Santa Casa - Foto: Prefeitura Municipal de Santo Amaro da Purificação
A regulação de pacientes na rede pública de saúde tem sido alvo de críticas constantes da população de Santo Amaro da Purificação. No entanto, segundo o diretor médico da Santa Casa de Misericórdia do município, doutor Fábio de Abranches, o sistema é essencial para garantir organização, segurança e eficiência no atendimento, apesar dos desafios enfrentados.
Em entrevista à Rádio Santo Amaro FM, o médico destacou que é um defensor da regulação e explicou que o mecanismo funciona como uma ferramenta de organização do fluxo de pacientes, conectando os municípios às unidades de maior complexidade em cidades como Salvador, Feira de Santana, Teixeira de Freitas e Jequié. “A regulação organiza, direciona e permite que o paciente já saia daqui com hospital definido, com leito garantido e com todas as informações necessárias para continuidade do atendimento”, afirmou.
O diretor destaca ainda que a realidade da Santa Casa mudou significativamente nos últimos anos. Antes desacreditada pela população, a unidade hoje registra mais de 200 atendimentos diários, além da demanda da policlínica e das unidades de saúde da família. Ele atribui essa mudança à presença de profissionais capacitados e à melhoria na capacidade de diagnóstico. “Hoje atendemos casos de alta complexidade, como problemas cardiológicos e vasculares, e conseguimos identificar com mais precisão quando há necessidade de transferência”, explicou.
Fábio de Abranches - Foto: Arquivo Pessoal
Doutor Fábio explica ainda como funciona a regulação. Segundo o médico, o processo começa com o atendimento inicial do paciente. Após avaliação clínica, exames e diagnóstico, caso seja identificada a necessidade de procedimentos de alta complexidade, como tomografia, ressonância magnética ou atendimento especializado, o caso é inserido no sistema da Central Estadual de Regulação.
Nesse sistema, médicos do estado analisam as informações enviadas pela equipe local, incluindo histórico clínico, sinais vitais e exames, e definem o encaminhamento adequado. “O médico aqui passa a ser os olhos do profissional que está na central. Hoje conseguimos anexar exames e até imagens, o que melhora muito a análise e evita que o paciente fique peregrinando de hospital em hospital, como acontecia antes”, destacou.
O diretor salienta qual é principal problema da regulação. Apesar da importância do sistema, o maior desafio apontado pelo diretor é a escassez de vagas para exames e leitos, especialmente de alta complexidade e UTIs. “O problema não é a regulação. O problema é a falta de oferta. A população cresceu, as demandas aumentaram, mas o número de leitos, tomógrafos e equipamentos praticamente não acompanhou esse crescimento”, afirmou.
Segundo ele, essa limitação gera demora no atendimento e, consequentemente, insatisfação da população. “Eu entendo a angústia das pessoas, mas é preciso compreender que a regulação é uma ferramenta que ajuda. Sem ela, seria muito pior”, pontuou.
Município depende do Estado
Outro ponto destacado foi a dependência do município em relação ao Estado para atendimentos de maior complexidade. A Santa Casa não possui leitos de UTI e conta apenas com cerca de dez leitos de enfermaria, incluindo atendimento pediátrico “Quando precisamos de UTI, obstetrícia especializada ou cirurgia vascular, por exemplo, dependemos de Salvador. O município não tem essa estrutura”, explicou.
O diretor também criticou o enquadramento de Santo Amaro como município de “saúde plena”, modelo em que a gestão local assume maior responsabilidade sobre os serviços de saúde. Para ele, essa classificação trouxe prejuízos. “Quando se diz que o município é saúde plena, entende-se que ele tem condições de se manter sozinho, o que não é a realidade. Isso reduz o suporte do Estado e acaba sobrecarregando o sistema local”, avaliou.
Por fim, o médico reforçou que é necessário ampliar o entendimento da população sobre o funcionamento da regulação e evitar a disseminação de informações equivocadas. “As pessoas acabam criticando sem conhecer o processo. A regulação não é inimiga, ela é uma ferramenta essencial. O que precisamos é ampliar a oferta de serviços para dar mais agilidade às respostas”, concluiu.
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