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Feira de Santana Demitida

Funcionária do Restaurante Popular diz ter recebido justa causa após paralisação por salários atrasados

O conflito envolvendo funcionários do Restaurante Popular do Centro de Abastecimento de Feira de Santana ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (10), um dia após a paralisação realizada pelos trabalhadores em protesto contra atrasos salariais e outras pendências trabalhistas. Uma das funcionárias que participou da mobilização, identificada como Rose, afirma ter recebido uma notificação de justa causa e que outros trabalhadores também teriam sido desligados após se recusarem a assinar um documento apresentado pela empresa. Segundo Rose, os funcionários foram chamados individualmente para uma sala e orientados a assinar um documento relacionado à paralisação ocorrida na quarta-feira (9). A trabalhadora afirma que não assinou o documento por entender que o conteúdo poderia responsabi

10/09/2026 11h23
Por: Karoliny Dias Fonte: Boca de Forno News
Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

O conflito envolvendo funcionários do Restaurante Popular do Centro de Abastecimento de Feira de Santana ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (10), um dia após a paralisação realizada pelos trabalhadores em protesto contra atrasos salariais e outras pendências trabalhistas. Uma das funcionárias que participou da mobilização, identificada como Rose, afirma ter recebido uma notificação de justa causa e que outros trabalhadores também teriam sido desligados após se recusarem a assinar um documento apresentado pela empresa.

Segundo Rose, os funcionários foram chamados individualmente para uma sala e orientados a assinar um documento relacionado à paralisação ocorrida na quarta-feira (9). A trabalhadora afirma que não assinou o documento por entender que o conteúdo poderia responsabilizar os funcionários pelos prejuízos provocados pelo fechamento do restaurante durante a mobilização. “Cada funcionário foi chamado para uma sala, um por um. O patrão colocou a gente para assinar um documento, dizendo que era para comprovar que estávamos ali prestando serviço. Só que estamos em paralisação por falta de pagamento e pela falta de outros compromissos que ele não está honrando”, relatou.

A funcionária afirma que a paralisação ocorreu com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Coletivas e Afins no Estado da Bahia (Sintercoba) e que os trabalhadores já haviam levado as reivindicações a público. “Estamos aqui parados com o apoio do sindicato. Já saiu nas emissoras e nos jornais. A gente está reivindicando os nossos direitos”, afirmou.

Rose conta que teria sido informada de que sofreria consequências caso não assinasse o documento apresentado pela empresa. Entre as medidas mencionadas por ela estariam o desconto do dia de trabalho e a perda da cesta básica. “Eu não assinei. Ele falou para mim que eu iria perder a cesta básica e também o dia, sendo que estou aqui. É meu direito, como funcionária, protestar pelos meus direitos”, declarou.

Segundo a trabalhadora, o responsável pela empresa teria questionado a postura dos funcionários ao cobrarem os pagamentos e demais direitos trabalhistas. “Ele disse que o funcionário chega à empresa pedindo emprego e depois quer botar banca com o patrão. Mas, desde quando cobrar pelos nossos direitos é botar banca?”, questionou.

Rose afirma que os atrasos têm causado dificuldades financeiras para os trabalhadores, que dependem dos salários para manter despesas básicas. “A gente está passando dificuldade, sem conseguir pagar conta de luz, água e aluguel. Temos que colocar limites dentro de casa para os nossos filhos. Estamos apenas cobrando um direito nosso”, afirmou.

A funcionária também disse que comunicou ao responsável pela empresa que buscaria orientação jurídica sobre a situação. “Falei para ele que eu iria procurar os meus direitos e que ele procurasse os dele. Eu cumpri meu horário e estou aqui na empresa porque não assinei o documento que, na minha visão, favorece somente a ele”, disse.

Rose também questionou o conteúdo do documento apresentado aos funcionários. Segundo ela, os trabalhadores não teriam tido tempo ou oportunidade suficiente para analisar o material antes de serem pressionados a assiná-lo. “O documento que ele deu favorece só a ele. Eu não sei qual é o benefício que ele está tendo com isso, porque ele não deixou a gente ler o documento. Mas eu tirei uma foto, mandei para os meus advogados e também encaminhei para a rádio”, afirmou.

A funcionária disse ainda que, diante da situação, decidiu permanecer no local acompanhada de outros trabalhadores e do sindicato.

Em outro momento do relato, Rose afirmou que os funcionários que participaram da paralisação foram reunidos novamente nesta quinta-feira. Segundo ela, parte dos trabalhadores teria sido pressionada a assinar o documento apresentado pela empresa. “Estamos aqui reunidos, os funcionários que fizeram a paralisação ontem. Alguns foram pressionados a assinar um documento em que assumiam a culpa pelo prejuízo do restaurante por ele não ter sido aberto ontem. Só que nós estamos reivindicando os nossos direitos”, relatou.

De acordo com Rose, os funcionários que se recusaram a assinar o documento teriam recebido uma comunicação para não retornar às atividades. “Os funcionários que não assinaram, inclusive eu, receberam um aviso do patrão. Nós estamos aqui com o sindicato, que está representando a gente, e fomos comunicados pelo chefe de que não precisávamos mais entrar na empresa para exercer nossa função”, afirmou.

A trabalhadora disse que interpretou a comunicação como um desligamento por justa causa. “Ou seja, nós estamos desligados da nossa função aqui. Fomos colocados para fora por justa causa por estarmos lutando pelos nossos direitos, pela falta de pagamento de salário e também pela falta de pagamento do INSS”, declarou.

Rose afirmou que os demais funcionários também permaneceram mobilizados após o episódio. “Os demais também estão aqui parados porque não estão aceitando a atitude que o patrão tomou nesta manhã. Estamos todos reunidos”, disse.

Durante o relato, Rose classificou a postura adotada pela empresa como abuso de poder e afirmou que os funcionários pretendem continuar buscando os direitos trabalhistas. “Isso que ele está fazendo aqui é abuso de poder. Ele está abusando do poder como patrão para tentar acuar os funcionários. Só que a gente não vai aceitar essa conduta”, afirmou.

Segundo ela, a empresa estaria tentando responsabilizar os trabalhadores pelos impactos provocados pela paralisação. “Ele quer voltar e jogar a culpa para cima da gente, sendo que estamos reivindicando o nosso direito. Ele quer acuar a gente, mas estamos aqui fora reivindicando os nossos direitos”, declarou.

O caso ocorre um dia depois de os trabalhadores realizarem uma paralisação no Restaurante Popular. Na ocasião, funcionários relataram atrasos recorrentes de salários, férias e outras obrigações trabalhistas. O Sintercoba informou que acompanha a situação e que existe uma audiência marcada para o dia 17 de setembro, no Ministério Público, para discutir as reivindicações da categoria e buscar uma solução para o impasse.

Até o momento, os relatos apresentados nesta matéria correspondem às declarações da trabalhadora e deverão ser confrontados com a posição da empresa responsável pelo Restaurante Popular.

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