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Afastada suspeita de primeiro caso de varíola do macaco na Bahia

A médica infectologista Ceuci Nunes fala sobre a doença e como ela é transmitida. Ceuci é também pré-candidata a deputada estadual.

16/06/2022 13h24 Atualizada há 2 semanas
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
A médica infectologista e ex-diretora do Hospital Couto Maia, especializado em doenças infectocontagiosas, Ceuci Nunes.
A médica infectologista e ex-diretora do Hospital Couto Maia, especializado em doenças infectocontagiosas, Ceuci Nunes.

A médica infectologista e ex-diretora do Hospital Couto Maia, especializado em doenças infectocontagiosas, Ceuci Nunes, falou sobre o caso suspeito de varíola do macaco na Bahia. A informação foi divulgada pela Secretaria da Saúde do estado (Sesab). O paciente é um homem morador de Salvador e está internado em uma unidade hospitalar da rede privada na cidade. De acordo com a Sesab, o homem apresentou a tríade de sintomas da doença: febre alta de início súbito, adenomegalia (aumento dos linfonodos do pescoço) e erupção cutânea.

Uma amostra de material colhido do paciente foi enviada para o Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen-BA), que encaminhou para a referência nacional. A médica explicou que essa é uma doença diferente da varíola humana que foi detectada até a década de 80 e foi erradicada em todo o mundo pela vacina. “É uma doença parecida, mas é um vírus transmitido ao homem por animais. O principal transmissor não é o macaco. São roedores, ratos principalmente”.

Ela existe desde a década de 50, principalmente nas populações que moram próximos as florestas, na África, e agora se disseminou pelo mundo com 119 países relatando suspeitas de casos e no Brasil já foi registrado o primeiro caso, mas felizmente o caso da Bahia foi afastado”, disse.

A preocupação com as novas doenças é evidente, principalmente depois de vivermos a pandemia de Covid-19. A varíola do macaco é transmitida de pessoa para pessoa. A transmissão não se dá como com a Covid que é através das vias respiratórias e por isso a possibilidade de disseminação como essa doença não existe. “Existe a vacina da varíola humana protege contra a varíola dos macacos, mas não será feita na população como um todo e sim nas pessoas que tiverem contato com locais onde estiverem aparecendo maior número de casos. É uma vacinação de bloqueio”, explica.

Varíola do macaco

A pessoa que estiver com catapora agora provavelmente também fará exames para a varíola do macaco porque se parecem em seus sintomas. “As lesões na varíola são as mesmas no mesmo estágio. Na catapora não. São vários estágios da lesão ao mesmo tempo e isso ajuda no diagnóstico médico”.

A doença foi identificada pela primeira vez em um macaco e por isso se deu seu nome. Só que logo após verificou-se que não é o macaco que mais tem essa doença ou que transmite, que a transmissão acontece por roedores, diz a médica.

Covid-19

Com os festejos juninos e o aumento da casos nos últimos dias ainda é uma preocupação para a sociedade e as autoridades. Como médica, Ceuci disse que vivemos uma grande tragédia recentemente com essa doença onde tiveram que ser abertos 1600 leitos de UTI só na Bahia. Mas com a vacinação a preocupação acontece, mas os casos que aumentaram são casos leves. “Não estamos vendo as consequências nos hospitais com internamentos e óbitos. Esperamos que continue assim”.

O alerta é para as pessoas que não completaram o seu esquema vacinal. É preciso fazê-lo. “Existem pessoas que tomou uma ou duas doses e acham que não precisam de outras, mas precisa. A imunidade e a proteção da vacina caem com o tempo. Por isso precisamos fazer o reforço. Quem não começou ainda a fazer o seu esquema vacinal, precisa começar urgentemente”.

Outra alerta é para as crianças. A cobertura vacinal das crianças ainda é baixa. “Criança tem Covid e tem Covid grave. É um percentual muito inferior aos adultos, mas tem”. Quem está com alguma doença respiratória precisa usar máscara para proteger as pessoas e não ir para aglomerações. Para as pessoas mais vulneráveis precisam usar máscara. “Mesmo estando vacinado a proteção do idoso é um pouco menor, então eles precisam continuar usando máscara. E as pessoas com outras doenças, principalmente em locais fechados”.

A médica acredita que o número de casos aumentará depois do São João, mas espera que sejam casos leves. “Mas isso depende de nós, de completarmos o esquema vacinal para a Covid”. Para o São João, ela sabe da dificuldade de usar máscara em festas. Como a festa é ao ar livre, a possibilidade de transmissão é menor, mas é preciso ter cuidado com os lugares fechados com aglomerações.

Política

A médica trilhará novos caminhos na política partidária. Com sua experiência grande em saúde pública, o seu contato com ONGs que ajudam as pessoas com doenças infectocontagiosas, ela disse que foi convidada para traças esse caminho na política. Ceuci é pré-candidata a deputada estadual pelo PT, partido a qual trabalhou durante todos os anos no Couto Maia.

“Quero muito representar as mulheres que são subrepresentadas em todos os espaços de poder e a saúde, defendendo essa pérola que temos que é o Sistema Único de Saúde (SUS), que é sempre ameaçado com cortes de verbas, redução de programas. Quero ser a voz deles na Assembleia Legislativa e por isso estou me pré-candidatando”, finaliza.

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