A declaração do presidente do partido Missão na Bahia, David Pirajá, defendendo uma “chacina” no Bairro da Paz e no Planeta dos Macacos, em Salvador, provocou forte repercussão ontem. A fala ocorreu durante um ato de campanha do candidato à Presidência Renan Santos, realizado ontem, na Reitoria da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no bairro do Canela, e foi registrada em vídeo. Durante o discurso, Pirajá afirmou que Salvador estaria “tomada pelo crime” e defendeu a entrada nas comunidades para promover, segundo suas próprias palavras, um “banho de sangue” contra pessoas que ele associou ao Comando Vermelho.
A declaração provocou reação de representantes da política e de instituições. A vereadora de Salvador Marta Rodrigues (PT) classificou o episódio como grave e defendeu que as autoridades apurem o conteúdo da manifestação. Para ela, a fala não pode ser tratada apenas como retórica de campanha. “O que foi dito é de uma gravidade absurda. Estamos falando de uma declaração que banaliza a morte e transforma comunidades inteiras em alvo de violência”, afirmou a vereadora. Marta também disse que Renan Santos deveria responder politicamente pelo episódio, mesmo não sendo o autor direto da declaração.
A petista ainda associou o discurso adotado pelo apoiador a uma visão de violência que, segundo sua avaliação, dialoga com setores do bolsonarismo. Ela afirmou que declarações desse tipo não podem ser naturalizadas durante uma campanha eleitoral. A repercussão também chegou ao Ministério Público. O procurador de Justiça Rômulo de Andrade Moreira acionou a Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia para pedir a abertura de uma investigação sobre o caso. Na representação, ele aponta que a manifestação pode, em tese, ser analisada com base no artigo 287 do Código Penal, que trata de apologia pública de fato criminoso ou de autor de crime.
O pedido prevê a abertura de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) para apurar as circunstâncias da declaração e eventual responsabilização. A menção ao artigo, porém, não significa pedido de prisão imediata do dirigente partidário.
A Associação Bahiana de Imprensa (ABI) também se manifestou sobre o episódio. Em nota de repúdio, a entidade classificou as declarações como violentas e afirmou que não é aceitável a defesa pública de massacres contra comunidades de Salvador. A associação pediu investigação do Ministério Público e das autoridades policiais, além de manifestação do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA).
A ABI também defendeu a proteção dos moradores do Bairro da Paz, do Planeta dos Macacos e de outras comunidades que possam ser atingidas por discursos de violência. Para a entidade, o debate sobre segurança pública deve ocorrer dentro dos limites da lei e com respeito ao direito à vida.
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