Foto: Boca de Forno News
Funcionários do Restaurante Popular do Centro de Abastecimento de Feira de Santana realizaram uma paralisação nesta quarta-feira (9) em protesto contra atrasos no pagamento dos salários e outras pendências trabalhistas. Segundo os trabalhadores, os problemas são recorrentes e vêm se repetindo há meses, com relatos também de atrasos nas férias e dificuldades relacionadas ao cumprimento de direitos trabalhistas.
A mobilização contou com o acompanhamento do Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Coletivas e Afins no Estado da Bahia (Sintercoba). De acordo com o secretário de Mobilização da entidade, Ednaldo Garcia, o sindicato já acompanha a situação há algum tempo e tem buscado intermediar as reivindicações dos funcionários junto à empresa responsável pelo serviço.
“Essa situação já acontece há vários meses. Não é de hoje nem de ontem que essa empresa vem atrasando pagamento, décimo terceiro e férias. Temos trabalhadores que estão há três anos sem tirar férias. Estamos sempre cobrando para que a empresa cumpra a convenção coletiva e faça o pagamento do salário até o quinto dia útil”, afirmou Ednaldo.
Segundo o sindicalista, a presença do sindicato ocorreu após solicitação dos próprios trabalhadores, que reclamam da falta de respostas e de uma solução definitiva para os atrasos. “O trabalhador solicita a presença do sindicato e o sindicato está presente, dando apoio a esse pai de família que precisa do seu salário para fazer suas compras”, disse.
Ednaldo Garcia também relatou dificuldades para estabelecer um diálogo direto com o proprietário da empresa responsável pelo restaurante. Segundo ele, o representante empresarial foi procurado para comparecer ao local e conversar com os funcionários, mas não teria aceitado o convite. “Hoje nós fomos muito maltratados pelo proprietário da empresa. Pedimos que ele viesse aqui dar uma satisfação aos profissionais que estão parados, mas ele disse que não vinha. A nossa posição é clara: o trabalhador só trabalha com o dinheiro na conta”, declarou.
O secretário de Mobilização informou ainda que já existe uma audiência marcada para o dia 17 de setembro, no Ministério Público, para tratar da situação envolvendo os trabalhadores e a empresa. “Dia 17 já temos uma audiência marcada no Ministério Público com a empresa. Vamos tentar solucionar essa situação por meio do diálogo”, explicou.
Apesar da paralisação desta quarta-feira, o sindicato esclareceu que a mobilização não representa, neste momento, uma greve formal. Segundo Ednaldo, a intenção foi chamar a atenção da empresa para os problemas enfrentados pelos trabalhadores. “Hoje é apenas uma paralisação, uma mobilização para chamar a atenção da empresa. Os serviços foram realizados normalmente. É uma sinalização de que, caso os problemas não sejam resolvidos, os trabalhadores poderão paralisar as atividades”, afirmou.
Caso não haja acordo, o sindicato avalia deflagrar uma greve dentro dos procedimentos previstos na legislação. “Com certeza, se não houver solução, teremos que lançar o edital de greve, seguindo o que determina a lei, para buscar solucionar os problemas dos trabalhadores. Eles não aguentam mais essa empresa”, acrescentou.
Trabalhadores relatam atrasos recorrentes
Foto: Boca de Forno News
Entre os funcionários que participaram da mobilização está Carlos, que afirma trabalhar há seis anos no restaurante e diz que os atrasos salariais fazem parte de uma rotina enfrentada pelos trabalhadores. “É falta de salário. Todo mês é a mesma coisa. É uma humilhação que a gente está passando. Salário atrasado, férias atrasadas. Todo mês acontece a mesma coisa”, relatou.
Segundo ele, os trabalhadores também enfrentariam dificuldades para cobrar uma posição da empresa. “Quando a gente vai cobrar o gestor, ele ainda acha ruim porque estamos cobrando. Existe até ameaça de colocar o funcionário para fora. Dizem para a pessoa pedir as contas e acabou”, afirmou.
Carlos disse ainda que, durante a mobilização, os trabalhadores receberam a informação de que o pagamento seria realizado posteriormente, mas decidiram não aceitar a situação. “Disseram que iam pagar a cesta, mas o pessoal não concordou. A gente não vai aceitar isso sozinho. Se não pagar, vamos protocolar o pedido para fazer uma greve”, declarou.
Sobre o atraso mais recente, o funcionário afirmou que o pagamento deveria ter sido realizado anteriormente, mas uma nova data teria sido apresentada pela empresa. “Era para pagar no dia 5. Por causa do feriado, o correto seria na sexta-feira, mas agora colocaram para a próxima sexta. A gente não aguenta mais esperar”, disse.
A funcionária Rose também relatou que os atrasos não são recentes e que a situação vem sendo enfrentada há anos. “Eu também estou com o salário atrasado. Isso vem acontecendo há muitos anos, não é a primeira vez. A gente entra em acordo com ele, ele fala que vai dar uma data para pagar, mas não cumpre. Aí ficamos em uma situação difícil, porque temos contas para pagar”, afirmou.
Para Rose, a ausência de um representante da empresa no local agrava ainda mais o problema. “Eu acho que é uma falta de respeito com os funcionários. Se a empresa é responsável, ela tem que vir aqui dar uma satisfação. Não ficar falando pelo telefone. A gente está aqui buscando uma resposta. Não queremos esperar até sexta-feira porque ele não cumpre a palavra. Já estamos cansados de ele dar uma data e não cumprir. Eu quero o meu salário. Eu só trabalho com o meu salário na conta”, declarou.
A funcionária também afirmou que, diante do atraso, os trabalhadores não estariam em condições de manter normalmente suas atividades. “Hoje não temos condições de trabalhar. Como eu falei, eu só trabalho se o meu dinheiro entrar na conta. Fora isso, vou cruzar os braços, como já estamos fazendo aqui”, disse.
Outra funcionária, Marisa, também participou da mobilização e fez um apelo para que a empresa responsável pelo restaurante regularize os pagamentos. “Eu estou precisando do responsável daqui do Restaurante Popular, porque nosso salário está atrasado. Ele quer que a gente trabalhe até sexta-feira, mas estamos cheios de contas para pagar e sem receber nada. Todo mês é sexta-feira, sexta-feira, e a gente cheio de contas”, afirmou.
Segundo ela, alguns trabalhadores enfrentam dificuldades ainda maiores por dependerem do salário para despesas básicas. “Tem gente aqui que mora de aluguel e ele não quer cumprir os compromissos. Está tudo atrasado, sem um centavo na conta. Ele está tirando onda com a gente. A gente já cansou. Eu preciso do meu salário para pagar minhas contas. Tenho três filhos para dar comida”, relatou.
Além dos atrasos salariais, um trabalhador identificado como Pedro Henrique afirmou que está trabalhando no restaurante desde fevereiro sem ter sido registrado formalmente. “Eu entrei no dia 6 de fevereiro aqui e, até hoje, estou sem carteira assinada. Estou trabalhando junto com o pessoal e vivendo a mesma situação de sempre. Todo mês é a mesma burocracia para poder receber o salário. A gente precisa esperar porque dizem que o pagamento ainda não caiu”, contou.
De acordo com Pedro Henrique, a justificativa apresentada pela empresa para a ausência do registro seria a perda da licitação para prestação do serviço. “Falaram que agora não adiantaria mais assinar porque a empresa perdeu a licitação. Aí estamos esperando para ver o que vai ser resolvido”, afirmou.
O trabalhador demonstrou preocupação com a situação e com os direitos que podem estar sendo comprometidos enquanto permanece sem registro. “Enquanto isso, nossos direitos e os riscos que corremos desenvolvendo a atividade ficam à mercê. Essa é a situação de todos os que trabalham aqui”, declarou.
Situação será discutida no Ministério Público
O Sintercoba afirma que pretende utilizar a audiência marcada para o dia 17 de setembro como uma tentativa de buscar uma solução para os problemas apontados pelos trabalhadores. Entre as reivindicações estão a regularização dos salários, férias e demais direitos trabalhistas. Caso não haja acordo, o sindicato poderá adotar os procedimentos necessários para convocação de uma greve, conforme informou Ednaldo Garcia.
A mobilização desta quarta-feira representa, segundo o sindicato e os trabalhadores, um alerta à empresa responsável pelo restaurante. Os funcionários afirmam que os atrasos recorrentes têm provocado dificuldades financeiras e desgaste entre a categoria, que cobra uma solução definitiva para a situação.
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