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Feira de Santana Taxistas

Presidente do Sindicato dos Taxistas fala sobre os seis anos sem aumento da bandeira em Feira de Santana

Liomar Ferreira explica o porquê de tanto tempo sem aumento.

02/08/2022 07h46 Atualizada há 2 semanas
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Liomar Ferreira
Liomar Ferreira

Liomar Ferreira, presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos de Feira de Santana (Sincaver), falou sobre a reclamação dos taxistas de que há seis anos não aumenta os valores da bandeira em Feira de Santana. Liomar explica que há mais ou menos um mês, por insistência de um companheiro, convocou a classe para discutir o aumento ou não da tarifa. “O próprio companheiro taxista convocou os colegas para uma assembleia e do número deles que estiveram aqui para discutir o assunto, em sua maioria, repugnou qualquer discussão sobre esse aumento”, disse.

O presidente disse ter ficado surpreso com essa decisão. Isso porque quando houve o último aumento a gasolina custava R$ 2,50 e hoje todos veem como está. “O que posso dizer é que o sindicato em nenhum momento irá as ruas convidar o taxista para tratar desse assunto, mas tantos quantos desejarem fazer essa discussão estamos a vontade e a disposição para entender. Logo logo os taxistas farão mágica porque conseguem depois de seis anos de vigência de uma tarifa não querer sequer discutir o assunto”, disse.

Ele não sabe quais são as razões que os leva a essa atitude e se eles efetivamente estão tendo ganho com o congelamento da tarifa por esse período. “Aliás, seria o único segmento da economia que não entende de repassar qualquer custo relacionado a sua atividade para a remuneração do seu trabalho, razão da sua atividade”.

A bandeira hoje em Feira de Santana está em torno de R$ 5,00 o quilômetro rodado na bandeira 1. “Os colegas dizem que há muito não rodam com taxímetro, que as corridas são feitas a base do acerto, que se aumentar a tarifa vai competir com os transportes via aplicativo e eles perderiam o cliente. Eu tenho o entendimento de que, se é verdade que o aumento da tarifa implica em perda de usuário, o congelamento é ganho. A pergunta é: o taxista ganhou quanto de usuário em razão de não ter alterado a tarifa nos últimos seis anos? Se houver o entendimento que houve ganho, foi bom não ter aumentado para aumento de usuário, evidentemente que é uma estratégia que está dando certo”, explica.

Se for o contrário, os companheiros que dependem da atividade para o seu sustento estão em desvantagem. Porque tudo aumentou nos últimos seis anos. Os componentes do veículo que ao longo do tempo tem desgaste, o próprio veículo que é a ferramenta de trabalho, aumentou. E você paga com a receita do passageiro que você transportou. “Se você tem uma tarifa que não ajusta a essa realidade, vai chegar o dia em que você vai procurar o carro para atender o cliente não vai encontrar porque ele vai desaparecer com o tempo”.

Aplicativos de transporte

Para Liomar, os aplicativos de transportes foram a “pá de cal” que abateu sobre a atividade. Isso não apenas a nível de Feira de Santana. “Tivemos uma espécie de quase extermínio. Antes você 1350 taxistas para fazer transporte individual. Hoje você tem 20 mil, 10 mil, ninguém sabe o número de pessoas fazendo isso. Isso com carro comum, sem placa vermelha, e uma tarifa menor. Com uma tarifa variável, que não é fixa como a do taxista, que de acordo com o dia de maior demanda eleva e o camarada paga no aplicativo mais caro do que pagaria no táxi com a tarifa vigente. Mas nem todo mundo percebe isso e andar em aplicativo é moda”.

Além do transporte por aplicativo, o táxi tem como concorrentes o transporte alternativo, o coletivo, o clandestino, o mototaxista e os aplicativos. “Há 20 anos não era assim. Ou era transporte coletivo ou o táxi. Hoje tem todas essas opções e não só no transporte urbano. Essa baderna, essa bagunça interessa a todos porque está todo mundo em busca da empregabilidade, do seu sustento dizendo que é fazer melhor fazer isso que roubar ou ter uma licença do poder público para explorar uma atividade considerada pública”.

Auxílio do Governo Federal

Liomar falou ainda sobre o auxílio dado pelo Governo Federal aos taxistas e caminhoneiros. Segundo ele, a Prefeitura de Feira de Santana, como as demais do Brasil, encaminhou uma relação dos taxistas considerados em dia para o recebimento desse benefício. “Mas da nossa frota de 1350 taxistas, temos 150 companheiros, que por não ter comparecido as vistorias até 2019 por desleixo ou qualquer dificuldade que não sei e, consequentemente, os nomes deles não foram encaminhados para recebimento do benefício”.

Ele pediu que esses taxistas procurem a Secretaria Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) para resolver essa pendência e ter seu nome encaminhado para esse recebimento. “Minha preocupação é que nenhum companheiro fique sem receber, ainda mais por questões pessoais. A vistoria anual é uma obrigação anual de quem tem a licença para exercer a atividade. Se ele deixa de fazer é porque não interesse mais a atividade ou por alguma razão desconhecida”.

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