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Feira de Santana Greve

Greve dos bancários paralisa unidades da Caixa e do Banco do Brasil em Feira de Santana

Sindicato afirma que 100% das unidades e departamentos dos dois bancos aderiram à paralisação nesta quinta-feira (10) e cobra retomada das negociações sobre salários, condições de trabalho e questões específicas das instituições.

11/09/2026 08h44
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A greve dos bancários teve início nesta quinta-feira (10) em Feira de Santana, com paralisação das atividades nas unidades e departamentos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Segundo o presidente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana, Eritan Machado, a categoria decidiu pela greve após rejeitar, em assembleia, a proposta apresentada nas negociações com os bancos.

De acordo com Eritan, a entidade sindical entregou a pauta de reivindicações à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e às direções dos bancos públicos no início de julho. Desde então, foram realizadas mais de 13 rodadas de negociação com a Fenaban e os bancos públicos para tratar das cláusulas econômicas, além de mais de 18 reuniões específicas com as direções da Caixa e do Banco do Brasil.

O presidente do sindicato afirma que, apesar das negociações, a categoria não identificou avanços considerados suficientes. “Infelizmente, nós não conseguimos obter nenhum tipo de avanço na negociação, porque as propostas que estavam sendo apresentadas não contemplavam minimamente os anseios da categoria”, afirmou.

Diante do impasse, os bancários foram convocados para assembleias realizadas nos dias 3 e 4 de setembro, quando decidiram rejeitar a proposta e deflagrar a greve.

Segundo Eritan, entre as principais reivindicações estão a valorização salarial, melhores condições de trabalho, abertura de novas agências e contratação de funcionários para reduzir a sobrecarga enfrentada pelos trabalhadores. “Nós entramos em greve porque a direção desses bancos não aceitou dar uma proposta que atendesse aos nossos anseios, no que diz respeito à valorização salarial e às condições de trabalho dignas”, explicou.

O sindicalista também relacionou a necessidade de novas contratações à qualidade do atendimento oferecido à população. Para ele, a demanda pelo atendimento presencial continua elevada, mesmo diante da ampliação dos serviços digitais. “O leitor que está prestando atenção agora sabe que qualquer ida a um banco hoje, aqui em Feira de Santana, não se perde menos de uma hora. Então, a demanda pelo atendimento presencial ainda é muito grande”, declarou.

Eritan defendeu ainda a abertura de novas unidades e a contratação de mais trabalhadores como forma de reduzir as filas e, ao mesmo tempo, combater o adoecimento dos bancários provocado pela sobrecarga de trabalho. “Nós precisamos abrir mais agências para prestar um serviço de melhor qualidade à população e também para diminuir a sobrecarga de trabalho que tem gerado adoecimento para os colegas bancários e bancárias aqui em Feira de Santana”, afirmou.

Adesão à greve

No primeiro dia da paralisação, o Sindicato dos Bancários informou que conseguiu fechar 100% das unidades e departamentos da Caixa e do Banco do Brasil em Feira de Santana. Segundo Eritan Machado, a adesão foi considerada expressiva pela entidade. “Nós fechamos 100% das unidades e departamentos da Caixa e do Banco do Brasil. A maior parte dos colegas, praticamente em unanimidade, aderiu. Um ou outro ainda entrou para bater o ponto, mas o fato é que nós garantimos a efetividade da greve”, disse.

O presidente do sindicato destacou a mobilização da categoria e afirmou esperar que a paralisação pressione as direções dos dois bancos a retomarem as negociações. “Estamos bastante orgulhosos dessa mobilização e unidade da categoria e esperamos, com isso, conseguir pressionar a direção da Caixa e do Banco do Brasil a reabrir uma mesa de negociação, apresentando uma proposta que atenda às nossas necessidades”, declarou.

Serviços durante a paralisação

Sobre a manutenção de serviços durante a greve, Eritan explicou que a legislação considera a compensação bancária como atividade essencial. Por isso, os caixas eletrônicos permanecem disponíveis para determinados serviços. “A Constituição e a Lei de Greve dizem que, no serviço bancário, a única atividade considerada essencial é a compensação bancária. Então, nós estamos garantindo o funcionamento dos caixas eletrônicos”, explicou.

Segundo ele, os equipamentos podem ser utilizados pelos clientes para operações como depósitos de cheques e envelopes com dinheiro, permitindo a realização da compensação bancária. “A legislação não impõe nenhum tipo de percentual mínimo de funcionamento da agência bancária no que diz respeito ao atendimento presencial. Apenas a compensação bancária é considerada atividade essencial para nós que trabalhamos no setor financeiro”, afirmou.

Orientação para clientes

Com a paralisação, uma das principais dúvidas dos clientes envolve o pagamento de contas e o recebimento de salários e benefícios. O sindicato afirma estar mantendo equipes de orientação em frente às agências que tiveram as atividades suspensas. “Nós temos montado comitês de esclarecimento na frente de cada agência bancária que está com a atividade suspensa e orientando os clientes a buscarem, nos canais oficiais das instituições financeiras, as informações necessárias referentes à paralisação”, disse Eritan.

Ele orientou aposentados, pensionistas e correntistas a consultarem os canais oficiais de cada banco para verificar as alternativas disponíveis durante a greve. “Cada banco, por conta das suas particularidades, deve prestar essa informação no seu site”, explicou.

Ainda de acordo com o presidente do sindicato, os caixas eletrônicos permanecem disponíveis e há apoio para os clientes que necessitarem de orientação durante o uso dos equipamentos. “A gente sabe que a greve, como efeito colateral, infelizmente gera esse tipo de situação de desconforto. Mas a nossa pauta não é apenas para a nossa categoria. É também pelos clientes”, ressaltou.

Para Eritan, a melhoria das condições de trabalho dos bancários está diretamente relacionada à qualidade do atendimento oferecido à população. “Um trabalhador, seja ele bancário ou não, que trabalha sob pressão e com sobrecarga de trabalho não consegue prestar um serviço de qualidade. Então, nós estamos lutando para abrir mais agências, para que os clientes passem menos tempo nas filas e para que os bancos contratem mais pessoas”, afirmou.

Negociações e possibilidade de continuidade da greve

Sobre a possibilidade de encerramento da paralisação, Eritan informou que a Caixa e o Banco do Brasil realizaram uma nova rodada de negociações nesta quinta-feira (10). Segundo ele, as direções apresentaram o que classificaram como proposta final.

A continuidade ou não da greve dependerá das assembleias realizadas pelos trabalhadores de cada instituição. “No Banco do Brasil, os colegas estão votando sobre a manutenção da greve ou a aceitação da proposta. Eu vou ter esse resultado para vocês e para os ouvintes amanhã, ao meio-dia, que é quando encerra a votação”, explicou.

No caso da Caixa, a consulta aos trabalhadores será realizada por meio de assembleia virtual, com resultado previsto para sábado pela manhã, segundo o sindicato. “Estamos aguardando essas votações para verificar se vamos continuar em greve ou não. O fato é que amanhã a greve continua. Se houver alguma novidade, isso vai ocorrer a partir de segunda-feira”, afirmou.

Proposta econômica

Eritan Machado também detalhou alguns pontos da proposta apresentada durante as negociações. Segundo ele, a categoria reivindicava a reposição da inflação acrescida de 5% de aumento real. “Nós pedíamos uma reposição da inflação mais 5% de aumento real, mas a Fenaban apresentou uma proposta de INPC, que é inflação, mais 10,6%”, explicou.

De acordo com o sindicalista, a proposta econômica apresentada pela Fenaban já foi aceita por trabalhadores de bancos privados e pelo Banco do Nordeste do Brasil (BNB). O impasse envolvendo Caixa e Banco do Brasil estaria concentrado principalmente em questões específicas de cada instituição.

No Banco do Brasil, entre os pontos de divergência estão questões relacionadas ao plano de cargos e remuneração, promoções, participação nos lucros e resultados (PLR) e ao plano de saúde Cassi. “No caso do Banco do Brasil, questões relativas ao plano de cargos e remuneração, promoção, PLR e ao plano de saúde, a Cassi, têm impactado bastante na rejeição da proposta”, afirmou.

Na Caixa Econômica Federal, um dos principais pontos de resistência é o Saúde Caixa, plano de assistência à saúde dos empregados. “No caso da Caixa, o que tem mais pesado é a proposta do Saúde Caixa, que é o nosso plano de saúde. A proposta torna o plano inviável financeiramente para os bancários”, declarou.

Além da questão do plano de saúde, o sindicato aponta problemas relacionados às condições de trabalho dentro das agências e departamentos da Caixa. A entidade afirma que os trabalhadores só devem retornar às atividades caso seja apresentada uma nova proposta que contemple as reivindicações específicas da categoria. “Nós só iremos retornar se vier uma proposta que nos atenda. Se não, nós iremos para o dissídio, e aí a Justiça, que é um terceiro, vai mediar esse conflito para que a gente chegue à renovação de um acordo coletivo”, concluiu Eritan Machado.

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