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Bahia Acidente grave

Cantor que perdeu as pernas em acidente avalia retorno aos palcos: “Fico me perguntando como é que eu vou me comportar”

Robert Astro, de 25 anos, teve as duas pernas amputadas após ser prensado entre carros em um acidente, em Serrinha. Em casa desde a última semana, ele conta como tem enfrentado a nova rotina.

09/09/2026 09h20
Por: Karoliny Dias Fonte: g1 Bahia
Cantor Robert Astro tem 25 anos e mora em Teofilândia onde vive da música — Foto: Redes Sociais
Cantor Robert Astro tem 25 anos e mora em Teofilândia onde vive da música — Foto: Redes Sociais

Enquanto se recupera do acidente sofrido em Serrinha, a 70 km de Feira de Santana, o cantor Robert Astro reflete sobre a retomada da carreira. O jovem músico de 25 anos precisou amputar as duas pernas após ter sido prensado entre dois carros, no dia 23 de agosto.

De alta médica e em casa, em Teofilândia, desde a última semana, ele concedeu entrevista à TV Subaé. Ao comentar os planos para o futuro, admitiu que tem se questionado sobre como será a adaptação para continuar fazendo shows.

"Agora vão ser algumas coisas diferentes. Bate aquela dúvida de como é que eu vou me adaptar na sociedade. Por exemplo, a questão dos shows. Como é que vai ser fazer shows que não vão ser com minhas próprias pernas? Eu fico me perguntando como é que eu vou me comportar no palco".

Apesar das incertezas, o cantor diz que o sonho de viver da música permanece. O objetivo, segundo ele, é ser reconhecido como artista e proporcionar uma vida melhor aos pais, que sempre apoiaram sua trajetória.

Fé e família como suportes

Para enfrentar a recuperação, Robert conta com uma rede de apoio formada por familiares e amigos. Ele foi recebido com festa em Teofilândia, quando deixou o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), em Feira de Santana.

"Fortalece demais. Saber que eu não estou sozinho. Desde o primeiro dia que eu cheguei até hoje, sempre tem gente que vem aqui para a gente conversar", afirmou.

A música também ganhou um novo significado durante o período de recuperação. "Quando eu estou triste, eu gosto de ouvir música. Se estou feliz, vou cantar. Ligo ali e fico cantando no meu quarto. Então é basicamente isso: terapia".

Outro aliado do artista é a fé. Ele diz que se lembra do acidente a todo momento, mas busca demonstrar gratidão por ter sobrevivido.

"Eu acordo já agradecendo a Deus pela vida. Depois de tudo que aconteceu, o susto foi grande e, graças a Deus, eu estou vivo".

Relembre o acidente

Robert sofreu o acidente após sair de um evento onde faria participação no show de um amigo, na Rua Araci, no bairro Cidade Nova, em Serrinha. Ao se aproximar da calçada, onde havia veículos estacionados, ele foi atingido por uma caminhonete que bateu na traseira de um dos carros e o prensou.

O cantor foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e levado inicialmente para o Hospital Municipal de Serrinha. Depois, foi transferido para o HGCA, em Feira de Santana.

A mãe do cantor, Valdelice Astro, contou que ficou em choque ao ver o filho na UTI após o procedimento. "Ele só respirava daqui para cima, bem ofegante, com a respiração bem fraca. Eu pegava na mão dele e falava: 'Filho, acorda. Você é meu porto seguro'", relatou.

Durante uma das visitas, ela percebeu os primeiros sinais de reação de Robert. Segundo a mãe, ele apertou a mão dela quando foi estimulado, começou a lacrimejar e tentou abrir os olhos. "Eu falava: 'Aperta minha mão'.Ele começou a lacrimejar, começou a abrir o olho e tentava falar: 'Minhas pernas, minhas pernas'".

Trajetória

Robert começou a cantar ainda na escola, por volta de 2019, quando cursava o ensino médio. Inicialmente, fazia apresentações em eventos escolares e começou a publicar vídeos nas redes sociais.

Com a pandemia, participou de transmissões ao vivo e, depois do período de restrições, decidiu transformar a música em um projeto profissional. As publicações no Instagram ajudaram a divulgar o trabalho e renderam convites para apresentações em eventos particulares e públicos.

"Depois que passou a pandemia foi que eu comecei o projeto. Eu falei assim: 'Vou montar um projeto aqui. Vamos fazer, vamos tocar, vamos fazer uns eventos'. Aí eventos privados deram certo", contou.

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