Bancários de Feira de Santana realizaram, nesta terça-feira (17), uma manifestação em frente às agências do Bradesco e do Itaú localizadas na rua Conselheiro Franco, no Centro da cidade. O ato integra o Dia Nacional de Luta contra demissões e o fechamento de agências promovido em diversas cidades do país. As manifestações aconteceram em todo o Brasil e foram convocadas pelos trabalhadores do ramo financeiro.
A mobilização, aqui em Feira de Santana, foi organizada pelo Sindicato dos Bancários e chamou atenção para o impacto das demissões, da redução de funcionários e do encerramento de unidades bancárias, situação que, segundo a categoria, tem prejudicado tanto os trabalhadores quanto os clientes.
De acordo com o diretor de Comunicação do sindicato, Edmilson Cerqueira, os bancos privados têm apresentado lucros elevados, mas seguem reduzindo a estrutura de atendimento. Ele cita que apenas em 2025 o Itaú registrou lucro de cerca de R$ 46,8 bilhões, enquanto o Bradesco ultrapassou R$ 26 bilhões. Só esses dois bancos juntos tem um lucro de quase R$ 70 bilhões. “Mesmo com lucros tão altos, os bancos continuam fechando agências e demitindo funcionários. Isso acaba reduzindo o atendimento presencial e sobrecarregando quem permanece trabalhando nas unidades”, afirmou.
Segundo o sindicalista, em Feira de Santana algumas agências já foram encerradas nos últimos anos, incluindo unidades do Itaú na Avenida Presidente Dutra, Centro de Abastecimento, na Rua Conselheiro Franco e na Avenida Maria Quitéria. "Os bancos tem milhares de clientes e vem fechando agências, demitindo funcionários e restringindo o atendimento presencial que é previsto por lei", disse.
Edmilson também destacou que os funcionários enfrentam pressão constante para cumprimento de metas, situação que, segundo ele, tem provocado adoecimento na categoria. “Os bancários são cobrados diariamente por metas muitas vezes abusivas. Isso gera assédio e problemas de saúde, como ansiedade, síndrome do pânico e necessidade de uso de medicamentos controlados”, disse.
O sindicato também critica a substituição do atendimento presencial por serviços digitais e autoatendimento. Conforme o dirigente, essa mudança dificulta o acesso de parte da população aos serviços bancários, principalmente idosos e pessoas que não têm familiaridade com aplicativos.
Outro ponto levantado durante o protesto foi o tempo de espera nas filas. De acordo com o sindicato, existe legislação que determina limite de até 15 minutos para atendimento, mas a regra nem sempre é cumprida. Alguns clientes também são impedidos de entrarem nas agências".
O representante da categoria orienta que clientes que se sentirem prejudicados procurem órgãos de defesa do consumidor ou acionem a Justiça para garantir seus direitos. “Os funcionários não têm culpa das decisões dos bancos, mas a população precisa exigir o cumprimento da lei. Se houver demora no atendimento ou se o cliente for impedido de entrar na agência, é importante registrar reclamação”, concluiu.
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