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Ambulantes denunciam pressão para deixar locais privados durante vendas do Dia dos Namorados em Feira de Santana

Comerciantes afirmam que receberam ordem para desmontar barracas mesmo após transferência para áreas particulares cedidas por empresários da Avenida Getúlio Vargas.

12/06/2026 12h58
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Boca de Forno News
Foto: Boca de Forno News

O que deveria ser um dia de expectativa por boas vendas e aumento da renda acabou se transformando em um momento de tensão para vendedores ambulantes que comercializam flores e presentes para o Dia dos Namorados em Feira de Santana. Trabalhadores instalados na Avenida Getúlio Vargas denunciam que estão sendo pressionados a deixar os locais onde atuam, mesmo após terem transferido suas barracas para áreas privadas cedidas por comerciantes da região.

A preocupação dos ambulantes é de que mercadorias sejam apreendidas pela fiscalização municipal justamente na data considerada uma das mais importantes do ano para o segmento. Segundo eles, a situação tem provocado insegurança e dificultado o atendimento aos clientes.

O comerciante Anderson Oliveira explicou que os vendedores foram informados na última segunda-feira (9) de que não poderiam mais permanecer em uma área pública localizada nas proximidades do viaduto da Avenida Getúlio Vargas, onde tradicionalmente montavam suas estruturas durante períodos comemorativos.

De acordo com ele, a justificativa apresentada foi de que a presença das barracas estaria causando transtornos ao trânsito da região. No entanto, os ambulantes alegam que não receberam qualquer notificação formal por escrito. “Recebemos apenas uma informação verbal. Para mim, uma notificação precisa ser feita por escrito. Não chegou nenhum documento oficial determinando a saída do local”, afirmou.

Diante da orientação recebida, os comerciantes decidiram buscar uma alternativa para continuar trabalhando de forma regular. Segundo Anderson, empresários da região se sensibilizaram com a situação e disponibilizaram espaços particulares, como estacionamentos e áreas internas dos estabelecimentos, para que as barracas fossem transferidas. “Nós procuramos os comerciantes da vizinhança e alguns cederam seus espaços privados. Fizemos exatamente o que foi solicitado. Saímos da área pública e montamos as barracas dentro de propriedades particulares para evitar qualquer problema com a Prefeitura”, explicou.

Apesar da mudança, os ambulantes afirmam que foram surpreendidos nesta quinta-feira (12), Dia dos Namorados, com a visita de fiscais municipais. Conforme o relato de Anderson, os servidores informaram que havia uma determinação para que as barracas fossem desmontadas, mesmo estando em áreas privadas. “Recebemos a informação de que havia uma ordem da Secretaria para desmontarmos nossas estruturas e deixarmos o local. Foi dito que, caso isso não acontecesse, uma equipe com um veículo maior poderia vir para recolher e apreender os produtos”, declarou.

Segundo o comerciante, os fiscais mantiveram uma postura respeitosa durante a abordagem, mas a situação deixou os trabalhadores ainda mais preocupados. “Os fiscais foram educados conosco. Em nenhum momento houve desrespeito. O problema é a situação em si. Ficamos sem saber o que fazer, porque estamos em um local privado e mesmo assim existe essa ameaça de apreensão”, relatou.

A apreensão é ainda maior porque a data representa uma oportunidade importante para reforçar a renda familiar. Muitos vendedores investiram recursos próprios na compra de flores, embalagens e outros produtos específicos para o Dia dos Namorados. “Somos pais e mães de família. Fizemos investimentos, compramos mercadorias e contamos com essas vendas para complementar a renda. A gente tirou dinheiro de onde muitas vezes não podia para tentar garantir um ganho extra”, disse.

Anderson afirma que a incerteza tem prejudicado inclusive o relacionamento com os consumidores. “Nós estamos aqui trabalhando, mas não consegue ficar tranquilo. Às vezes estamos atendendo um cliente e olhando para todos os lados, preocupados. Perdemos a concentração e isso afeta até o atendimento”, afirmou.

De acordo com o comerciante, a comercialização temporária de flores em datas comemorativas é uma atividade realizada há muitos anos em Feira de Santana. Ele conta que trabalha no segmento há oito anos e que há colegas com mais de 15 anos de atuação. “Eu faço esse trabalho há oito anos. Tem pessoas aqui com dez, quinze e até dezessete anos vendendo flores nesses períodos. Sempre foi algo temporário, apenas em datas específicas como o Dia das Mães e o Dia dos Namorados”, explicou.

Os vendedores ressaltam que a atividade ocorre por poucos dias ao longo do ano e que, após o encerramento das datas comemorativas, as barracas são desmontadas. “Nosso trabalho termina hoje. Passou o Dia dos Namorados, acabou. O que a gente vendeu, vendeu. O que não vender, infelizmente fica no prejuízo”, destacou Anderson.

Ainda segundo os ambulantes, representantes do grupo tentaram buscar esclarecimentos junto à administração municipal. Alguns chegaram a se dirigir à secretaria responsável para solicitar uma reunião e apresentar a situação, mas alegam que não conseguiram obter uma resposta definitiva. “Nós tentamos conversar, procuramos contato, fomos atrás de informações, mas até agora não tivemos uma solução. O que queremos é apenas trabalhar e concluir esse período de vendas”, afirmou.

Mesmo diante da incerteza, os comerciantes seguem esperançosos de que haja uma solução que permita a permanência das barracas até o encerramento das atividades relacionadas ao Dia dos Namorados. “Eperamos que tudo seja resolvido da melhor forma possível. Não queremos confronto, não queremos discussão. Apenas queremos trabalhar e vender nossos produtos até o fim do dia”, concluiu.

A reportagem também procurou a Prefeitura de Feira de Santana e a secretaria responsável pela fiscalização para obter esclarecimentos sobre a situação relatada pelos ambulantes. O espaço permanece aberto para manifestação do órgão municipal.

Com informações do repórter Onildo Rodrigues

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