Um surto da chamada “doença da urina preta”, conhecida cientificamente como doença de Haff, colocou autoridades sanitárias em alerta no Amazonas. Ao menos três casos foram confirmados pela Fundação de Vigilância em Saúde do estado após o consumo de peixes populares no Brasil.
Os registros ocorreram no município de Itacoatiara, envolvendo moradores da zona urbana. Dois dos casos foram identificados entre junho e dezembro de 2025. Os pacientes apresentaram sintomas como fraqueza muscular, dores intensas nos músculos e urina escura, características típicas da enfermidade.
Exames laboratoriais apontaram níveis elevados da enzima creatinofosfoquinase (CPK), com média de 6.400 µ/L, indicativo de lesão muscular. Segundo as autoridades de saúde, os sintomas começaram, em média, nove horas após a ingestão do pescado.
A doença de Haff está associada ao consumo de peixes contaminados ou mal conservados. Diante do cenário, órgãos de fiscalização sanitária iniciaram uma força-tarefa para investigar estabelecimentos e verificar a regularidade de produtos comercializados.
Durante uma operação realizada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), com apoio do Batalhão de Policiamento Ambiental da Polícia Militar do Amazonas, foram apreendidas mais de 100 toneladas de pescado de diferentes espécies sem licença ambiental em um estabelecimento comercial no município de Manacapuru, localizado a cerca de 68 quilômetros de Manaus.
Além da apreensão do material, o estabelecimento foi multado em mais de R$ 2 milhões. No último dia 2 de fevereiro, o Ipaam confirmou que acionará o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) após a operação.
De acordo com o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, a conduta do estabelecimento agravou a situação. “A recusa em receber o auto de infração e os indícios de descumprimento do embargo demonstram total desrespeito à legislação ambiental e à saúde pública. Em um momento de alerta contra a doença de Haff, não podemos aceitar que pescado sem controle sanitário e de origem ilegal circule no Amazonas. A comunicação ao Ministério Público reforça nossa atuação firme”, afirmou.
O Ipaam orienta a população a comprar pescado apenas em estabelecimentos devidamente licenciados e com emissão de nota fiscal. O órgão informou ainda que as ações de fiscalização serão intensificadas em todo o estado, com foco na proteção ambiental, na saúde pública e na preservação dos recursos pesqueiros.
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