O banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento nesta sexta-feira à Polícia Federal (PF). Essa foi a primeira vez neste ano que Vorcaro falou oficialmente à corporação. O dono do Banco Master aproveitou a oportunidade para demonstrar a intenção de fazer um acordo de colaboração premiada com a PF - trata-se da terceira tentativa do empresário nesse sentido.
Em nota, a defesa de Vorcaro informou que ele respondeu a todas as perguntas dos delegados "de forma clara e consistente", sem deixar "qualquer indagação sem esclarecimento". Os advogados Sérgio Leonardo e Daniel Bialski também disseram que ele pode prestar esclarecimentos "mais amplos e aprofundados sobre os fatos, desde que seja efetivamente assegurada a possibilidade de colaborar".
A PF já rejeitou duas propostas de delação feitas pela defesa de Vorcaro. Os investigadores consideraram que os anexos entregues pelo banqueiro careciam de provas e eram "insuficientes" para trazer elementos novos às apurações. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também seguiu a mesma orientação da PF.
Preso desde março, Vorcaro passou as últimas semanas discutindo estratégias para convencer os investigadores a seguirem com a delação, que tem potencial de aliviar a sua pena caso ele seja condenado. Com o acordo, o banqueiro também busca conseguir uma blindagem para os seus familiares. O pai, o cunhado e o primo de Vorcaro estão detidos preventivamente no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura as fraudes financeiras praticadas pelo Master.
Vorcaro falou aos investigadores da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como "Papudinha", onde ele está recluso desde junho - antes ele passou pelas celas da Superintendência da PF no Distrito Federal e na pentenciária federal de Brasília.
A oitiva ocorreu por videoconferência após ter sido adiada por duas vezes, uma porque a defesa do dono do Banco Master pediu mais tempo para acessar os autos; e outra porque o sistema de videoconferência teve problemas de sinal.
O depoimento foi marcado pela PF para que o banqueiro desse explicações sobre a articulação dele junto a ex-diretores do Banco Central na tentativa de impedir que o Master fosse liquidado, o que acabou acontecendo em novembro de 2025.
Segundo as investigações, dois ex-diretores do BC atuaram como "consultores" e "empregados" do banqueiro, orientando-o como ele deveria proceder a questionamentos feitos pela instituição financeira.
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