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Política Em Feira de Santana

Ângelo Coronel diz ter sido “defenestrado” do PSD, evita ataques pessoais e sinaliza possível mudança de partido

Senador cumpre agenda em Feira, participa de encontro do Cidadania e comenta futuro político.

07/02/2026 17h14 Atualizada há 2 horas
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Angelo Coronel - Foto: Boca de Forno News
Angelo Coronel - Foto: Boca de Forno News

O senador Angelo Coronel esteve neste sábado (7) visitando a cidade de Feira de Santana. coronel teve uma agenda política intensa na cidade participando inclusive do 1º Encontro Estadual do Cidadania, legenda que tem a frente o vereador Pedro Américo. O senador fez uma palestra falando sobre municipalismo.

Em entrevista coletiva, Coronel afirmou ter feito um pacto consigo mesmo de não falar sobre o assunto por ter sido profundamente ferido politicamente e pessoalmente, o que o deixou abalado emocionalmente, após o rompimento com o senador Otto Alencar, líder do PSD na Bahia, a quem atribui sua exclusão da chapa majoritária na Bahia, o que classificou como uma “defenestração” dentro do próprio partido.

Segundo ele, a relação com Otto Alencar era marcada por quase quatro décadas de amizade, o que tornou a ruptura ainda mais difícil. Apesar disso, Coronel evitou ataques diretos e disse preferir “virar a página”. “Fiquei uns quatro dias muito chocado nesse final de ano. Não imaginava jamais que viesse algo do tipo por parte dele depois de uma amizade de 39 anos. Mas aconteceu e eu não sou de ficar reverberando coisas negativas. Prefiro virar essa página e desejar saúde e paz para ele e eu vou lutar para o mesmo”.

Críticas

Questionado se teria recebido garantias de Otto Alencar sobre sua candidatura à reeleição, Coronel afirmou que o então presidente do PSD na Bahia declarava publicamente que o partido romperia caso ele não estivesse na chapa. No entanto, segundo o senador, isso não se confirmou na prática. “Ficou só no discurso. Não houve rompimento. Pelo contrário, houve meu afastamento definitivo”, disse.

Coronel afirmou não saber os reais motivos que levaram à sua exclusão e disse que o próprio Otto Alencar nunca apresentou uma explicação clara, mesmo após questionamentos da imprensa baiana.

Saída do PSD

Ângelo Coronel confirmou que deixará o PSD, mas não sabe para qual partido vai ainda. Ele explicou que o processo ainda não foi formalizado por questões regimentais do Senado, já que a desfiliação impacta diretamente a composição das comissões. Segundo o senador, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, já foi comunicado e deve acelerar os trâmites para que a mudança ocorra o quanto antes. “Temos que analisar bem essa mudança de partido para não dar um passo errado, ainda mais que vou disputar na majoritária”.

O parlamentar afirmou ter recebido convites de diversos partidos, incluindo legendas de centro, oposição e até da base governista. Entre eles, o União Brasil e o Cidadania aparecem como possibilidades, mas Coronel destacou que a decisão não será individual. “Não depende só de mim. Existem deputados estaduais, federais e um projeto coletivo. Além disso, vou disputar novamente o Senado, e tempo de televisão pesa muito”.

Mas ele quer sair da legenda o mais rápido possível. “Pedi ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para que ele desse celeridade a essa rearrumação das comissões porque quero o mais rápido possível porque onde teve decepção não quero ficar fomentando e adubando”.

Defesa do municipalismo

No campo político-institucional, Ângelo Coronel reforçou seu discurso municipalista e destacou ações de seu mandato voltadas às prefeituras. “Mais de 400 prefeitos já passaram pelo nosso gabinete e os ajudamos de alguma forma”. Ele citou como principal marca a redução da alíquota previdenciária patronal de 22% para 8% da folha de pagamento, medida que beneficiou milhares de municípios em todo o país. “Essa medida beneficiou mais de quatro mil prefeituras no Brasil. Tenho quase mil títulos de cidadão distribuídos Brasil afora por isso. Aqui na Bahia beneficiamos 380 prefeituras com essa redução”.

O senador anunciou ainda que apresentará, após o Carnaval, a chamada “PEC Coronel”, de sua autoria, que busca tornar definitiva essa redução, após o governo federal ter elevado novamente a cobrança para 16%. “Vou apresentar uma nova que reduz de 16% para 8% em definitivo. Vai ser uma briga boa com o governo federal, mas já vencemos uma vez e vamos lutar novamente para a aprovação desse PEC no Congresso Nacional”, afirmou.

Kassab

Questionado sobre o que foi tratado em São Paulo com Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, Coronel disse que quando o presidente atual não o quis dar a legenda para se candidatar, ele quis sair avulso. “Mas me impuseram que se eu quisesse sair avulso teria que apoiar o governo do estado. Como não tinha essa pretensão porque ele estava se associando a Otto para me rifar da chapa, não tinha porque eu ficar. Na minha veia corre sangue e não água. Fui a Kassab para tentar desmontar essa ideia”.

O senador lamenta que antes Otto sempre dizia que se ele não estivesse na chapa de senador romperia com o governo do estado, o que não aconteceu. “Parece que as coisas mudaram e ficou só da boca para fora porque não houve rompimento, pelo contrário. Houve, literalmente, uma defenestração do meu nome dentro do partido. Fui limado com uma lima grossa”.

Ele disse que não sabe porque isso aconteceu e só Otto para responder. “Ele já foi entrevistado várias vezes e fica sem resposta. Também estou curioso para saber qual foi o motivo desse ‘limamento’”.

Cargos

Já em relação aos cargos que possui na Bahia ele disse que “não enche uma kombi”. Perguntado se os entregaria, Coronel disse que não tem problema nenhum com isso. “Se não já tiraram. O mais importante que eu tenho é na Agerba que só presta para cobrar multa de ônibus. Melhor tirar ligeiro para não me queimar politicamente”.

Polarização

Ao comentar o cenário nacional, Coronel criticou a polarização política entre extrema direita e extrema esquerda e defendeu a construção de uma alternativa de centro para tranquilizar o país. Para ele, o Brasil precisa de estabilidade e não pode continuar em um clima permanente de confronto político. “Tem as candidaturas postas do Flávio Bolsonaro, Lula, provavelmente entre Ratinho Jr. e Caiado, acredito que um dos dois será o candidato da terceira via. Já soube também que o Tarcísio de Freitas pode voltar a ser candidato. Ainda tem muita água para rolar para sabermos o que vai acontecer efetivamente”.

Sobre seu posicionamento em relação aos governos do PT, tanto na Bahia quanto em Brasília, o senador disse que será oposição na Bahia e na esfera federal dependerá do partido ao qual irá se filiar, mas sinalizou preferência por uma legenda de oposição. “Seguimos muito a linha partidária. Espero encontrar um que seja de oposição”.

Articulação em Feira de Santana

Na Bahia, Coronel destacou o fortalecimento de alianças políticas, especialmente em Feira de Santana, onde afirmou manter diálogo com vereadores, lideranças locais e com o prefeito José Ronaldo. Ele agradeceu o apoio recebido e destacou o papel de Zé Chico, que já se colocou à disposição para coordenar sua pré-campanha na cidade. “Tenho recebido muitas mensagens de apoio, dizendo para resistir e não desistir. E é isso que vou fazer: resistir”, concluiu o senador.

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