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Brasil Dia da Mulher

Ex-delegada destaca avanços da Lei Maria da Penha e reforça importância da denúncia de casos de violência

Martine Veloso lembra início das ações de conscientização em Feira de Santana e afirma que combate à violência contra a mulher ainda exige mudança cultural.

07/03/2026 09h16
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Martine Veloso - Foto: Boca de Forno News
Martine Veloso - Foto: Boca de Forno News

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a ex-delegada da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) de Feira de Santana, Martine Veloso, avaliou os avanços no enfrentamento à violência doméstica e destacou a importância da Lei Maria da Penha como um marco na proteção às mulheres no Brasil. Reconhecida pela atuação na área de segurança pública durante 30 anos, Martine esteve à frente da Deam de Feira de Santana entre 1996 e 2011. Durante esse período, ela participou diretamente das primeiras iniciativas de conscientização sobre violência doméstica e de incentivo para que mulheres denunciassem seus agressores.

Em entrevista ao portal Boca de Forno News, a ex-delegada afirmou que a criação da Lei Maria da Penha representou um grande avanço no combate à violência contra a mulher. Segundo ela, a legislação trouxe mais segurança para que vítimas buscassem ajuda. “Foi um grande avanço. A lei trouxe a aplicação de medidas mais efetivas e fez com que muitas mulheres tivessem coragem de denunciar, sabendo que teriam uma resposta rápida aos seus pedidos”, destacou.

Martine também ressaltou que, ao longo dos anos, foi sendo estruturada uma rede de apoio mais ampla para acolher mulheres vítimas de violência, envolvendo instituições, órgãos públicos e ações de assistência. “Hoje existe toda uma rede de apoio que fortalece essa proteção. A cada dia novas leis e políticas vêm sendo criadas em defesa das mulheres”, afirmou.

Durante sua gestão na Deam, a ex-delegada também liderou iniciativas de aproximação com a comunidade, levando informações sobre direitos das mulheres para diferentes espaços da cidade.“Naquela época muitas mulheres ainda não denunciavam. Então começamos a realizar delegacias itinerantes, indo para a zona rural, igrejas e comunidades para fazer palestras e conscientizar as mulheres sobre a importância de denunciar”, lembrou.

Apesar dos avanços, Martine Veloso reconhece que os índices de feminicídio ainda são preocupantes no país, inclusive em cidades do interior como Feira de Santana. Para ela, o problema está ligado a uma cultura de desigualdade que ainda precisa ser superada. “A lei está aí e as punições são severas, podendo chegar a penas de até 40 anos em casos de feminicídio. Mas ainda é uma questão cultural que precisa mudar. Muitos homens ainda acreditam ter poder sobre a mulher, e isso precisa ser desconstruído”, afirmou.

A ex-delegada defende que o respeito e a igualdade de direitos entre homens e mulheres são fundamentais para reduzir os casos de violência. “A mulher tem direito à sua liberdade, à sua vontade e à sua cidadania. É preciso que exista respeito. A violência não leva ninguém a nada”, disse.

Ao final da entrevista, Martine Veloso aproveitou para deixar uma mensagem às mulheres, incentivando que continuem lutando por seus direitos e denunciando qualquer tipo de agressão. “Parabenizo todas as mulheres e reforço que continuem lutando por igualdade e respeito. Elas são mães, companheiras, profissionais e precisam ser valorizadas. Denunciar é fundamental para que possamos ajudá-las”, concluiu.

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