Enquanto o Brasil debate a redução da jornada de trabalho, com propostas para diminuir o limite de horas semanais, diversos países já testaram ou implementaram modelos semelhantes. As experiências internacionais oferecem um panorama dos possíveis impactos na produtividade das empresas e no bem-estar dos trabalhadores, com resultados que variam conforme o setor e a cultura local.
A discussão não é nova e ganhou força globalmente após a pandemia de Covid-19, quando modelos de trabalho mais flexíveis se tornaram uma realidade para milhões de pessoas. Projetos-piloto e novas legislações mostram que a diminuição das horas trabalhadas pode, em muitos casos, vir acompanhada de ganhos para todos os lados.
Resultados na Europa
O Reino Unido realizou um dos maiores testes do mundo sobre a semana de quatro dias. O projeto, conduzido em 2022, envolveu cerca de 60 empresas e, ao final de seis meses, os resultados apontaram que 92% delas decidiram manter o novo modelo. Os benefícios relatados incluíram a redução do estresse e do esgotamento (burnout) entre os funcionários, além de uma queda de 65% nos dias de licença médica. A receita das empresas participantes manteve-se estável durante o período.
Na Islândia, testes realizados entre 2015 e 2019 com trabalhadores do setor público foram tão bem-sucedidos que levaram sindicatos a renegociarem os padrões de trabalho. Atualmente, a maioria da força de trabalho do país tem direito a uma jornada reduzida. Os estudos locais concluíram que a produtividade foi mantida ou até melhorou na maioria dos locais, com uma melhora notável no equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Outros países europeus também avançam com iniciativas parecidas. Portugal e Espanha, por exemplo, implementaram projetos-piloto financiados pelo governo para incentivar empresas a testarem a semana de 32 horas sem corte salarial.
Como funciona na América Latina
Na América Latina, o Chile tornou-se um exemplo pioneiro. Em 2023, o país aprovou uma lei que reduz a jornada de trabalho de 45 para 40 horas semanais. A implementação será gradual, com um prazo de cinco anos para que todas as empresas se adaptem integralmente à nova regra. O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores e modernizar as relações de trabalho, seguindo a tendência de nações mais desenvolvidas.
As experiências mostram que o sucesso da redução da jornada depende de planejamento e foco em eficiência. As empresas que adotaram o modelo precisaram otimizar processos, reduzir reuniões desnecessárias e usar a tecnologia para manter a produtividade. Embora os resultados sejam majoritariamente positivos, a adaptação ainda é um desafio para setores que dependem de trabalho presencial contínuo, como saúde e varejo.
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