Foto: Boca de Forno News
O Governo da Bahia autorizou, nesta sexta-feira (28), a segunda etapa das obras de requalificação do Centro Industrial do Subaé (CIS), em Feira de Santana. A nova fase prevê a recuperação de 5,4 quilômetros do arruamento interno do complexo industrial, além de intervenções de micro e macrodrenagem no entorno. O investimento total destinado às duas etapas chega a R$ 46 milhões.
A ordem de serviço foi assinada com a presença do secretário estadual de Infraestrutura, Saulo Filinto Pontes, do secretário de Desenvolvimento Econômico, João Carlos Oliveira, de representantes do setor empresarial e do presidente do Centro das Indústrias de Feira de Santana (CIFS), Geraldo Pires.
Saulo Pontes - Foto: Boca de Forno News
A primeira etapa da intervenção já havia recuperado oito quilômetros de vias internas do CIS. Com a nova fase, serão alcançados 13,4 quilômetros de vias requalificadas. Segundo o secretário Saulo Pontes, a previsão é de que os serviços sejam concluídos em até 15 meses. “Na primeira etapa, nós concluímos a recuperação do arruamento interno do Centro Industrial de Subaé, oito quilômetros, e agora estamos dando ordem de serviço por mais 5,4 quilômetros. Um total de 13,4 quilômetros, com um investimento total de R$ 46 milhões”, explicou.
Além da pavimentação, a segunda etapa terá como diferencial a execução de obras de drenagem. Conforme o secretário, serão realizadas intervenções de microdrenagem dentro do Centro Industrial e parte da macrodrenagem do entorno, medida considerada fundamental para aumentar a durabilidade da pavimentação e reduzir problemas provocados pelas chuvas. “Esses 5,4 quilômetros que nós estamos dando hoje contemplam também não somente a recuperação da microdrenagem do Centro Industrial, como também uma parte da macrodrenagem do entorno”, destacou Saulo.
A estratégia adotada pelo Governo do Estado, segundo ele, leva em consideração que muitos centros industriais foram implantados há décadas e precisam de intervenções estruturais para acompanhar o crescimento econômico e a expansão das empresas instaladas.
Saulo Pontes ressaltou ainda que a requalificação das vias tem impacto direto na logística das indústrias, uma vez que melhora o acesso de caminhões e carretas e pode reduzir custos relacionados ao transporte de matérias-primas e produtos. “Você não é somente a manutenção. Você também tem que melhorar a acessibilidade. Quando o estado faz esses investimentos, você não apenas mantém as indústrias que existem, porque facilita o custo do transporte, chega mais barato, como também cria incentivo para novas indústrias”, afirmou.
O secretário também destacou que o impacto da obra ultrapassa os limites de Feira de Santana. Segundo ele, a cidade exerce uma função estratégica como centro de serviços e polo econômico regional, beneficiando municípios de diferentes territórios da Bahia. “Com isso, você gera emprego não somente para Feira, mas para toda a região do Portal do Sertão, do Território do Portal do Sertão. Feira de Santana está localizada aqui e, com isso, a economia de Feira, como centro de serviço regional, tem uma abrangência para toda a região”, disse.
Saulo Pontes informou ainda que os investimentos estaduais no Portal do Sertão já alcançam aproximadamente R$ 460 milhões, considerando obras executadas e intervenções em processo de licitação. “Os investimentos no estado da Bahia, aqui no Portal do Sertão, já atingem hoje, entre obras executadas e em licitação, R$ 460 milhões. Estou falando aí de quase meio bilhão de reais investidos em três anos e oito meses aqui na região de Feira de Santana”, afirmou.
Polo de atração de investimentos
João Carlos Oliveira - Foto: Boca de Forno News
O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, João Carlos Oliveira, destacou a importância da requalificação para a atividade industrial e afirmou que empresários consultados durante a visita foram unânimes em reconhecer a necessidade da intervenção. “Eu fico extremamente feliz porque os empresários que nós dialogamos agora de manhã foram unânimes em mostrar a importância e a autorização dessa obra, aliás, da segunda etapa”, declarou.
João Carlos ressaltou que o fluxo intenso de carretas no Centro Industrial exige uma infraestrutura adequada e que a inclusão da drenagem demonstra uma preocupação não apenas com o tráfego, mas também com a sustentabilidade e a preservação da estrutura para os próximos anos. “No Centro Industrial você tem um tráfego, às vezes, intenso de carretas e que precisam realmente de uma qualificação, uma requalificação. E o que nós observamos é que a Secretaria de Infraestrutura do Governo do Estado também se preocupou com a micro e macrodrenagem. Portanto, uma obra que não só melhora o tráfego, mas, sobretudo, uma obra também pensada na questão ambiental e para o futuro”, afirmou.
Para o secretário, a localização estratégica de Feira de Santana faz do município um dos principais pontos de atração de investimentos do estado. “Feira de Santana é um município catalisador de indústria, catalisador econômico do estado. Quando a gente desenvolve qualquer ação voltada para captação de investimento, especialmente para captação do polo industrial, nós temos que dar as condições para o empresário”, explicou.
João Carlos também destacou que, além dos incentivos fiscais oferecidos pelo Estado, é necessário garantir infraestrutura para que novas empresas tenham interesse em se instalar no município. “Além de incentivos fiscais para a vinda deles, nós temos que também proporcionar essas condições de infraestrutura, que é o que nós estamos fazendo aqui hoje”, disse.
O secretário citou ainda programas estaduais de incentivo, como o Desenvolve, que permite às empresas pleitearem benefícios fiscais, e afirmou que a estratégia do Governo da Bahia envolve a combinação entre incentivos econômicos e investimentos em infraestrutura.
Desenvolvimento econômico e transição energética
Durante a entrevista, João Carlos também abordou a política de desenvolvimento econômico da Bahia e afirmou que o Estado mantém uma estratégia de diversificação das atividades produtivas. Segundo ele, a Bahia atualmente lidera a geração de empregos no Nordeste e também se destaca na produção de energia renovável, especialmente nos segmentos de energia eólica e solar. “É o estado que mais gera emprego no Nordeste hoje e lidera o desenvolvimento econômico do Nordeste, mas estamos também preocupados com a questão ambiental, com a transição energética”, afirmou.
Foto: Boca de Forno News
O secretário citou como exemplo novos investimentos no setor de energia e biocombustíveis, incluindo uma empresa que está se instalando em Luís Eduardo Magalhães para produzir etanol a partir do milho. “Para vocês terem uma ideia, a Bahia hoje é líder de energia renovável, energia eólica, energia solar. Várias empresas nessa área de transição energética estão vindo para a Bahia”, destacou.
Segundo João Carlos, o aproveitamento dos resíduos do processo de produção também faz parte da estratégia de desenvolvimento sustentável. “Uma empresa lá em Luís Eduardo Magalhães vai produzir etanol a partir do milho, mas não é só produzir etanol. Aquela parte do milho que não foi utilizada para produção de etanol vai servir de alimento para bovino”, explicou.
O secretário ressaltou ainda a diversidade da economia baiana, que reúne atividades industriais, comerciais, de serviços, turismo, agronegócio e agricultura familiar. “A Bahia tem uma economia diversificada e dinâmica. Nós temos 417 municípios e todos esses municípios têm alguma atividade de produção, pode ser indústria, comércio, serviço e turismo, a questão do agronegócio, agricultura familiar. E nós estamos, na Secretaria de Desenvolvimento, incentivando todas essas ações”, afirmou.
Simples Nacional
João Carlos também foi questionado sobre a antecipação para setembro de uma definição relacionada ao Simples Nacional. O secretário afirmou que a proposta discutida com o setor empresarial tem como objetivo facilitar processos e reduzir a burocracia. “É uma proposta discutida com o empresariado. A gente entende que ela facilita, desburocratiza”, declarou.
Obra dividida em etapas
De acordo com Saulo Pontes, o projeto de recuperação do CIS foi planejado inicialmente em três etapas. A estratégia, porém, foi alterada para antecipar intervenções consideradas importantes, especialmente na área de drenagem. “Nós dividimos, até na reunião com os empresários, há um ano e pouco, dois anos atrás, em três etapas. Mas a última etapa seria exatamente o arruamento, cinco quilômetros e meio. Na realidade, a gente ia deixar para o final e vamos fazer primeiramente a segunda etapa, a macrodrenagem. Mas antecipamos e vamos fazer a ordem de serviço hoje, já incluindo a macrodrenagem e os 5,4 quilômetros que faltam do arruamento interno”, explicou.
O secretário afirmou que a nova intervenção contempla todas as ruas que ainda necessitam de recuperação dentro do complexo. “Não. Aí estão todas as ruas que necessitam. Na realidade, nós dividimos até em três etapas”, disse.
Saulo também citou outras obras de infraestrutura realizadas pelo Estado em diferentes polos industriais da Bahia, mencionando intervenções em Luís Eduardo Magalhães, Barreiras, Vitória da Conquista e Jequié, além do projeto em andamento para Juazeiro.
Problemas antes da requalificação
Geraldo Pires - Foto: Boca de Forno News
O presidente do CIFS, Geraldo Pires, lembrou que a situação das vias antes da primeira etapa da obra era marcada por buracos e grandes poças de água, o que prejudicava a circulação de caminhões, carretas, carros e motocicletas. “Foi feita uma primeira etapa onde fizeram uma micro e uma macrodrenagem muito boa. Com isso, depois das chuvas, a gente viu que melhorou bastante”, afirmou.
Segundo Geraldo, os problemas nas vias chegaram a provocar acidentes e danos aos veículos que transportavam matérias-primas para as empresas instaladas no Centro Industrial. “Nós tinhamos muitos buracos lá, poças d’água enormes e, com isso, aconteciam acidentes, danificavam carreta, caminhões que iam levar matéria-prima para as indústrias, além do transporte do próprio funcionário. Carros e motos também sofriam acidentes por conta de buracos na pista”, relatou.
Para ele, além de melhorar a logística, a requalificação mudou a aparência do complexo e pode contribuir para a atração de novos empreendimentos. “Além de ficar a logística de todos, embeleza também, dá uma outra cara ao nosso Centro Industrial, porque até para atração de novas empresas, de novas indústrias, isso é importante”, afirmou.
A assinatura da ordem de serviço ocorreu no próprio CIFS a pedido da empresa vencedora da licitação, a Maza. Geraldo explicou que a escolha do local também representa o reconhecimento da parceria institucional entre o centro industrial, o Governo do Estado e a empresa responsável pela execução dos serviços. “A empresa vencedora, Maza, pediu que fizesse essa assinatura aqui no CIFS, reconhecendo o apoio institucional que o CIFS dá para as empresas e para a própria construtora também. É uma parceria que a gente faz”, explicou.
O presidente também destacou que o levantamento realizado anteriormente pelo CIFS foi utilizado como base para o planejamento das intervenções. “Nós fizemos lá atrás um levantamento de tudo que precisava em todo o Centro Industrial. O Fábio, que era o anterior a mim, o presidente, fez esse levantamento, o qual foi muito importante para o Estado, para a SEINFRA calcular e melhorar, para fazer essa reforma”, disse.
Infraestrutura, energia, água e licenciamento
Apesar dos avanços com a requalificação das vias, Geraldo Pires afirmou que o CIFS ainda possui outras demandas relacionadas à infraestrutura e ao funcionamento das empresas. Segundo ele, uma das questões que vem sendo acompanhada é o fornecimento de energia elétrica, com ações realizadas pela Coelba, incluindo poda de árvores e revisão da rede. “Sempre trabalhamos com a Coelba também. A Coelba melhorou muito, fez poda de árvores e deu uma revisão geral também na parte elétrica”, afirmou.
O presidente também citou a necessidade de articulação com a Embasa para atender empresas que ainda precisam de abastecimento de água, além da Prefeitura de Feira de Santana para agilizar processos de licenciamento. “Nós temos cobrando também. É necessário que alguma empresa que ainda necessite de água, a gente vai à Embasa também. A Prefeitura, que tem que também… a gente procura sempre a Prefeitura para agilizar essas licenças”, explicou.
Geraldo destacou ainda a parceria com o Corpo de Bombeiros e anunciou que está prevista uma atividade no próximo mês para orientar empresas sobre procedimentos e licenças. “Então, demandas são essas: infraestrutura e uma força para adiantar nessa parte de licença. A gente vem trabalhando também em conjunto com o Corpo de Bombeiros. Vai ter até um evento aqui mês que vem, onde vai estudar orientação geral”, afirmou.
Para o presidente do CIFS, a questão dos licenciamentos merece atenção porque pode representar um entrave para a instalação e expansão de empresas. “Essa parte de licenças é uma coisa que às vezes trava a empresa também”, concluiu.
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