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Feira de Santana Guerra no Oriente

Guerra no Oriente Médio pressiona preço dos combustíveis e já impacta consumidores na Bahia

Especialista explica que conflito no Oriente Médio afeta rotas estratégicas de petróleo, pressiona o preço do barril no mercado internacional e já provoca aumento nos combustíveis em cidades como Feira de Santana.

09/03/2026 11h14
Por: Mayara Nayllanne
Foto: reprodução
Foto: reprodução

O aumento no preço dos combustíveis já começa a ser sentido por motoristas em Feira de Santana e em outras regiões da Bahia. O cenário está ligado à instabilidade provocada pela guerra no Oriente Médio, região considerada estratégica para a produção e o transporte de petróleo no mundo. A avaliação é do economista Amarildo Gomes, que analisou os impactos do conflito durante entrevista ao programa Boca de Forno.

Segundo o especialista, conflitos armados em regiões produtoras de petróleo costumam provocar reflexos imediatos no mercado global de energia. Isso acontece porque a guerra compromete rotas de transporte e gera incerteza no fornecimento do combustível para diversos países.

De acordo com Amarildo Gomes, a área do conflito concentra alguns dos principais produtores de petróleo do planeta, como Irã, Arábia Saudita, Kuwait, Omã e Iraque. Além disso, a região abriga o estratégico Estreito de Ormuz, passagem marítima por onde circula cerca de 25% do petróleo mundial.

“Quando há guerra, o fluxo de transporte naquela região praticamente paralisa. Como o petróleo influencia toda a cadeia produtiva, isso acaba encarecendo o transporte, as mercadorias e, consequentemente, o preço da gasolina e do diesel”, explicou o economista.

Ainda segundo ele, o barril do petróleo tipo Brent crude oil, referência internacional para o mercado, registrou forte alta nos últimos dias. O preço teria saltado de cerca de 62 dólares para aproximadamente 90 dólares, pressionando os custos do combustível em vários países.

Mesmo sem anúncio oficial de reajuste pela Petrobras, alguns aumentos já começam a aparecer no mercado. Isso ocorre porque, além da estatal, existem refinarias independentes que compram petróleo diretamente no mercado internacional, o que faz com que o impacto da alta seja repassado mais rapidamente aos consumidores.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o preço da gasolina já teria registrado aumento de cerca de 20%. No Brasil, segundo o economista, algumas regiões também começam a sentir os primeiros reflexos, com elevação no valor do diesel e da gasolina.

Governo brasileiro não tem responsabilidade direta

Durante a entrevista, Amarildo Gomes também comentou críticas que atribuem ao governo brasileiro a responsabilidade pela alta nos combustíveis. Para ele, essa interpretação não tem fundamento, já que o problema está diretamente ligado ao cenário internacional.

“O governo brasileiro não tem nenhuma parcela de culpa nessa situação. Quem influencia diretamente são os países envolvidos no conflito”, afirmou.

O economista citou ainda líderes políticos ligados ao cenário internacional, como o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, ressaltando que decisões tomadas no contexto da guerra são determinantes para a estabilidade da região.

Além do petróleo, o conflito também ameaça outras atividades econômicas importantes do Oriente Médio, como o turismo em cidades como Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, que dependem fortemente da circulação internacional de pessoas e mercadorias.

Para o economista, a expectativa do mercado global é de que o conflito seja resolvido rapidamente para evitar impactos ainda maiores na economia mundial e na inflação de diversos países, incluindo o Brasil. Enquanto isso não acontece, consumidores devem continuar sentindo os reflexos da instabilidade internacional no bolso.

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