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Cultura Crônica da semana

A falta de profissionalismo dos gestores brasileiros

Por Alberto Peixoto

17/01/2026 08h48
Por: Karoliny Dias Fonte: Alberto Peixoto

Foto: CRM7

A falta de profissionalismo afeta organizações públicas e privadas em suas áreas e em seu desempenho. O conceito pode ser entendido de maneiras diferentes, mas envolve a capacidade de fazer bem o que se deve: um conjunto de competências, habilidade técnica, experiência, imparcialidade, honestidade, ética e responsabilidade. A perda da visão profissional pode ser identificada por diversos sinais, como atrasos, falta de sinalização, comunicações precárias, decisões tomadas em momentos impróprios e por critérios distantes dos padrões estabelecidos.

Um dos maiores desafios do Brasil é a conquista de um ambiente de negócios favorável à criação de empregos sustentáveis e ao crescimento. Tais condições não dependem apenas dos empresários, mas também de uma qualidade mínima no setor público e nas políticas públicas. Além disso, a cultura organizacional e a forma como as instituições são feitas e dirigidas são fundamentais para o sucesso de qualquer organização.

A falta de profissionalismo no gerenciamento dessas partes fundamentais é comum e pode ser vista, por exemplo, em servidores que ocupam cargos de direção sem ter uma boa formação para isso ou que não recebem treinamento adequado, não se comunicam ou não dão feedbacks aos seus subordinados. Consequentemente, o produto final da organização será de baixa qualidade e, em muitas situações, pior que o de seus concorrentes que estão em um setor privado.

A falta de profissionalismo se manifesta por meio de sintomas evidentes e frequentemente relatados. Como poucos hesitam em afirmar que têm alguma competência profissional, é a verificação de sinais de falta de profissionalismo que deveria ser mais utilizada, já que muitos têm a seu favor a alocação em função e, portanto, a responsabilidade pela entrega da atividade.

Um dos principais sinais é o atraso. Quando as viabilidades de um projeto são calculadas em 10 meses, o profissional precisa de 10 meses para realizar o projeto. Se a comunicação é realizada de forma ineficiente, perdendo-se tempo e recursos para a realização de uma mesma atividade, a falta de profissionalismo é evidente. Decisões são tomadas sem critérios claros; não se sabe o porquê de um cliente ser atendido e outro não. Uma atividade que poderia ser realizada em minutos é negligenciada e a resposta sobre a não realização resulta em um lapso de concentração ou uma fala sem lógica. Em suma, a falta de profissionalismo é visível em um evento, um projeto ou uma entrega qualquer.

As dificuldades dos gestores brasileiros serem mais profissionais estão diretamente ligadas a causas estruturais do país. Algumas políticas públicas colocam em risco a continuidade de projetos e ações, o que diminui a cultura de prestação de contas e o foco no cidadão. A cultura organizacional sublinha e premia o que é ruim. Muitas vezes, a própria cultura de um país que deveria premiar os mais preparados, mais competentes é invertida, e as ações vão para um caminho que a gestão pública não deveria permitir. A falta de incentivo ao resultado, a falta de comunicação de uma hierarquia geralmente muito distante e burocrática termina por permitir que o trabalho não tenha um retorno social esperado.

As organizações públicas e privadas têm desempenhado um papel fundamental na história e no desenvolvimento do Brasil, mas a falta de profissionalismo de seus gestores tem sido um fator determinante para a atual situação de estagnação econômica, ineficiência, baixa competitividade e, consequência, da não-atuação. O aumento dos custos operacionais, a alta rotatividade de pessoal, a perda de talentos, a falta de atratividade no mercado, o ambiente desfavorável, a reputação negativa e o não-atendimento das expectativas de parte significativa da sociedade são outros tantos efeitos diretos do despreparo e da falta de comprometimento dos gestores.

Por Alberto Peixoto

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