O empresário Sérgio Nahas, condenado pelo homicídio da esposa em 2002, foi capturado no último sábado (17) em Praia do Forte, em Mata de São João, no Litoral Norte da Bahia. O empresário, que estava foragido havia mais de duas décadas, foi reconhecido por câmeras de identificação facial e encontrado em um condomínio de luxo. Com ele, a polícia apreendeu drogas e objetos pessoais.
O crime que chocou São Paulo
Em setembro de 2002, a estilista Fernanda Orfali, de 28 anos, foi morta com um tiro no peito dentro do apartamento onde vivia com o marido, em Higienópolis, bairro nobre da capital paulista.
Segundo a investigação, Fernanda tentou se refugiar no closet durante uma discussão, mas Nahas arrombou a porta e disparou duas vezes. O primeiro tiro foi fatal.
Na época, o empresário alegou que a esposa havia cometido suicídio. A versão foi descartada pela perícia, que não encontrou resíduos de pólvora nas mãos da vítima. O relacionamento já enfrentava crises, marcadas por acusações de traição e uso de drogas por parte de Nahas.
Um processo arrastado por anos
O caso se estendeu por quase duas décadas.
Com o trânsito em julgado, a Justiça expediu mandado de prisão. O nome e a foto do empresário passaram a integrar a lista da Interpol, destinada a localizar foragidos internacionais.
A captura na Bahia
Quase 24 anos após o crime, Nahas foi localizado em Praia do Forte, destino turístico onde havia passado a lua de mel com Fernanda. O sistema de reconhecimento facial da Secretaria de Segurança Pública da Bahia identificou o empresário, hoje com 61 anos.
Na abordagem, policiais encontraram: 13 pinos de cocaína, três celulares, cartões de crédito e um carro da marca Audi. Ele foi levado sob custódia e aguarda transferência para São Paulo, conforme solicitado pela Polícia Civil paulista.
Defesa fala em “injustiça”
A advogada Adriana Machado e Abreu, responsável pela defesa de Nahas, afirmou em nota que o caso representa “uma das maiores injustiças do Brasil”. Segundo ela, o empresário já residia na Bahia antes da expedição do mandado e não teria intenção de descumprir determinações judiciais.
Um caso que expõe falhas e demora da Justiça
O assassinato de Fernanda Orfali tornou-se emblemático por revelar a lentidão do sistema judicial brasileiro. Durante mais de duas décadas, o processo foi marcado por recursos, adiamentos e disputas técnicas que mantiveram o réu em liberdade.
A prisão de Nahas, embora tardia, encerra um ciclo de impunidade e reacende o debate sobre violência doméstica, consumo de drogas e a dificuldade em responsabilizar agressores em casos de feminicídio, ainda que, à época, a legislação específica não estivesse em vigor.
O próximo passo
Nahas deve ser transferido para São Paulo nos próximos dias, onde cumprirá a pena determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para familiares de Fernanda, a prisão não significa justiça plena, mas representa um alívio após anos de espera.
“Não traz felicidade, no máximo um alívio”, declarou o irmão da vítima em entrevista recente.
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