A operação de busca e apreensão realizada pela Polícia Federal contra o senador Jaques Wagner (PT-BA) ainda causa repercussões no meio político. O líder do Governo Lula teve a porta do apartamento do parlamentar arrombada e provocou repercussões políticas que chegaram ao Palácio do Planalto. Um dos principais aliados do presidente, o 'galego' baiano foi surpreendido pelos agentes enquanto dormia em sua residência, segundo confirmado pela Tribuna.
Ao perceber a movimentação dos agentes, ele se levantou rapidamente, vestiu-se e colaborou com os policiais durante o cumprimento do mandado judicial. Apesar da postura cooperativa, a forma como a operação foi conduzida gerou irritação no petista, segundo a CNN Brasil, especialmente após a divulgação de imagens do dinheiro em espécie apreendido em um quarto de hotel em Brasília.
Ao todo, a PF recolheu aproximadamente US$ 55 mil e 33 mil euros em endereços ligados ao senador na capital federal e na Bahia. Em entrevista concedida à BandNews, Wagner afirmou que os recursos têm origem legal e correspondem a diárias recebidas do Senado para custear viagens internacionais realizadas no exercício do mandato. Ainda de acordo com o senador, o presidente Lula telefonou após a operação para manifestar solidariedade e aconselhá-lo a apresentar publicamente sua versão dos fatos.
Ao longo do dia, Wagner recebeu manifestações de apoio de autoridades, entre elas o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), além de caciques do PT. Nos bastidores, entretanto, aliados do senador apontaram como sentida a ausência de manifestação pública do ministro da Justiça, Wellington César Lima, considerado historicamente próximo ao ex-governador baiano.
Informações divulgadas pela colunista Natuza Nery indicam que Lula já havia questionado Wagner em outras ocasiões sobre possíveis vínculos com o Caso Master, diante das suspeitas que passaram a atingir integrantes do PT baiano. Segundo fontes do governo, o senador sempre negou qualquer envolvimento irregular.
A atual fase da Operação Compliance Zero apura suspeitas de favorecimento envolvendo o Banco Master e cita a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador, avaliado em R$ 2,45 milhões. A representação da PF sustenta que a compra foi realizada pela empresa Epítome S.A., com recursos oriundos de fundos ligados ao banco, e que Wagner teria encaminhado a Augusto Lima informações sobre o empreendimento. As investigações apontam ainda que tratativas relacionadas ao imóvel continuaram mesmo após as primeiras etapas da operação.
Embora não exista, até o momento, qualquer sinalização oficial sobre eventual mudança na liderança do governo no Senado, integrantes do Planalto admitem que a permanência de Wagner no posto passou a ser tema de debate interno, sobretudo diante do impacto político que o escândalo pode produzir em ano pré-eleitoral. O senador, por sua vez, considera improvável qualquer afastamento, destacando a relação de confiança construída com Lula ao longo de mais de quatro décadas de convivência política.
Vale destacar que o deputado Rogerio Correia (PT-MG) defendeu o afastamento de Wagner do cargo de líder do governo no Senado. Para Rogério Correia, que é vice-líder do governo na Câmara, o parlamentar da Bahia deve se dedicar a esclarecer suspeitas de irregularidades levantadas por investigadores da Polícia Federal.
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