O Ministério Público Federal (MPF) pediu ao Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) o indeferimento do registro de candidatura de Kléber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha, que tenta disputar as eleições de 2026 pelo Avante. A manifestação foi assinada pelo procurador regional eleitoral Cláudio Gusmão e apresentada como alegações finais no processo de registro de candidatura.
No documento, o MPF sustenta que as provas reunidas em ações penais relacionadas às operações El Patrón e Estado Anômico reforçam os argumentos apresentados anteriormente na ação de impugnação. Para a Procuradoria Regional Eleitoral, o parlamentar não teria aptidão para exercer a capacidade eleitoral passiva em razão da incidência do artigo que veda a utilização de organização paramilitar por partidos políticos.
A manifestação cita decisões recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para sustentar que a proibição pode alcançar integrantes de organizações criminosas com características paramilitares, independentemente da existência de condenação criminal definitiva. Segundo o MPF, o entendimento busca impedir que grupos criminosos interfiram direta ou indiretamente no processo eleitoral e comprometam a liberdade de escolha do eleitor.
De acordo com a documentação incorporada ao processo, Galinha é apontado em denúncia como líder de uma organização criminosa estruturada e permanente, com características de milícia armada. A investigação conduzida pela Polícia Federal apurou suspeitas relacionadas a lavagem de dinheiro, extorsão, jogo do bicho, agiotagem, receptação e outros crimes na região de Feira de Santana e municípios vizinhos.
O MPF destaca ainda que a estrutura investigada teria diferentes núcleos, incluindo setores financeiro, de receptação e armado. Conforme descrito nos autos, integrantes do grupo seriam responsáveis pela gestão de recursos, cobrança de dívidas mediante violência ou ameaça e segurança pessoal da liderança. A Procuradoria afirma que as investigações apontaram continuidade das atividades mesmo após a deflagração da Operação El Patrón.
Outro ponto destacado é a movimentação financeira atribuída ao candidato. Relatórios citados na manifestação apontam que o deputado baiano teria movimentado mais de R$ 15 milhões líquidos, além de possuir 12 propriedades sem lastro financeiro formal identificado para a aquisição, segundo as análises apresentadas pela Receita Federal e pela investigação policial.
Apesar das acusações, o próprio MPF ressalva que a discussão eleitoral não representa antecipação de condenação criminal nem afastamento da presunção de inocência. O argumento central, segundo a Procuradoria, é a necessidade de proteger o processo eleitoral contra eventual influência de organizações criminosas. Ao final, o procurador regional eleitoral Cláudio Gusmão reafirmou o pedido para que a impugnação seja julgada procedente e o registro de candidatura de Binho Galinha seja indeferido. A defesa do parlamentar ainda não se manifestou sobre o parecer.
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