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Governo se prepara para impactos do El Niño na saúde até 2027

Governo prevê período crítico entre outubro de 2026 e março de 2027.

29/08/2026 08h43
Por: Karoliny Dias Fonte: A Tarde
El Niño pode atingir nível ‘muito forte’ e preocupa governo brasileiro - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
El Niño pode atingir nível ‘muito forte’ e preocupa governo brasileiro - Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O Brasil criou um plano de preparação para enfrentar possíveis impactos do El Niño na saúde até 2027. O fenômeno está classificado como “forte” e pode atingir o nível “muito forte” já em setembro, segundo o Plano Setorial de Saúde - AdaptaSUS, apresentado pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira, 26.

A previsão do governo é de que o período mais crítico ocorra entre outubro deste ano e março de 2027. O planejamento reúne medidas para preparar o Sistema Único de Saúde (SUS) diante de eventos climáticos que podem aumentar a ocorrência de doenças, mortes e a demanda por atendimento.

O El Niño é um fenômeno natural provocado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A alteração interfere na circulação dos ventos e nos padrões de chuva em diferentes partes do planeta.

O que o El Niño pode provocar no Brasil

Os impactos previstos não serão iguais em todas as regiões brasileiras. O AdaptaSUS considera diferentes cenários de acordo com as características climáticas de cada área.

No Norte e no Centro-Oeste, a previsão aponta para seca, estiagem e aumento das queimadas. No Nordeste, o fenômeno pode aprofundar a seca e elevar as temperaturas.

Já no Sudeste, a tendência é de maior irregularidade climática, com ondas de calor e temporais distribuídos de maneira desigual. No Sul, a previsão é de chuvas intensas e risco de inundações.

Segundo o plano, essas alterações podem aumentar a ocorrência de doenças relacionadas a extremos de temperatura, problemas respiratórios, doenças transmitidas por vetores e zoonoses, além de enfermidades associadas à falta de água, saneamento e higiene.

Também estão entre os possíveis impactos lesões e mortes provocadas por eventos climáticos extremos, desnutrição, doenças não transmissíveis e problemas de saúde mental e psicossocial.

“O principal risco para a saúde e para os serviços de saúde relacionados à mudança do clima é o potencial de aumento da ocorrência de doenças (morbidade), de óbitos (mortalidade), e de ampliação da demanda pelos serviços de saúde”, afirma o plano.

Governo prepara resposta para emergências climáticas

O AdaptaSUS estabelece cinco frentes de preparação para os possíveis efeitos do fenômeno. Entre elas está a criação de uma Sala de Situação de Emergências Climáticas para fortalecer a articulação entre os diferentes níveis de governo.

O plano também prevê uma Sala de Situação Saúde e Clima, recursos e kits emergenciais de assistência farmacêutica e a atuação da Força Nacional do SUS (FN-SUS).

As bases regionais da Força Nacional terão capacidade de deslocar equipes em até 48 horas. O planejamento também determina a organização de serviços e protocolos técnicos de acordo com as características de cada bioma.

No médio prazo, o AdaptaSUS estabelece 27 metas e 93 ações a serem cumpridas até 2035.

Cisternas estão entre as medidas previstas

Entre as iniciativas relacionadas à segurança hídrica em regiões afetadas por seca e estiagem está a contratação, pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), de 18,8 mil cisternas.

Os equipamentos serão destinados a 397 municípios de sete estados. O investimento previsto é de R$ 226,6 milhões para ações de melhoria sanitária.

Na Amazônia, o planejamento considera ainda as dificuldades de acesso a determinadas áreas. A estratégia prevê medidas para organizar a rede de atendimento e ampliar a estrutura disponível, incluindo equipes de saúde e Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF).

Monitoramento reúne diferentes sistemas

O Ministério da Saúde também utilizará ferramentas de monitoramento climático para acompanhar situações que possam representar riscos à população.

Entre elas estão o Painel Nacional de Excesso de Calor, o VigiAR, voltado à vigilância de populações expostas a poluentes atmosféricos, e o GeoRisk, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

O AdaptaSUS prevê ainda a integração de sistemas utilizados pelo Ministério da Saúde para identificar, registrar e investigar surtos e outros problemas de saúde pública, como e-SUS Notifica, Sivep-Gripe e Sinan.

Outra medida será a criação de um painel de especialistas em clima e saúde. O grupo deverá fornecer suporte técnico para decisões relacionadas à preparação e à resposta do governo diante dos impactos dos eventos climáticos.

Mudanças climáticas também afetam os serviços

Além dos efeitos diretamente relacionados à saúde da população, o governo considera que eventos climáticos extremos podem comprometer a própria estrutura do sistema de saúde.

O plano aponta riscos como aumento da procura por atendimento, emergências de saúde pública, interrupção de serviços e danos à infraestrutura dos estabelecimentos de saúde.

A estratégia foi apresentada durante a 7ª Assembleia do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), em Brasília. O AdaptaSUS integra o Plano Clima Adaptação do governo federal, elaborado com a participação de 25 ministérios, além de contribuições da sociedade civil, do setor empresarial e da comunidade.

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