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Polícia DNA

Ex-diretora que facilitou fuga em presídio compartilha exame de DNA da filha e cobra político preso em operação

Joneuma Neres afirma que o pai da criança é o ex-deputado Uldurico Júnior, acusado de negociar a fuga de criminosos do Conjunto Penal de Eunápolis. Político afirma que solicitou realização do exame.

02/05/2026 08h14
Por: Karoliny Dias Fonte: g1 Bahia
Ex-diretora de presídio chegou a ser presa suspeita de facilitar fuga de 16 detentos na Bahia — Foto: Arquivo Pessoal
Ex-diretora de presídio chegou a ser presa suspeita de facilitar fuga de 16 detentos na Bahia — Foto: Arquivo Pessoal

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, que responde na Justiça por ter facilitado a fuga de 16 detentos em dezembro de 2024, voltou a falar sobre a paternidade da filha que teve enquanto estava presa. Atualmente, a criança está com 10 meses.

Joneuma Silva Neres afirma que o pai da menina é o ex-deputado federal Uldurico Júnior (PSDB), preso por envolvimento na fuga em massa.

"E mesmo com todas as provas, fotos, comprovantes, DNA, obstrução de Justiça, e mesmo preso, o genitor ainda não foi citado no processo [de paternidade], não sei por quê. Mais de um ano de ação na Vara Cível de Teixeira de Freitas, a criança não foi registrada e não recebe pensão", desabafou em publicação no Instagram, na quinta-feira (30).

Entre os documentos compartilhados nos Stories estão o termo de consentimento em que ela autoriza a coleta de seu material genético enquanto estava detida e uma conclusão do exame, apontando que Uldurico Alencar Pinto tem 99,99% de chances de ser o pai.

Em nota enviada anteriormente, a defesa de Uldurico confirmou que ele solicitou a realização de um exame judicialmente, mas disse que o procedimento não foi realizado até o momento da prisão do político, no início do mês.

De acordo com investigação do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Uldurico foi o responsável por negociar o plano de fuga dos criminosos por R$ 2 milhões. Ele nega e alega que "todas as alegações da delação são falsas, com intuito de se livrar da responsabilidade".

Na colaboração, a ex-diretora disse ao MP que facilitou a fuga a pedido do político. Os dois se relacionavam desde fevereiro de 2024, segundo ela, e foi Uldurico o responsável por indicá-la ao cargo de diretora da unidade prisional ainda em dezembro de 2023.

Joneuma Neres e Uldurico Júnior — Foto: Reprodução/Redes SociaisJoneuma Neres e Uldurico Júnior — Foto: Reprodução/Redes Sociais

Inicialmente, a investigação do MP-BA apontou que Joneuma também teria vivido um relacionamento amoroso com o traficante Ednaldo Pereira Souza, o Dada. O homem é chefe da facção Primeiro Comando de Eunápolis (PCE) e teria concordado em repassar o dinheiro a Uldurico em troca de apoio para escapar da prisão. Joneuma, no entanto, nega esse envolvimento.

"A maior mentira que inventaram sobre mim. E infelizmente eu nunca tive o benefício da dúvida. Estava grávida, presa e silenciada", lamentou na rede social.

Em entrevista exclusiva à TV Bahia, ela ressaltou que a disseminação dessa história a prejudicou muito. "Tanto que até cogitaram que minha filha fosse filha dele, e o que mais me prejudicou foi que o pai da minha filha, Uldurico, nunca se pronunciou que era o pai dela, mesmo sabendo que eu estava grávida desde outubro de 2024", criticou.

Na delação, a ex-diretora argumentou que se reunia com Dada no presídio também a pedido de Uldurico, que gostaria de obter mais recursos financeiros após ter perdido a eleição para a Prefeitura de Teixeira de Freitas.

Dada segue foragido com apoio do Comando Vermelho

Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada — Foto: Seap-BAEdnaldo Pereira Souza, conhecido como Dada — Foto: Seap-BA

O foco do plano de fuga era tirar Dada da prisão — Joneuma, inclusive, disse que o esquema previa a saída de apenas dois detentos, e não 16. Ainda assim, um ano e quatro meses depois, apenas três fugitivos foram alcançados. Dois deles morreram em confronto com a polícia e o terceiro foi recapturado.

Os demais seguem longe do radar da polícia. Na última semana, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação com apoio do MP-BA para capturar Dada, mas sem sucesso.

Embora o monitoramento feito pelo Ministério Público indicasse o paradeiro do traficante, ele conseguiu fugir antes de ser pego pelos policiais. Dada estava escondido na Rocinha, com apoio da facção Comando Vermelho, e tinha alugado uma mansão no Vidigal — comunidade vizinha — para curtir o feriadão de Tiradentes. Na fuga, deixou parentes e amigos para trás.

Veja abaixo o que dizem as defesas dos alvos

A defesa de Uldurico Júnior mantém a posição de que todas as alegações feitas pela ex-diretora são falsas. "Uldurico jamais teve conhecimento de plano algum de fuga, nem recebeu dinheiro nenhum por tal fato, o que pode ser facilmente comprovado. Tanto a defesa quanto o acusado estão colaborando com a Justiça para que a verdade prevaleça", afirmou.

O portal não conseguiu contato com a defesa de Ednaldo Pereira, o Dada.

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