Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas em dezembro, cresce também o risco de complicações de saúde entre idosos e pacientes em situação de maior fragilidade clínica. Especialistas alertam que o calor excessivo pode desencadear quadros de desidratação, confusão mental, quedas e agravamento de doenças crônicas, especialmente em pessoas em cuidados paliativos ou que passaram por internações recentes em UTI.
De acordo com Elissama Sena, médica da Resiliar com foco em cuidados paliativos, o organismo do idoso apresenta maior dificuldade para regular a temperatura corporal, o que exige atenção redobrada das famílias e cuidadores.
"Com o avanço da idade, o corpo perde parte da capacidade de perceber a sede e de se adaptar às altas temperaturas. Isso faz com que muitos idosos entrem em desidratação sem perceber, o que pode levar a confusão mental, fraqueza e até quedas", explica.
Além disso, muitos sinais de alerta acabam sendo confundidos com um mal-estar comum provocado pelo calor, o que pode atrasar a busca por atendimento. Entre os principais sintomas que exigem atenção estão sonolência excessiva, tontura, boca seca, redução da urina, confusão mental, quedas sem causa aparente e piora súbita da mobilidade.
Em pacientes que passaram por internações em UTI, o calor também pode intensificar a fadiga, dificultar a respiração e comprometer a recuperação funcional.
"São pacientes que já saíram de um quadro de grande estresse para o organismo. O calor pode funcionar como um gatilho para descompensações, especialmente quando há mudança de rotina ou esforço físico excessivo", alerta a médica.
Outro fator de risco relevante no fim do ano é a mudança de rotina. Viagens, casas mais cheias, alteração nos horários das medicações e maior circulação de pessoas aumentam a exposição a acidentes domésticos e infecções, além de dificultarem a identificação precoce de sinais de agravamento clínico.
A orientação dos especialistas é que famílias e cuidadores redobrem os cuidados durante o verão, garantindo hidratação frequente, ambientes ventilados, uso de roupas leves, atenção à alimentação e manutenção rigorosa dos horários de medicamentos. Também é fundamental evitar a exposição ao sol nos períodos mais quentes do dia e adaptar a casa para reduzir riscos de quedas.
Os profissionais reforçam que qualquer alteração no comportamento, no nível de consciência ou na capacidade funcional do idoso não deve ser normalizada. A observação atenta e a intervenção precoce são decisivas para evitar internações e complicações mais graves neste período.
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