
Faltando menos de três meses para o início oficial da campanha eleitoral de 2026, a disputa pelo Governo da Bahia segue marcada pela polarização entre o grupo liderado pelo PT e a oposição comandada por ACM Neto. Apesar da ampla aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre os eleitores baianos, o ex-prefeito de Salvador continua sendo o principal nome da oposição e chega competitivo para mais uma disputa pelo Palácio de Ondina.
A avaliação é do cientista político Joviniano Neto, que analisou o cenário eleitoral e destacou que a divisão política observada atualmente não é recente. "Na Bahia, há bastante tempo, existem dois polos políticos", afirmou. Segundo ele, de um lado está o agrupamento que representa a continuidade do carlismo, de perfil liberal-conservador ou de centro-direita, e, do outro, a base liderada pelo PT, composta por partidos de centro-esquerda.
Para o especialista, ACM Neto chega fortalecido pelo desempenho obtido nas eleições de 2022, quando liderou o primeiro turno e obteve expressiva votação em Salvador e em diversos municípios baianos. "Ele tem o recall da eleição passada, onde ganhou em várias grandes cidades e continua sendo a principal referência desse campo político", observou.
Ao mesmo tempo, Joviniano ressalta que o governo estadual também mantém uma base sólida de sustentação política, especialmente pela força da aliança formada por partidos como PSD, PT, PSB, PCdoB, PV e Avante, além do apoio do presidente Lula. "O maior partido hoje na Bahia é o PSD, que possui forte presença nos pequenos e médios municípios. Isso garante uma capilaridade muito grande ao grupo governista", explicou.
Ao comentar a saída do senador Angelo Coronel da chapa majoritária governista, Joviniano afirmou que o episódio está diretamente ligado à necessidade de o PT ocupar duas vagas ao Senado.
Segundo ele, a decisão de lançar novamente Jaques Wagner e Rui Costa inviabilizou a permanência de Coronel na composição. "O Coronel pertence ao setor mais conservador do PSD e nunca foi um aliado totalmente previsível do governo. Em vários momentos votou conforme suas próprias convicções", destacou.
O cientista político lembrou ainda que o senador assumiu publicamente ter votado em Jair Bolsonaro na eleição presidencial anterior, fato que, segundo ele, enfraqueceu sua posição dentro da aliança governista. Além disso, avaliou que Coronel passou a disputar protagonismo interno com o senador Otto Alencar, principal liderança do PSD na Bahia.
Apesar disso, Joviniano acredita que ainda é cedo para medir o impacto eleitoral da saída do senador. "Ele construiu sua atuação muito voltada ao municipalismo, atendendo prefeitos e municípios por meio de emendas. Ainda não é possível saber quanto dessa base permanecerá ao seu lado", ponderou.
Mesmo diante da possibilidade de uma nova derrota em 2026, Joviniano considera que ACM Neto permanece como o principal líder da oposição baiana.
Questionado sobre possíveis sucessores, o cientista político afirmou que hoje não enxerga nomes com força suficiente para ocupar esse espaço. "Qual é a alternativa? Ele tem a marca ACM, uma estrutura empresarial e de comunicação que o apoia. À primeira vista, não surge outro nome", avaliou.
Segundo ele, João Roma mantém influência junto ao eleitorado bolsonarista, mas ainda não demonstra capacidade de liderar toda a oposição estadual. Já o prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo, foi citado como uma liderança consolidada regionalmente, porém com atuação predominantemente local.
Para Joviniano, a grande dificuldade enfrentada por ACM Neto continua sendo a popularidade de Lula na Bahia. "O principal obstáculo para ele ultrapassar os 50% dos votos é justamente o apoio majoritário que Lula possui entre os baianos", afirmou.
Na avaliação do especialista, esse cenário pode mudar apenas em 2030, quando Lula não deverá mais disputar a Presidência da República.
Embora reconheça o crescimento das redes sociais no debate político, Joviniano acredita que, na Bahia, elas ainda exercem menos influência do que em outras regiões do país.
Segundo ele, o comportamento do eleitor baiano continua fortemente condicionado pelas relações familiares, comunitárias e pelas lideranças locais. "A propaganda não chega sobre um terreno neutro. Ela encontra uma rede de relações pessoais já estruturada", explicou.
O cientista destacou que a Bahia possui 417 municípios, sendo a maioria de pequeno porte, onde o contato direto entre eleitores e lideranças políticas continua exercendo grande peso na definição do voto. "As redes sociais digitais são importantes, mas as redes sociais de pessoas, das relações familiares e comunitárias, ainda pesam muito mais", afirmou.
Ao analisar o cenário presidencial, Joviniano foi categórico ao afirmar que Lula permanece favorito no estado. "Lula vai ganhar a eleição na Bahia. A dúvida é apenas se terá um percentual menor do que obteve anteriormente", declarou.
Segundo ele, existe uma identificação histórica entre o eleitor baiano e o presidente da República, lembrando que Lula venceu todas as disputas presidenciais no estado, inclusive quando foi derrotado nacionalmente.
O cientista também recordou que, nas eleições de 2022, a expressiva vantagem obtida por Lula na Bahia foi decisiva para sua vitória nacional. "A Bahia deu cerca de quatro milhões de votos de vantagem para Lula, enquanto ele venceu a eleição nacional por aproximadamente dois milhões", destacou.
Por fim, Joviniano afirmou que, independentemente do resultado das eleições de 2026, o país deverá iniciar um novo debate político sobre a sucessão do presidente. "No próximo período, o Brasil começará a discutir quem será o nome capaz de suceder Lula dentro do campo da centro-esquerda, já que, até agora, ele continua sendo uma liderança praticamente insubstituível", concluiu.
Com informações do site Tribuna da Bahia
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