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Políticos buscam acordão entre Poderes para frear investigações em ano eleitoral

Principal articulação envolve Centrão e ala do PT, segundo interlocutores. Acordo seria evitar o prolongamento da CPI mista do INSS e enterrar uma possível CPI do Master

04/02/2026 07h46
Por: Karoliny Dias Fonte: Andréia Sadi / TV Globo
Foto: Gustavo Moreno/STF
Foto: Gustavo Moreno/STF

Está em curso uma tentativa de acordão em Brasília. A costura envolve alas do governo, do Congresso e do Judiciário, cada parte com a sua pauta.

Com a volta de parlamentares e ministros do STF ao trabalho, é hora de observar como os grupos políticos vão reagir a investigações em curso, como as que tratam do Banco Master e de desvios de emendas e verbas parlamentares. A grande preocupação hoje em Brasília é que os desdobramentos desses casos atinjam políticos em ano de eleição, prejudicando candidaturas.

O blog apurou que, nos bastidores, a principal articulação em curso no Congresso passa por uma troca direta entre dois focos sensíveis de investigação:

  • de um lado, a não prorrogação da CPI mista do INSS, que deve ir até o fim de março e hoje preocupa o núcleo político do governo e petistas.
  • de outro, a tentativa de barrar a instalação da chamada CPI do Master, defendida por líderes do Centrão.

A possível troca, segundo interlocutores, está sendo costurada entre dirigentes do Centrão e setores do PT, num movimento para reduzir frentes de desgaste simultâneas e minimizar os riscos políticos.

A CPMI do INSS retoma os trabalhos nesta semana e avalia quebrar os sigilos bancário e fiscal de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. A oposição quer investigar as relações dele com Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS".

O que está por trás das articulações

Na busca por um acordão, cada lado dessa costura tem as suas próprias questões. Pressionado por investigações sobre emendas, o Congresso manda ao governo o seguinte recado: vocês precisam de nós para aprovar pautas que podem ajudar na eleição.

E ao governo interessa, por exemplo, avançar com propostas como o fim da escala 6x1 e ver aprovada no Senado a indicação de Jorge Messias para o STF.

Por isso, há no Palácio do Planalto quem defenda que as investigações não andem assim tão depressa.

A dificuldade, nesses casos, é que você não pode combinar isso com um investigador sério da Polícia Federal que está fazendo seu trabalho de desvendar esquemas de corrupção.

Relações com o Judiciário e o papel do TSE

Em relação ao Judiciário, o governo está mapeando como deve atuar o TSE sob o comando de Nunes Marques, com André Mendonça de vice (ambos indicados ao STF por Jair Bolsonaro) e Dias Toffoli também na composição do tribunal para a eleição deste ano.

O Planalto teme que a falta de uma base consolidada no Congresso e desgastes na relação com o STF por causa do caso Master, por exemplo, afetem a governabilidade em um momento decisivo.

O STF, desgastado pelo caso Master e pela atuação do ministro Toffoli na condução do inquérito, já manifestou ao Planalto seu incômodo com o que avaliou ser uma falta de apoio do presidente Lula nessa crise.

Esse é o termômetro da política no momento. Resta saber como esses atores da política vão se comportar nessa costura, se vão conseguir tirar a pressão e desacelerar essas investigações de olho nas eleições de 2026.

 
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