O perfil dos mortos pela Covid-19 na Bahia segue a tendência do Brasil e vem mudando. As pessoas com menos de 60 anos e sem comorbidades, e que, portanto, não fazem parte do grupo de risco para a doença, ou não faziam, passaram a representar a maior parte das mortes pela doença. O fato foi constatado pela reportagem do Bahia Notícias a partir de dados dos boletins da Secretaria da Saúde do estado (Sesab).
Nesta semana um levantamento semelhante, mas que levava em conta dados nacionais, destacou que embora a maior parcela dos brasileiros mortos pela doença ainda seja formada por idosos, pela primeira vez desde o início da pandemia a maioria dos novos óbitos registrados no Brasil não ocorre neste grupo. Os dados mostraram que 54,4% das pessoas mortas neste mês tinham menos de 60 anos. Em maio, esse índice era de 44,6%. Em todos os meses do ano passado, esse porcentual ficou sempre abaixo dos 30%.
Na Bahia, o índice mensal de pessoas mortas pela Covid-19 com menos de 60 anos passou de 10,7% em janeiro para 56,3% em junho. O número cresceu progressivamente, em meio ao processo de imunização dos grupos até então considerados de risco: em fevereiro, o índice de mortos com no máximo 59 anos era de 25%; em março, de 28%; em abril, 34%; e em maio, 47%.
Entre as vítimas mais jovens, fora da faixa considerada idosa, a porcentagem daqueles que não tinham comorbidades conhecidas estava em cerca de 42%. Já em junho, esse número chegou a 58%.
No mês passado a Bahia já havia começado a assistir a uma redução do número de idosos hospitalizados com diagnóstico para Covid-19. As pessoas com 60 anos ou mais representavam no primeiro trimestre deste ano 53,1% dos pacientes internados com a infecção pelo novo coronavírus, agora eles correspondem a 39,2%. Uma redução de 13,9%. Enquanto isso, os baianos com idade entre 20 e 49 anos passaram de 26,6% para 35,7% dos internados com a infecção.
Especialistas atribuem a redução desses indicadores entre os idosos à vacinação, mas também sinalizam a influência de outros fatores. Ao comentar sobre a mudança que vem notando no perfil dos pacientes internados nas UTIs com a doença, o médico intensivista Albert Bacelar, que atua na linha de frente do combate à pandemia, destaca que é preciso considerar que a população jovem, que passou a precisar mais de internamento, é economicamente ativa e, portanto, está mais tempo fora de casa pela necessidade de trabalhar. Além disso, é também o grupo dessa faixa etária que está presente em eventos e festas clandestinas.
Além do desrespeito a medidas de proteção, é preciso considerar a disseminação de novas cepas, potencialmente mais agressivas, que podem estar causando maior vitimização de jovens. Na semana passada a Sesab admitiu que a variante do coronavírus P1, identificada inicialmente em Manaus, no Amazonas, se tornou predominante na Bahia e já representa 80% das infecções no estado. O fato deixa a pasta em alerta devido ao alto potencial de transmissão e risco aumentado para internações.
O secretário da Saúde da Bahia, Fábio Vilas-Boas, atribui à variante a responsabilidade pela aceleração do número de internações e elevação do número de óbitos no estado.
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