Foto: Boca de Forno News
O Rio Jacuípe, que há décadas faz parte da paisagem de Feira de Santana sem ser plenamente aproveitado para atividades de lazer e turismo, poderá se tornar o centro de um dos maiores projetos de infraestrutura voltados ao desenvolvimento econômico do interior do país. A Prefeitura de Feira de Santana deu início aos estudos para a implantação do Parque Náutico do Rio Jacuípe, um empreendimento que pretende unir esporte, turismo, preservação ambiental, entretenimento e geração de empregos em uma área de aproximadamente 133 hectares pertencente ao município.
O primeiro passo foi a contratação da Fundação Getulio Vargas (FGV), instituição reconhecida nacionalmente pela elaboração de projetos de grande porte. Caberá à fundação desenvolver toda a modelagem técnica, jurídica, ambiental, econômica e financeira do empreendimento, além de estruturar o edital que permitirá a futura concessão do espaço à iniciativa privada.
A proposta foi apresentada durante solenidade realizada na Prefeitura de Feira de Santana, reunindo autoridades municipais, representantes do setor náutico, empresários e lideranças da sociedade civil. O encontro marcou oficialmente o início dos estudos que deverão orientar todas as etapas do projeto.
Foto: Boca de Forno News
Durante a apresentação, o prefeito José Ronaldo definiu o Parque Náutico como um sonho antigo que começa a sair do papel. Segundo ele, a iniciativa nasceu a partir de inúmeras discussões técnicas e da convicção de que o Rio Jacuípe possui potencial para se transformar em um importante polo de desenvolvimento econômico.
“Alguns sonhos, graças a Deus, estamos conseguindo realizar, e este é um deles. É um projeto corajoso, pensado para mudar a história daquela região do Rio Jacuípe e também da própria Feira de Santana. Contratamos a Fundação Getulio Vargas porque queríamos uma instituição respeitada, capaz de elaborar um projeto sólido e que desperte o interesse de investidores do Brasil e até do exterior”, afirmou.
José Ronaldo destacou que esta etapa ainda corresponde ao planejamento do empreendimento e que a Prefeitura está investindo cerca de R$ 13 milhões na contratação dos estudos especializados. O objetivo é entregar ao mercado um projeto estruturado, capaz de atrair grandes grupos empresariais interessados em investir no município. “O terreno pertence ao município. A proposta é fazer uma concessão para que a iniciativa privada construa e administre o parque. Queremos atrair empresas que tenham capacidade para executar um empreendimento dessa dimensão. Será um espaço público, mas com gestão privada, oferecendo infraestrutura moderna para esporte, lazer, turismo e eventos".
Embora ainda não exista previsão para o início das obras, o prefeito acredita que, após a conclusão dos estudos, o projeto terá condições de disputar investimentos em âmbito nacional. “Estamos apenas dando o pontapé inicial. Primeiro vem o estudo, depois o processo de licitação, a escolha da empresa e, somente então, a construção. É um projeto pensado para o futuro, mas que precisa começar agora".
Estrutura planejada
Foto: Boca de Forno News
O pré-projeto apresentado pela Secretaria Municipal de Planejamento prevê uma ampla estrutura voltada ao lazer e ao turismo. Entre os equipamentos estudados estão marina para embarcações, espaços destinados à prática de esportes náuticos, áreas para jet ski, lanchas e caiaques, restaurantes, estacionamentos, quadras esportivas, campos de futebol, quadras de tênis, espaços para futevôlei, ciclovias, áreas de convivência e uma arena multiuso preparada para receber grandes eventos culturais e shows.
Além das atividades recreativas, a proposta também contempla a preservação ambiental e o uso sustentável das margens do Rio Jacuípe, buscando integrar natureza, esporte e turismo em um único complexo.
O secretário municipal de Planejamento, Carlos Brito, explicou que o projeto nasceu após diversos estudos realizados pela equipe técnica da pasta e amadurecidos em conjunto com o prefeito José Ronaldo.
Segundo ele, Feira de Santana precisa ampliar sua capacidade de atrair investimentos capazes de gerar emprego e renda para os próximos anos. “Feira sempre foi reconhecida pelo comércio e pela localização estratégica, mas também precisa oferecer novos espaços de lazer e convivência. Estamos construindo uma ideia que vai muito além de um parque. É um projeto estruturante que poderá transformar toda aquela região".
Carlos Brito lembrou que o cronograma será longo. Os estudos deverão durar cerca de 18 meses. Em seguida, será realizada a licitação para escolha da concessionária responsável pelas obras e pela administração do complexo. “Esse projeto não foi pensado para uma eleição. Foi pensado para as próximas gerações. Nossa obrigação é preparar Feira de Santana para o futuro".
O secretário também reforçou que, apesar da exploração econômica de restaurantes, eventos e demais serviços pela empresa vencedora da concessão, o parque permanecerá aberto à população. “A comunidade terá acesso livre ao parque. A empresa fará investimentos e explorará os equipamentos comerciais, mas o espaço continuará sendo público.”
Felipe Bittencourt - Foto: Boca de Forno News
O coordenador de projetos da Fundação Getulio Vargas, Felipe Bittencourt, explicou que a fundação realizará um diagnóstico completo antes da elaboração do modelo definitivo.
Os estudos irão analisar quais equipamentos esportivos serão implantados, o porte da marina, a capacidade de navegação do Rio Jacuípe, os impactos ambientais, os custos de implantação, a viabilidade econômica e a estrutura jurídica necessária para garantir segurança aos investidores e ao município. “Vamos reunir estudos técnicos, ambientais, jurídicos e financeiros para construir um projeto sustentável. Também avaliaremos quais equipamentos são mais adequados, quais embarcações poderão operar no rio e como integrar esse espaço à cidade preservando o meio ambiente".
Segundo ele, a localização estratégica de Feira amplia significativamente o potencial do empreendimento. “Feira de Santana é um grande entroncamento rodoviário e possui influência regional. Além disso, a área navegável do Rio Jacuípe envolve aproximadamente quinze municípios, o que amplia a capacidade de atração turística".
Setor náutico
O presidente da Associação Náutica da Bahia, Santiago Campo, afirmou que o projeto representa uma oportunidade inédita para o fortalecimento da economia ligada ao setor náutico no interior do estado.
Ele destacou que ainda existe um equívoco ao associar a náutica exclusivamente ao público de maior renda. “As pessoas pensam que náutica é apenas para ricos, mas não é. Estamos falando de esporte, lazer, pesca esportiva, caiaque, jet ski e atividades acessíveis. Um projeto como esse movimenta restaurantes, hotéis, comércio, segurança, logística, educação e inúmeros serviços".
Segundo Santiago, marinas consolidadas da Bahia empregam centenas de trabalhadores e demonstram o potencial econômico desse segmento. “Quando um gestor entende que a náutica gera emprego e renda, ele passa a enxergar o setor como uma política pública de desenvolvimento".
Hotelaria
Marcelo Alexandrino - Foto: Boca de Forno News
Para o empresário Marcelo Alexandrino, da rede hoteleira e ex-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Feira de Santana (ACEFS), o Parque Náutico poderá criar um novo perfil turístico para o município. “Feira já é muito forte no turismo de negócios, mas faltava um equipamento capaz de atrair visitantes pelo lazer. Esse projeto tem capacidade para fortalecer hotéis, restaurantes, comércio e grandes eventos".
Segundo ele, a futura arena multiuso poderá ampliar a realização de shows e eventos de grande porte, aumentando a permanência de visitantes na cidade. “O feirense sempre sonhou em aproveitar melhor o Rio Jacuípe. Agora esse sonho ganha planejamento, estudos técnicos e uma proposta concreta".
Geração de empregos e desenvolvimento regional
Foto: Boca de Forno News
A expectativa inicial apresentada pela Prefeitura é que o empreendimento gere mais de mil empregos diretos e indiretos entre a fase de construção e a operação do complexo. Além disso, a administração municipal acredita que o parque poderá estimular novos investimentos imobiliários, fortalecer o turismo regional, ampliar a arrecadação e criar um novo eixo de desenvolvimento econômico para Feira de Santana.
Mesmo ainda na fase de estudos, o Parque Náutico do Rio Jacuípe já mobiliza diferentes setores da economia e desperta expectativas sobre o futuro da cidade. Se o cronograma previsto for cumprido, os próximos meses serão dedicados à elaboração da modelagem completa do empreendimento, considerada fundamental para transformar uma antiga área pouco explorada em um dos principais equipamentos turísticos e esportivos do interior brasileiro.
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