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Feira de Santana Agricultura familiar

Produção reduzida e falta de chuva preocupam agricultores às vésperas do São João em Feira de Santana

Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais alerta para risco de aumento no preço do milho e amendoim, dificuldades no plantio e insegurança na zona rural.

14/05/2026 11h11
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Adriana Lima - Foto: Boca de Forno News
Adriana Lima - Foto: Boca de Forno News

A proximidade dos festejos juninos em Feira de Santana já acende um sinal de alerta entre agricultores da zona rural do município. Em entrevista ao site Boca de Forno News, a presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Feira de Santana, Adriana Lima, revelou preocupação com a baixa produção agrícola causada pela escassez de chuvas em diversos distritos rurais, o que pode impactar diretamente o abastecimento e o preço de produtos tradicionais do São João, como milho e amendoim.

Segundo Adriana, os feirenses até deverão encontrar milho assado e amendoim durante os festejos, porém boa parte dos produtos deverá vir de outros municípios, já que a produção local segue pequena e comprometida pelas condições climáticas “Feira de Santana vai consumir, sim, mas muito através de outros municípios. A produção daqui é muito pequena. Estamos vivendo o período do inverno, mas a chuva ainda não chegou de forma intensa no meio rural”, afirmou.

A sindicalista destacou que muitas localidades sequer conseguiram iniciar o preparo da terra para o plantio por conta da ausência de chuvas suficientes. Ela explicou que, em algumas regiões, nem mesmo as máquinas conseguem entrar nas propriedades para realizar a aração do solo por esse motivo. “Tem comunidades que nem sequer conseguiram arar a terra pela ausência de chuva. Isso traz uma grande preocupação para nós enquanto agricultores. Porque se o campo não planta, a cidade não janta”, declarou.

Mesmo após o anúncio da distribuição de sementes pela Secretaria de Agricultura do município, Adriana afirmou que muitos agricultores ainda não conseguiram plantar. No distrito de Jaguara, por exemplo, localidades como Cascalheira e Sítio do Meio seguem enfrentando dificuldades.“Ainda tem muita localidade que não conseguiu plantar diante da ausência de chuva. Para acontecer a aração, precisa de uma quantidade de chuva que dê condição para a máquina passar”, explicou.

A presidente do sindicato alertou ainda que o cenário já projeta consequências econômicas para 2026, especialmente para os trabalhadores do campo e consumidores.“Um dos impactos que a gente acredita é o produto ficar muito caro, dificultando o acesso das pessoas por causa da condição financeira. Quando a agricultura não produz no próprio município, isso traz uma série de consequências para toda a economia”, disse.

Entre os distritos que apresentam situação mais favorável, Adriana citou Humildes, onde as chuvas têm sido mais intensas devido à proximidade com a região do Recôncavo Baiano. Já localidades como Bonfim de Feira e Ipuaçu ainda enfrentam irregularidade nas precipitações. “No distrito de Humildes a chuva é mais intensa. Já em Bonfim de Feira o plantio está acontecendo mais na fé, porque a chuva não chega constante. Em Ipuaçu, muitas pessoas ainda não conseguiram realizar o plantio”, relatou.

Ela ressaltou que, apesar de algumas chuvas terem sido registradas em Feira de Santana nos últimos dias, o volume ainda é insuficiente para garantir uma boa safra.“Chegou uma garoa, mas garoa não molha a terra como deveria. A gente espera uma chuva de inverno com frequência, e isso não tem acontecido”, lamentou.

Insegurança 

Além das dificuldades enfrentadas na agricultura, Adriana Lima também comentou sobre a sensação de insegurança vivida pelos moradores da zona rural. Segundo ela, o crescimento urbano e o avanço de loteamentos têm alterado a tranquilidade das comunidades rurais. “Hoje a gente vive momentos de constrangimento. A urbanização vem chegando intensa, e muitas vezes a paz tem sido perdida na zona rural. As pessoas vivem com medo diante dos dias que estamos enfrentando”, afirmou.

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