Foto: Boca de Forno News
Enquanto o debate sobre alimentação saudável ganha cada vez mais espaço, um hábito tradicional continua firme nas ruas de Feira de Santana: o café da manhã comprado nas bicicletas cargueiras. Logo nas primeiras horas do dia, trabalhadores de diferentes profissões fazem fila em busca de um pastel, uma coxinha ou um hambúrguer antes de seguir a rotina. Para muitos, a escolha passa menos pelo cardápio e mais pela praticidade, pelo preço e pelo costume de anos.
Há 25 anos vivendo da venda de lanches, Jonas de Oliveira Monteiro conhece de perto a realidade de quem acorda cedo para trabalhar. Desde 1997, ele percorre as ruas da cidade levando alimentos preparados por fornecedores parceiros e afirma que, mesmo com as mudanças nos hábitos alimentares, o movimento continua forte. “Eu vendo pastel de carne, de frango, coxinha, enroladinho, hambúrguer e vende tudo”, conta.
Parado atualmente na Avenida João Durval Carneiro, Jonas explica que seu principal público é formado por motoboys, motoristas de aplicativo e trabalhadores que precisam de uma refeição rápida antes do expediente.
Segundo ele, o sucesso das vendas faz com que, muitas vezes, a bicicleta fique praticamente sem mercadorias ainda nas primeiras horas da manhã. “Geralmente é assim todo dia. O pessoal já conhece e vem comprar cedo”, afirma.
Apesar da fidelidade dos clientes, permanecer em um mesmo local nem sempre é fácil. Jonas relata que já precisou mudar de ponto diversas vezes por causa de reclamações relacionadas ao comércio ambulante. “Antes eu vendia rodando. Há uns quinze anos passei a vender parado. Só que aqui mesmo já mudei de lugar umas quatro vezes. Quando começam as reclamações, eu vou para outro ponto e continuo trabalhando".
Foto: Boca de Forno News
Questionado sobre o avanço da alimentação saudável e se isso afetou as vendas, o ambulante garante que há espaço para todos. “Não. Tem gente que prefere uma alimentação mais saudável, mas também tem quem procura o mais barato. Dá para todo mundo vender".
Outro fator que ajuda a manter a clientela é o preço. Cada salgado custa R$ 5 e o combo com suco sai por R$ 7, valor considerado acessível por quem depende desse tipo de refeição diariamente.
Foto: Boca de Forno News
Entre os consumidores está Endrick, que trabalha nas proximidades e faz do lanche uma alternativa para enfrentar a jornada de trabalho. “Eu compro muito pelo valor. São sete reais o suco e a peça. Quando estou com fome, passo aqui, como e já vou trabalhar com a barriga cheia.”
Já Juarez Pereira reconhece a importância da alimentação saudável, mas admite que a correria do dia a dia acaba influenciando as escolhas. “O preço influencia bastante. É bem acessível. Na correria, às vezes, a gente não consegue escolher o que é mais saudável. Come o que está disponível. Depois, quando tem oportunidade, procura cuidar mais da alimentação.”
Em meio às mudanças no comportamento alimentar da população, as bicicletas cargueiras seguem ocupando um espaço importante nas manhãs de Feira de Santana. Mais do que vender lanches, elas representam uma tradição que atravessa gerações, oferecendo uma opção rápida, econômica e capaz de atender quem faz da correria diária parte da própria rotina.
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