A troca de advogados do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, repercute intensamente em Brasília: pode escalar ainda mais o escândalo, que envolve o sistema financeiro, autoridades públicas e o próprio Supremo Tribunal Federal (STF). O empresário passou a considerar a hipótese de uma delação premiada, sobretudo após a formação de maioria no STF para manter sua prisão, e isso deixou seus parceiros à beira de um ataque de nervos. Se isso ocorrer, atingirá o coração da República.
A trajetória de Vorcaro lembra o mito grego de Pegasus, o cavalo alado nascido do sangue da Medusa quando ela foi decapitada por Perseu. Domado pelo herói Belerofonte, tornou-se instrumento de feitos extraordinários, como a derrota da Quimera. Embriagado por suas conquistas, Belerofonte tentou voar até o Olimpo montado em Pegasus para se igualar aos deuses. Zeus, irritado com tamanha arrogância, derrubou o herói do céu. O cavalo continuou sua ascensão; o homem, castigado pela ambição desmedida, caiu à terra. O mito tornou-se símbolo clássico da hybris, a arrogância que precede a queda.
A trajetória empresarial de Vorcaro seguiu essa lógica. Em poucos anos, o Banco Master ganhou grande visibilidade, expandiu operações financeiras e seu peso no mercado aumentou exponencialmente, em meio a operações financeiras fraudulentas, relações políticas e regulatórias duvidosas, que agora estão sob investigação.
A manutenção da prisão do banqueiro e a troca de defesa indicam que Vorcaro ainda tenta um pouso de emergência antes de se estatelar no solo. Se optar pela delação premiada, poderá revelar conexões entre empresários, autoridades e operadores do sistema financeiro que prometem provocar um strike político. Por si só, essa ameaça mexe as peças do tabuleiro político.
A eventual delação ocorreria num momento delicado para o próprio sistema institucional brasileiro. Parte das investigações do caso Master envolve o ambiente político e judicial em torno do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente o papel do ministro Alexandre de Moraes, que no próximo ano deverá assumir a presidência da Corte. Moraes tornou-se uma figura central na política brasileira. Como relator do inquérito das fake news – conhecido como “inquérito do fim do mundo” – e de diversas investigações ligadas ao bolsonarismo, concentrou poderes excepcionais no combate a ameaças contra as instituições democráticas.
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