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Bahia Prevenção ao HIV

Fiocruz lança estudo inédito para ampliar prevenção ao HIV entre jovens

Pesquisa testa uso da PrEP em adolescentes e população LGBTQIA+ em Salvador e São Paulo

09/04/2026 17h51
Por: Mayara Nayllanne
Foto: Canva Imagens/Divulgação
Foto: Canva Imagens/Divulgação

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia lança, nesta sexta-feira (10), em Salvador, um estudo inédito voltado à ampliação da prevenção do HIV entre adolescentes e jovens que vivem em áreas periféricas. A iniciativa busca avaliar novas estratégias de acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP), considerada uma das principais ferramentas de prevenção ao vírus.

O projeto pretende testar o uso da PrEP entre jovens de 15 a 24 anos, com foco em públicos mais vulneráveis, como homens gays, travestis e mulheres trans. O método consiste no uso de medicamentos antirretrovirais antes de uma possível exposição ao HIV, preparando o organismo para impedir a infecção.

De acordo com o pesquisador da Fiocruz Bahia e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Laio Magno, o estudo leva em consideração a diversidade de identidades dentro do grupo de homens que fazem sexo com homens, que nem sempre se identificam como gays.

A pesquisa será realizada em Salvador e São Paulo, com cerca de 1,4 mil participantes. Na capital baiana, a coordenação ficará a cargo de Laio Magno e Inês Dourado, da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Já em São Paulo, o estudo será conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP).

A iniciativa, denominada PrEP na Comunidade (COmPrEP), conta com financiamento do National Institutes of Health (NIH), além de parceria com o Ministério da Saúde, secretarias estaduais e municipais e organizações da sociedade civil.

Vulnerabilidade e acesso

O estudo surge a partir da constatação de que jovens entre 15 e 24 anos estão entre os mais vulneráveis à infecção pelo HIV, em grande parte devido às dificuldades de acesso aos serviços de saúde. Segundo Magno, o ambiente tradicional desses serviços muitas vezes não é acolhedor, especialmente para pessoas da diversidade sexual e de gênero, o que contribui para estigma e discriminação.

Dados do Ministério da Saúde indicam que apenas 0,2% dos usuários de PrEP no Brasil têm entre 15 e 19 anos, apesar de essa faixa etária apresentar altas taxas de infecção, especialmente entre homens.
Educadores da própria comunidade

Um dos diferenciais do estudo será a atuação de educadores pares, jovens das próprias comunidades, treinados para orientar e facilitar o acesso à PrEP. A proposta é comparar esse modelo comunitário com o atendimento tradicional realizado em unidades de saúde.

Os participantes serão divididos entre dois grupos: um que seguirá o modelo convencional e outro que receberá acompanhamento por meio de educadores pares, com supervisão de equipes clínicas. O monitoramento terá duração de até 12 meses e vai avaliar indicadores como início, adesão e continuidade do uso da profilaxia.

Próximas etapas

A fase piloto do estudo deve ser concluída até junho. Já o recrutamento dos participantes está previsto para começar entre setembro e outubro, em espaços de convivência identificados nas regiões centrais das duas cidades.

Os jovens interessados em participar serão selecionados e distribuídos aleatoriamente entre os grupos de pesquisa. Os resultados finais do estudo estão previstos para 2028.

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