
Festa do Bembé do Mercado reúne membros de 44 terreiros no recôncavo da Bahia — Foto: Georgenes Sampaio
O tradicional Bembé do Mercado completa 137 anos em 2026 e segue movimentando a cidade de Santo Amaro da Purificação até o próximo domingo (17), com uma extensa programação de atos religiosos, manifestações culturais e celebrações da ancestralidade negra. Reconhecido como o maior candomblé de rua do mundo, o evento reúne milhares de pessoas no Recôncavo Baiano em torno da fé, da resistência e da valorização das religiões de matriz africana.
A celebração teve início na madrugada desta quarta-feira (13), com alvorada, hasteamento da bandeira e lavagem do busto de João de Obá, figura histórica responsável pela criação do Bembé em 1889, apenas um ano após a assinatura da Lei Áurea. Já na tarde desta quarta, acontece a cerimônia civil de abertura oficial, seguida do xirê em homenagem a Xangô, marcado para a noite.
O Bembé do Mercado nasceu em um contexto de forte repressão às manifestações culturais e religiosas da população negra. Mesmo após a abolição da escravidão, os cultos afro-brasileiros continuavam sendo alvo de censura e dependiam de autorização das autoridades para acontecer. Em 13 de maio de 1889, porém, filhos e filhas de santo liderados por João de Obá ocuparam a Ponte do Xaréu, em Santo Amaro, para celebrar a liberdade recém-conquistada pelos africanos escravizados.
Desde então, a rua, o mercado e o mar passaram a simbolizar territórios de resistência, fé e afirmação cultural negra. A manifestação atravessou gerações e se consolidou como uma das mais importantes expressões religiosas e culturais do país.
Em reconhecimento à sua relevância histórica, o Bembé recebeu o título de Patrimônio Imaterial da Bahia em 2012, concedido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). Em 2019, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu oficialmente a celebração como Patrimônio Cultural do Brasil.
Neste ano, o Bembé do Mercado também ganhou projeção nacional ao inspirar o enredo da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis no Carnaval do Rio de Janeiro. A agremiação levou para a Marquês de Sapucaí o enredo “Bembé”, exaltando a força da cultura afro-brasileira e da religiosidade do Recôncavo Baiano, conquistando o segundo lugar no Grupo Especial, com diferença de apenas um décimo para a campeã.
A edição deste ano também conta com a presença da ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello, que participa da solenidade de abertura civil nesta quarta-feira. A participação do Governo Federal reforça o compromisso institucional com o combate ao racismo, à intolerância religiosa e à preservação das tradições afro-brasileiras.
Além dos rituais religiosos, a programação do Bembé segue até domingo com diversos momentos simbólicos, como o Ebô para Oxalá, o xirê principal e a tradicional entrega dos presentes de Oxum e Iemanjá na Praia de Itapema.
Homenagens do maior candomblé a céu aberto do mundo são iniciadas na Bahia — Foto: Reprodução/TV Bahia
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