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Nordeste amplia exportações de carne bovina e supera média nacional no primeiro trimestre

Dados fazem parte de análise elaborada pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste.

13/06/2026 08h37
Por: Karoliny Dias Fonte: Bahia.Ba
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O Nordeste registrou crescimento de 51,38% nas exportações de carne bovina no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025, desempenho superior ao avanço de 17% observado no cenário nacional. Entre janeiro e março, a região embarcou 9,4 mil toneladas do produto, consolidando uma trajetória de expansão tanto em volume quanto em faturamento.

Os dados fazem parte de análise elaborada pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao Banco do Nordeste (BNB). O levantamento aponta que o crescimento foi impulsionado pela ampliação dos mercados compradores, pela habilitação de novas plantas frigoríficas e por avanços sanitários em diferentes estados da região.

Entre os destaques aparecem Pernambuco, com alta de 124% nas exportações, Bahia (65%), Ceará (42%) e Maranhão (30%). No mesmo período, as exportações brasileiras foram estimadas em mais de 4,28 milhões de toneladas, equivalentes a 34,6% da produção nacional.

Além do desempenho no comércio exterior, o estudo mostra que o abate de bovinos no Nordeste cresceu 2,96% em relação ao ano anterior. Segundo o Etene, o resultado reflete a expansão dos sistemas semi-intensivos e intensivos de produção, o aumento do uso de tecnologia e a maior integração com regiões produtoras de grãos.

Em estudo assinado pela pesquisadora Kamilla Ribas Soares, o órgão destaca que a pecuária bovina brasileira vive, desde 2025, uma fase de transição marcada pela reversão do ciclo pecuário. O cenário é caracterizado pela retenção de fêmeas, redução gradual da oferta de animais e valorização dos preços do boi gordo e da reposição.

No mercado internacional, apesar do crescimento recente das exportações, o relatório aponta desafios relacionados aos conflitos geopolíticos, às instabilidades logísticas e à adoção de tarifas e cotas por países importadores. Nesse contexto, o estudo ressalta a importância da diversificação de mercados e da agregação de valor aos produtos brasileiros.

As projeções do Etene indicam que o Brasil deverá permanecer como o maior produtor mundial de carne bovina em 2026, respondendo por cerca de 20% da produção global, com estimativa de 12,4 milhões de toneladas. O volume, no entanto, representa uma retração próxima de 2% em relação a 2025, reflexo esperado da redução no abate durante a reversão do ciclo pecuário.

O levantamento também destaca o papel do Banco do Nordeste no financiamento da cadeia produtiva. Entre 2020 e março de 2026, a instituição destinou quase R$ 26 bilhões à bovinocultura de corte com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). Somente em 2025, os investimentos alcançaram aproximadamente R$ 6 bilhões, dos quais 61% foram direcionados para municípios do Semiárido.

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