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IBGE aponta baixa percepção de saúde entre baianos

O índice coloca o estado na segunda pior posição do país, à frente apenas do Maranhão (52,0%), e abaixo da média nacional, de 66,1%, dado que ganha relevância às vésperas do Dia Mundial da Saúde, celebrado na terça-feira (7).

06/04/2026 08h08
Por: Karoliny Dias Fonte: Tribuna da Bahia
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Na Bahia, apenas 54,2% das pessoas com 18 anos ou mais avaliavam a própria saúde como boa ou muito boa em 2019, segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS). O índice coloca o estado na segunda pior posição do país, à frente apenas do Maranhão (52,0%), e abaixo da média nacional, de 66,1%, dado que ganha relevância às vésperas do Dia Mundial da Saúde, celebrado na terça-feira (7).

Os dados do IBGE, divulgados na última semana, revelam diferenças entre homens e mulheres na percepção de saúde. Entre os adultos baianos, 59,7% dos homens avaliaram positivamente a própria condição, ante 52,0% das mulheres, que também registraram maior impacto de problemas de saúde nas atividades diárias.

Ainda em 2019, 9,5% dos adultos deixaram de realizar atividades habituais por motivos de saúde, maior proporção do país, empatada com Sergipe. Entre as mulheres, esse percentual chegou a 11,7%, enquanto entre os homens ficou em 7,0%, segundo a PNS.

A médica cardiologista Marianna Andrade avalia que os dados refletem desafios no cuidado com a saúde da população. “Vejo esses dados com muita preocupação porque refletem como estamos cuidando da nossa população e de nós mesmos. Precisamos melhorar. Por outro lado, fico feliz em saber que estamos produzindo dados de qualidade sobre a saúde da nossa população. Quando partimos de dados amplos e confiáveis, os planos de ação costumam ser mais eficientes porque conseguimos direcionar os esforços onde está mais crítico”, afirma.

Um estudo publicado este ano na Revista Brasileira de Epidemiologia, de autoria dos pesquisadores Luís Antônio TonacoI, Bárbara CarratoII, Leonardo PenaIII e Deborah Malta, aponta que Autoavaliação de Saúde (AAS) representa um importante instrumento para a análise das condições de saúde das populações e subsidia a formulação e implementação de políticas públicas de promoção da saúde. De acordo com os especialistas, “uma percepção positiva da própria saúde associa-se a bem-estar psicológico, maior adesão a tratamentos e adoção de comportamentos preventivos, resultando em melhores desfechos em saúde”.

Por outro lado, “uma autopercepção negativa está relacionada a piores prognósticos, maior consumo de substâncias e adoção de hábitos prejudiciais, ampliando os riscos à saúde”, explicam os pesquisadores. Ainda conforme os dados do IBGE, entre adolescentes, a percepção de saúde é mais positiva, mas também apresenta diferenças por sexo.

Em 2024, 65,0% dos estudantes baianos de 13 a 17 anos avaliaram a própria saúde como boa ou muito boa, índice inferior à média nacional (66,6%) e o 15º entre os estados. A diferença entre rapazes e moças é mais acentuada nessa faixa etária: enquanto 76,4% dos meninos relataram avaliação positiva, entre as meninas o percentual foi de 54,6%, de acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE).

“Embora as adolescentes demonstrem maior preocupação com a saúde e procurem mais os serviços de saúde, o que as torna mais informadas sobre os processos saúde-doença, sua AAS permanece mais negativa. Uma possível explicação é que meninas percebem mais as mudanças no corpo e reconhecem melhor riscos à saúde”, explicam os autores do artigo publicado Revista Brasileira de Epidemiologia.

Para a médica, a percepção negativa da saúde está associada a fatores clínicos e sociais. “Do ponto de vista clínico, essa percepção mais negativa da saúde costuma estar associada à presença de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, obesidade e dores persistentes, uso de polifarmácia (custos e efeitos colaterais relacionados), além de sofrimento psíquico, como ansiedade, depressão e estresse crônico. Também pesam fatores de saúde pública, como dificuldade de acesso ao cuidado, sobrecarga de trabalho e desigualdades sociais, que afetam a qualidade de vida e a forma como a pessoa percebe a própria saúde”, explica.

Como aponta o IBGE, os dados também indicam o impacto da saúde na frequência escolar. Em 2024, 59,2% dos adolescentes baianos faltaram à escola ao menos uma vez por motivos relacionados à própria saúde, sendo 61,0% entre as moças e 57,2% entre os rapazes.

Segundo Andrade, as ausências escolares podem estar relacionadas a diferentes fatores. “Sobre faltas escolares de adolescentes por motivos de saúde podem estar ligadas tanto a problemas físicos mais comuns, como viroses, crises asmáticas, dor de cabeça, dor abdominal, quanto à saúde mental, especialmente ansiedade, tristeza intensa, alterações do sono e sofrimento relacionado ao bullying. Além do desinteresse pelo estudo, falta de estrutura e perspectivas sociais. A prevenção passa por atenção básica acessível, vacinação, acompanhamento da saúde mental, orientação às famílias e escolas mais preparadas para identificar precocemente sinais de adoecimento”, afirma.

A procura por serviços de saúde é menor entre adolescentes do que entre adultos. Entre 2018 e 2019, 74,1% dos adultos na Bahia tiveram ao menos uma consulta médica, enquanto, em 2024, 53,2% dos estudantes de 13 a 17 anos buscaram atendimento de saúde.

A estudante de Ensino Médio, Ana Paula Barreto, confirma essa tendência ao revelar só ir ao médico em emergências. “Quando criança, meus pais me levavam ao médico com frequência. Mas, hoje, a coisa mudou. Vou ao médico uma vez no ano, e olhe lá! Além disso, só procuro a emergência do hospital mesmo, quando já não tem jeito”, explica. No entanto, a estudante reconhece a necessidade do acompanhamento de especialistas e avaliação periódica da saúde.

A desigualdade também aparece no tipo de escola frequentada. Entre alunos de colégios particulares, 68,2% procuraram atendimento de saúde, proporção que cai para 50,6% entre estudantes da rede pública, segundo o IBGE.

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