Em uma movimentada papelaria na Avenida Joana Angélica, Joana Costa tenta equilibrar a lista de materiais escolares da filha Beatriz, de 8 anos, com o orçamento apertado. "Ela quer a mochila da personagem preferida, mas estou tentando encontrar uma mais em conta e personalizar em casa", diz.
Cenas como essa se repetem em diversos pontos da cidade, especialmente nos tradicionais comércios da Mouraria e nos arredores do Shopping Lapa, onde as vitrines já anunciam a temporada de volta às aulas.
Segundo Lamartine Torres, gerente comercial da Papel & Cia, localizada no Center Lapa, “as chamadas listas escolares começaram a chegar desde a Black Friday. Esse é o período que tem um aquecimento maior e é mais aguardado por todos nós”. Lamartine ainda projeta um aumento de 10% nas vendas, impulsionado pela busca presencial por produtos de qualidade.
Mariana Viveiros, do IBGE na Bahia, alerta para a alta sazonal nos preços. “Cadernos e itens de papelaria costumam ter seus preços elevados entre novembro e janeiro. E é bem provável, embora a gente não possa cravar, que isso tenha a ver com o movimento de preparação da volta às aulas”, explica.
Desafios
O início do ano letivo não traz apenas expectativas, mas também desafios. Famílias como a de Joana enfrentam o dilema entre atender os desejos das crianças e respeitar as limitações financeiras. "Beatriz fica encantada com as mochilas coloridas e personagens, mas precisamos equilibrar as contas," comenta a mãe. Para 2025, Associação Brasileira de Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (ABFIAE) estima um aumento entre 5% e 9% no custo desses materiais.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e QuestionPro aponta que as famílias brasileiras gastaram R$ 49,3 bilhões com materiais escolares em 2024, um aumento de 43,7% em quatro anos. A estimativa é que os maiores gastos sejam na classe B (R$ 20,3 bilhões) e classe C (R$ 17,3 bilhões), impactando especialmente orçamentos do Nordeste, segunda região com maior concentração de despesas.
Para Cristina Rodrigues, mãe de Melissa e Marília, de 10 e 5 anos, a organização financeira é essencial. "Decidi que todo meu salário deste mês será para o material escolar. Aproveito itens do ano passado, como lápis e fardas, e customizo cadernos para reduzir custos".
Aplicativos de comparação de preços como Buscapé e Cuponomia têm se tornado aliados das famílias. "Uso apps para encontrar promoções e planejar minhas compras. Ajuda muito a economizar sem perder qualidade", comenta Joana.
Compras coletivas
Além disso, muitas famílias estão optando por compras coletivas. Reunir vizinhos e dividir pacotes maiores tem se mostrado uma estratégia eficiente. "Comprei caixas de lápis e dividi com outras mães. Saiu muito mais em conta", relata Ana Santos, outra frequentadora da Joana Angelica.
No entanto, o peso no bolso ainda é significativo. Dados apontam que 38% das famílias consideram o impacto dos gastos com material escolar muito alto, enquanto 47% afirmam sentir um impacto moderado. Apenas 15% conseguem absorver os custos sem grandes dificuldades.
Na área do Garcia, pequenas lojas especializadas em uniformes para escolas ganham destaque. "Farda é sempre uma das despesas mais desafiadoras", explica Cristina. "Costumo reaproveitar as do ano anterior, mas às vezes é necessário comprar novas. Sapatos e mochilas também entram nessa lista".
O gerente Lamartine Torres também aponta a importância de se atentar à qualidade desses itens. “Os clientes optam por vir às nossas lojas para se certificar da qualidade dos produtos que vão adquirir”. Além disso, as plataformas de e-commerce oferecem alternativas como personalização de materiais e promoções que ajudam a aliviar o impacto financeiro.
Para Joana, personalizar é um caminho para atender as expectativas dos filhos. "Compro uniformes neutros e adiciono patches ou apliques que Beatriz escolhe. Assim, ela se sente especial e consigo economizar".
Em bairros como Pituba e Garcia, pequenos comércios oferecem alternativas acessíveis. "Tenho comprado sapatos e mochilas em lojas locais. Os preços são melhores do que em shoppings," comenta Jéssica Almeida, mãe de dois filhos.
Driblar os custos
Com o peso crescente dos gastos, muitas famílias recorrem à criatividade. Trocas de materiais usados têm se tornado uma alternativa viável e sustentável. Grupos em redes sociais conectam pais que buscam economizar sem abrir mão da qualidade.
“Reutilizar é a palavra-chave”, afirma Cristina, que aproveita lápis e fardas do ano anterior. Ela também customiza cadernos com adesivos de personagens escolhidos pelas filhas. "Compro modelos básicos e personalizo. É mais barato e elas adoram o resultado".
A organização comunitária também tem ganhado espaço. Em bairros como o Garcia, são comuns os eventos de troca organizados por escolas e associações locais. Além de aliviar o orçamento, iniciativas assim promovem sustentabilidade e reforçam laços comunitários.
Ainda assim, desafios persistem. "Muitas vezes, não é só o custo, mas também a logística de encontrar materiais acessíveis e de qualidade. As famílias precisam de mais apoio", comenta Joana Costa. A busca pelo material escolar mistura ansiedade e esperança.
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