programação permanente de apoio aos artistas locais, por meio de editais, incentivo aos Pontos de Cultura e realização de eventos. "Não é apenas entregar um prédio. Queremos que exista uma direção que estimule atividades culturais e que esse espaço seja ocupado pela população", afirmou.

Jerônimo Rodrigues - Foto: Boca de Forno News

Jerônimo destacou ainda que pretende fortalecer a parceria entre Governo do Estado, Prefeitura, Câmara de Vereadores, grupos culturais e artistas da cidade. "O que queremos é ver Santo Amaro brilhando. Não existe distinção partidária quando o assunto é cultura."

Sobre a Casa do Samba, o governador informou que o projeto já está em andamento junto ao Governo Federal e que acompanhará pessoalmente os próximos passos para que a obra avance para a fase de licitação. "Vou acompanhar esse projeto para que possamos iniciar o processo licitatório o mais rápido possível."

Obra da Candolândia

Além das ações voltadas à cultura, Jerônimo Rodrigues aproveitou a visita ao município para anunciar novidades sobre a aguardada obra de contenção de encosta na Rua H, no bairro da Candolândia. O governador relembrou que esteve em Santo Amaro após as fortes chuvas de maio de 2024, quando assumiu o compromisso de executar a intervenção.

Segundo ele, a primeira licitação acabou não atraindo empresas interessadas, o que obrigou o Estado a reformular o processo. "Nós licitamos a obra, mas ela deu deserta. As empresas encontraram dificuldades porque era uma única intervenção."

Para tornar o certame mais atrativo, o Governo da Bahia atualizou os valores e reuniu outras obras em um único processo licitatório, incluindo intervenções previstas em Catu e Itaparica. Jerônimo informou que a nova licitação já foi publicada no Diário Oficial e que a abertura dos envelopes está prevista para o dia 27 de julho.

O governador disse esperar que uma empresa seja contratada rapidamente para evitar novos atrasos.

Apoio às famílias em situação de risco

Durante a agenda em Santo Amaro, Jerônimo também encontrou moradores da Candolândia que continuam convivendo com o risco de deslizamentos. Ele citou o caso de Dona Maria, moradora da região, que relatou passar noites de chuva na varanda da residência por medo de acidentes.

Sensibilizado com a situação, o governador afirmou que solicitará à equipe do Governo do Estado uma avaliação para verificar a possibilidade de concessão de aluguel social às famílias que vivem em áreas de risco enquanto as obras não são iniciadas. "Não queremos que essas pessoas continuem vivendo a angústia de dormir na varanda ou no quintal esperando a chuva passar. Nosso compromisso é garantir segurança para essas famílias até que a obra seja executada”.

Bruno Monteiro

O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro, destacou que a reinauguração do Teatro Dona Canô representa mais um importante investimento do Governo do Estado na valorização da cultura baiana e na preservação do patrimônio histórico de Santo Amaro. Segundo ele, a reabertura do equipamento é resultado da determinação do governador Jerônimo Rodrigues em fortalecer as políticas públicas para o setor cultural.

Bruno ressaltou que o Teatro Dona Canô, que leva o nome da matriarca da família Veloso, é um dos principais símbolos culturais do Recôncavo Baiano e possui importância que ultrapassa os limites de Santo Amaro. Para o secretário, a produção artística do município alcança reconhecimento internacional, tornando essencial a existência de espaços capazes de acolher e incentivar manifestações culturais. "O que é produzido em Santo Amaro do ponto de vista cultural ecoa no mundo. A cultura precisa desses espaços, desses templos onde tudo flui, circula e onde as pessoas podem se encantar, se reconhecer e se realizar por meio da arte", afirmou.

Foto: Boca de Forno News

O secretário lembrou que o teatro permaneceu fechado durante seis anos e enfrentava um avançado processo de degradação. Segundo ele, a obra realizada pelo Governo da Bahia foi uma restauração completa, devolvendo ao equipamento condições adequadas para receber artistas, espetáculos e atividades culturais. "Assumimos o compromisso de fazer um restauro de verdade, e não apenas uma intervenção paliativa, garantindo condições dignas para que a cultura santamarense e do Recôncavo possam viver uma nova era de realizações", destacou.

Durante a entrevista, Bruno Monteiro também chamou atenção para a necessidade de recuperação da Casa do Samba, localizada ao lado do teatro. Segundo ele, os dois equipamentos estão diretamente ligados, inclusive do ponto de vista estrutural.

De acordo com o secretário, boa parte da deterioração sofrida pelo Teatro Dona Canô teve origem no abandono da Casa do Samba, já que a infestação de cupins se espalhou de um prédio para o outro. "Não adianta tratar de um lado e deixar o outro sem intervenção", observou.

Ele informou que a restauração da Casa do Samba é de responsabilidade do Governo Federal e já possui projeto financiado por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bruno afirmou que a Secretaria de Cultura acompanhará de perto o andamento do projeto para que a obra saia efetivamente do papel. "A nossa expectativa é que esse quadrilátero se transforme em um verdadeiro espaço da cultura, das artes e da transformação de vidas que a arte proporciona", afirmou.

O secretário também destacou a programação preparada para marcar a reinauguração do Teatro Dona Canô. Entre as atrações estiveram a cantora Carol Soares, J. Veloso, Valmar Paim e a previsão de apresentação do cantor e compositor Roberto Mendes, reforçando o compromisso de celebrar a reabertura com artistas de diferentes gerações.

Segundo Bruno Monteiro, a programação especial representa apenas o início de uma nova fase para o equipamento cultural. Ele ressaltou que o objetivo é fazer com que o teatro seja ocupado permanentemente pelos artistas, produtores culturais e fazedores de cultura de Santo Amaro e de todo o Recôncavo Baiano. "O Teatro Dona Canô voltou em grande estilo, mas não se encerra por aí. Queremos que toda a produção local ocupe esse espaço, realize seus projetos e desenvolva suas pautas culturais", disse.

Para o secretário, embora um teatro seja formado por sua estrutura física, são as pessoas que dão vida ao equipamento. "Um espaço como esse é feito de paredes, telhado e poltronas, mas isso não faz a cultura acontecer. O que faz a cultura acontecer é gente, é vida. E é isso que queremos ver aqui: um teatro pulsando como espaço da vida cultural deste território", concluiu Bruno Monteiro, reafirmando o compromisso do Governo da Bahia em continuar investindo na riqueza cultural de Santo Amaro.

Diretor do Teatro

O novo diretor do Teatro Dona Canô, Gledison Muniz, conhecido como Gueguel, afirmou que assumir a gestão do equipamento representa um dos maiores desafios de sua trajetória na área cultural. Segundo ele, a reabertura do teatro, que permaneceu fechado por seis anos e passou por uma ampla restauração, marca o início de uma nova fase para a cultura de Santo Amaro.

Gueguel destacou que a responsabilidade de administrar um espaço que leva o nome de Dona Canô, matriarca da família Veloso e um dos maiores símbolos culturais do município, é motivo de orgulho e também de grande compromisso. Apesar do desafio, ele garantiu que pretende conduzir o trabalho com o apoio da comunidade santamarense. "É um grande desafio, porque foram seis anos com esse espaço cultural fechado, mas esse desafio foi confiado a mim e vou levá-lo adiante com a ajuda de toda a comunidade de Santo Amaro", afirmou.

Foto: Boca de Forno News

O diretor ressaltou que o Teatro Dona Canô será um espaço aberto à população, destinado não apenas aos artistas locais, mas também a toda a comunidade do Recôncavo Baiano. Segundo ele, o objetivo é transformar o equipamento em um ambiente acessível para atividades culturais, educativas e sociais. "Não tenham dúvidas de que o Teatro Dona Canô está de portas abertas para toda a comunidade santamarense e para todo o Recôncavo Baiano. Quem precisar desse espaço será bem recebido", disse.

Entre as novidades anunciadas por Gueguel está a implantação do projeto Cine Teatro, que permitirá a realização de sessões de cinema utilizando os equipamentos já instalados no espaço. A iniciativa pretende ampliar o acesso da população à sétima arte, especialmente para crianças e famílias que nunca tiveram a oportunidade de frequentar uma sala de cinema. "Tem criança e famílias que nunca foram ao cinema. Vamos utilizar nossos equipamentos para proporcionar essa experiência, exibindo filmes brasileiros e também produções voltadas ao público infantil. Será muito importante para a cultura e para os artistas", destacou.

O diretor também aproveitou a ocasião para agradecer às pessoas que contribuíram para a recuperação do equipamento. Ele fez um reconhecimento especial à vereadora Luana Carvalho, ao líder político Ricardo Machado, ao secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, ao governador Jerônimo Rodrigues e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ao falar sobre a importância cultural do município, Gueguel lembrou que Santo Amaro reúne três importantes equipamentos culturais: o Teatro Caetano Veloso, localizado em Oliveira dos Campinhos; o Teatro Jorge Portugal; e o Teatro Dona Canô, que completa 26 anos de existência.

Para ele, poucas cidades possuem uma estrutura semelhante, reflexo da riqueza artística e cultural do município. "Só Santo Amaro tem três teatros. Isso demonstra o enorme potencial cultural da cidade, um verdadeiro polo de cultura, repleto de artistas e de uma riqueza cultural extraordinária", afirmou.

Emocionado, Gledison Muniz disse que nunca havia vivido um momento tão marcante em sua trajetória quanto participar da reabertura do Teatro Dona Canô. Ele recordou ainda os ensinamentos recebidos de Rodrigo Veloso, ex-secretário municipal de Cultura, e de Moisés Neto, que, segundo ele, contribuíram para sua formação como gestor cultural. "Aprendi muito com Rodrigo Veloso e com Moisés sobre fazer cultura. Esse é o meu ofício: trabalhar para fortalecer a cultura de Santo Amaro", declarou.

Ao encerrar a entrevista, o diretor voltou a reforçar que o Teatro Dona Canô inicia uma nova etapa de funcionamento com o compromisso de acolher artistas, produtores culturais e a população em geral. "O Teatro Dona Canô reabriu e está de portas abertas para todos e todas de Santo Amaro e de todo o Recôncavo Baiano".

Ex-secretário de Cultura de Santo Amaro

O ex-secretário de Cultura de Santo Amaro e atual assessor da Secretaria de Cultura da Bahia, Moisés Neto, comemorou a reinauguração do Teatro Dona Canô e relembrou que a restauração do equipamento foi uma reivindicação iniciada ainda durante sua gestão à frente da pasta municipal. Segundo ele, a recuperação do espaço nasceu de um diálogo entre a Prefeitura de Santo Amaro e o Governo da Bahia, quando Alessandra Gomes era prefeita do município.

Moisés recordou que, na época, apresentou ao secretário estadual de Cultura, Bruno Monteiro, as condições em que o teatro se encontrava, reforçando a necessidade urgente de uma intervenção para preservar um dos mais importantes patrimônios culturais da cidade. "É uma grande satisfação e uma grande alegria acompanhar essa entrega. Essa foi uma demanda nossa ao Governo do Estado. Quando eu era secretário, juntamente com a prefeita Alessandra Gomes, mostramos ao secretário Bruno Monteiro a situação do teatro e a importância de recuperá-lo", afirmou.

Para Moisés Neto, o Teatro Dona Canô representa muito mais do que um equipamento cultural. Ele definiu o espaço como um verdadeiro templo da cultura brasileira, destacando que Santo Amaro é reconhecida como um dos principais berços da produção artística do país.

Segundo ele, a cidade revelou grandes nomes da cultura nacional, como Assis Valente, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Jorge Portugal e Roberto Mendes, entre tantos outros artistas que projetaram o nome do município para o Brasil e o mundo. "Aqui é o berço da cultura do Brasil. Tudo surgiu em Santo Amaro. Essa água de Santo Amaro é diferenciada", ressaltou.

O ex-secretário também demonstrou confiança na nova gestão do teatro, elogiando a escolha de Gledison Muniz (Gueguel) para a direção do equipamento. Amigo pessoal de longa data, Moisés afirmou conhecer sua dedicação à cultura e acredita que o espaço viverá uma nova fase de intensa programação cultural, educacional e social. "Tenho total convicção de que o teatro está em excelentes mãos. Gueguel não vai medir esforços para manter esse espaço sempre movimentado, promovendo ações culturais, educacionais e sociais. É um equipamento da comunidade e será muito bem administrado", destacou.

Durante a entrevista, Moisés fez questão de prestar uma homenagem especial à ex-diretora Virgínia Monteiro, responsável por cuidar do Teatro Dona Canô durante mais de duas décadas. Emocionado, ele relembrou que Virgínia foi sua professora e uma das pessoas que despertaram seu interesse pela cultura. "Tenho memórias afetivas daqui. Virgínia sempre incentivava as pessoas a consumirem a cultura da cidade. Foi através do Teatro Dona Canô que despertei para essa área", afirmou.

Segundo Moisés, a dedicação da ex-diretora foi determinante para a preservação do equipamento ao longo dos anos. Ele lembrou que Virgínia zelou pelo teatro de forma exemplar até sua aposentadoria e revelou que, inclusive, a escolha do nome "Teatro Dona Canô" ocorreu por indicação dela, atendendo a um desejo da própria Dona Canô. "Ela cuidou deste patrimônio de maneira sensacional. O teatro permaneceu conservado durante muito tempo graças ao seu trabalho. Espero que Gueguel siga esse exemplo. Os ciclos se encerram, outros começam, mas Virgínia faz parte da história deste teatro", declarou.

Moisés informou ainda que, embora não tenha participado da cerimônia de reinauguração, Virgínia já manifestou o desejo de visitar novamente o equipamento para conhecer o resultado, segundo ele, sempre esperou ver concretizado.

Ao final da entrevista, Moisés Neto também aproveitou para agradecer ao jornalista Giliard pelo trabalho desenvolvido em prol de Santo Amaro. Ele disse ter se emocionado ao assistir a uma homenagem prestada ao comunicador durante a entrega do título de cidadão santamarense a Lancaster, em 14 de junho.

"Quero parabenizá-lo pela sua trajetória. Você é um iluminado, um vencedor e um grande amigo. Continue esse trabalho, porque você ainda tem muito a oferecer à nossa cidade, que também tem muito a usufruir da sua competência, inteligência e comprometimento com a profissão e com Santo Amaro".

Artistas santamarenses

O cantor e compositor santamarense Roberto Mendes recebeu com entusiasmo a reinauguração do Teatro Dona Canô e afirmou que, antes de falar como artista, prefere se colocar como cidadão de Santo Amaro. Para ele, a reabertura do equipamento representa um sinal de esperança para o município e demonstra que a cidade continua avançando na valorização da sua cultura. "Fico feliz. Antes de tudo, aqui eu sou cidadão. Como cidadão, fico muito feliz em ver que Santo Amaro tem jeito. Tudo o que vem para Santo Amaro merece, tudo de bom para a Bahia e para o Brasil", afirmou.

Apesar da satisfação com a entrega do teatro, Roberto Mendes ressaltou que o desafio agora será garantir o funcionamento permanente do espaço. Segundo ele, mais importante do que restaurar o prédio é assegurar uma gestão eficiente, capaz de manter o equipamento ativo e integrado à comunidade.

O artista defendeu uma atuação conjunta entre município, Governo do Estado e universidades para que o teatro tenha programação contínua e cumpra seu papel como centro de formação e difusão cultural. "O importante agora é pensar em como cuidar desse teatro, saber quem vai administrá-lo para que não fique sem funcionamento e sem cumprir sua função", destacou.

Durante a entrevista, Roberto também comentou sobre a situação da Casa do Samba, localizada ao lado do Teatro Dona Canô. Para ele, além da recuperação física do imóvel, é fundamental redefinir sua missão institucional.

Na avaliação do compositor, o samba já está presente naturalmente na cultura popular brasileira, mas a Casa do Samba poderia assumir um papel ainda mais relevante na preservação da memória dos compositores e na proteção jurídica das obras de domínio público.

Segundo ele, o equipamento poderia atuar no registro desse patrimônio imaterial, acompanhando questões relacionadas aos direitos autorais e à arrecadação de recursos, contribuindo para a valorização dos compositores e para a manutenção do próprio espaço.

Roberto alertou que apenas restaurar o prédio não será suficiente para garantir sua preservação. "Se recuperar e não tiver gestão, vai acabar de novo. Não basta restaurar ou reformar. É preciso ter pessoas com visão do que significa um empreendimento como esse", afirmou.

Ao comentar os 26 anos de existência do Teatro Dona Canô, o cantor destacou a importância simbólica do equipamento para a cidade. Segundo ele, ter um teatro que leva o nome de Dona Canô representa um dos maiores patrimônios culturais de Santo Amaro. "É um grande ganho para a cidade. Dona Canô fez muito por Santo Amaro durante a vida e continua fazendo por meio desse legado", ressaltou.

Durante a conversa, Roberto Mendes também falou sobre a relação entre sua trajetória artística e o município. Ao ser lembrado pelas frequentes homenagens recebidas de outros artistas, como Xangai, ele fez questão de dizer que, na verdade, essas referências são uma forma de enaltecer Santo Amaro. "Quando falam de mim, estão falando de Santo Amaro. Tudo o que fiz foi por Santo Amaro", declarou.

O compositor contou ainda que, embora viaje para apresentações em diferentes lugares, considera que seu verdadeiro palco continua sendo a própria cidade. "Meu canto é de rua. Quero voltar sempre para tocar aqui. A maneira de estar vivo é vir a Santo Amaro e andar na feira."

Frequentador assíduo da feira livre do município, Roberto afirmou que o cotidiano das ruas inspira diretamente sua produção artística. "A feira é o meu palco. Minha música é um produto da feira", concluiu, reforçando sua ligação afetiva com Santo Amaro e com as manifestações culturais populares que marcaram sua trajetória.

Já a cantora santamarense Carol Soares definiu a reinauguração do Teatro Dona Canô como um momento de grande emoção para os artistas da cidade. Segundo ela, a reabertura do equipamento representa o retorno de um espaço que sempre fez parte da história cultural de Santo Amaro e que, durante seis anos, esteve fechado para a população. "É felicidade pura. A gente que é daqui de Santo Amaro fica muito feliz com esse retorno. Temos a nossa casa de volta. A gente gosta de fazer arte na nossa casa e estávamos sem esse espaço", afirmou.

Carol lembrou que o teatro faz parte de sua trajetória artística. Ao longo dos anos, ela se apresentou no palco como cantora, participou de desfiles e de outras atividades culturais realizadas no local. Para a artista, voltar a se apresentar no espaço restaurado tem um significado especial, sobretudo por poder compartilhar sua arte com o público da própria cidade. "Muito melhor do que viajar o mundo ou estar em outros estados é poder fazer arte para os nossos. Isso é maravilhoso", destacou.

A cantora também falou sobre a emoção de ter sido a primeira artista a subir ao palco do Teatro Dona Canô após a reinauguração. Ela recordou o show realizado em 2017, quando apresentou o espetáculo Doce Fofo, acompanhado de seus músicos e do produtor Everaldo Moraes.

Segundo Carol, aquele espetáculo marcou sua carreira ao lotar completamente o teatro, exigindo inclusive a colocação de cadeiras extras para acomodar o público. "Foi uma experiência muito importante porque revivi um momento incrível da minha vida. Acho que fomos o único artista que conseguiu lotar completamente essa casa. Reencontrar esse palco foi reviver uma lembrança muito especial", relembrou.

Durante a entrevista, Carol Soares também destacou a fala do governador Jerônimo Rodrigues, que afirmou que o Teatro Dona Canô será um espaço voltado exclusivamente à cultura, sem distinções político-partidárias.

Para a artista, esse posicionamento é fundamental para fortalecer a produção cultural de Santo Amaro, município que considera um dos maiores celeiros de artistas da Bahia. "Onde existe cultura não deve existir divisão partidária. Foi muito importante ouvir isso e espero que seja levado realmente à risca", afirmou.

Carol ressaltou ainda que Santo Amaro reúne um grande número de artistas que mantêm uma relação de união e colaboração, e defendeu que o Teatro Dona Canô se consolide como um espaço de encontro e fortalecimento dessa comunidade cultural. "Santo Amaro tem muitos artistas e somos muito unidos. Espero que esse teatro seja a casa dessa união, porque somente com união tudo será ainda mais bonito", concluiu a cantora.

Com informações do repórter Gilliard José

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