Em um mundo onde os principais meios de comunicação tornaram-se digitais, como o WhatsApp, Instagram e Facebook, muitas pessoas deixaram de dar atenção às chamadas telefônicas tradicionais e, em uma humanidade que vive em uma rotina cada vez mais veloz e apressada, detalhes simples que normalmente passariam despercebidos, como uma ligação muda, podem representar um golpe que oferece um grande risco à integridade das pessoas.
Em um cenário geral, é possível perceber uma crescente desse tipo de crime, desde o ano passado. Apesar de a Bahia não apresentar dados ou qualquer estimativa sobre registro desses golpes, as Polícias Civis de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Distrito Federal, por exemplo, já emitiram alertas desde o segundo semestre de 2025.
Esse comportamento gerou uma brecha que, com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), pode resultar em grandes prejuízos financeiros para as vítimas e seus familiares. E é sobre isso que a segunda matéria da série "Uma ameaça foi detectada", elaborada pelo portal, vai tratar nesta terça-feira, 26.
A fraude em questão é o “golpe do telefone mudo”, termo utilizado pelo delegado Felipe Dias, coordenador do Laboratório de Inteligência Cibernética da Polícia Civil da Bahia (Ciberlab).
Ao portal, o delegado explicou que o golpe começa quando os criminosos ligam para o celular da vítima e permanecem em silêncio, esperando para registrar a primeira resposta dela, que geralmente é um simples “alô”. Após a gravação dessa saudação inicial, a ligação é encerrada, e os golpistas passam para a etapa seguinte: a clonagem da voz.
Como funciona a clonagem por IA
De acordo com o coordenador do Ciberlab, o processo envolve o uso de softwares de IA especializados em mimetizar características vocais:
“Os criminosos estão usando a inteligência artificial para simular vozes. Eles capturam a sua voz no momento em que você diz 'alô' e desligam. Depois disso, alimentam a IA com esse registro para treiná-la. A partir daí, conseguem criar diálogos inteiros com o seu tom de voz para aplicar outras fraudes”, alertou Felipe Dias.
O principal objetivo dos criminosos ao clonar a voz de alguém é aplicar golpes de engenharia social, com apelo financeiro contra pessoas próximas à vítima original. Na maioria das vezes, os alvos escolhidos são os próprios familiares.
“O criminoso utiliza a sua voz para parecer que é você pedindo dinheiro, aplicando um golpe que causa danos financeiros a você, aos seus familiares, etc”, explica Felipe Dias.
Assim como na maior parte das fraudes digitais modernas, existem medidas simples de segurança, indicadas pelo delegado, que o cidadão pode adotar para se prevenir:
Caso um familiar receba uma mensagem de áudio ou um telefonema suspeito com um pedido urgente de dinheiro — mesmo reconhecendo perfeitamente a voz do parente —, a orientação é desligar o telefone imediatamente.
Em seguida, o familiar deve fazer uma nova chamada para o número que já possui salvo na agenda para checar se a situação descrita é real ou se trata de uma tentativa de fraude.
O golpe do telefone mudo é uma fraude em que criminosos ligam para a vítima e permanecem em silêncio, registrando sua saudação inicial, geralmente um 'alô'. Eles usam essa gravação para clonar a voz da pessoa e aplicar golpes.
Criminosos utilizam softwares de Inteligência Artificial para capturar a voz da vítima ao dizer 'alô'. Após isso, alimentam a IA com essa gravação, permitindo que simulem diálogos inteiros com a voz clonada.
Os alvos das fraudes são, em sua maioria, familiares próximos da vítima original, com os criminosos se passando pela voz clonada para solicitar dinheiro.
Para se proteger, não responda imediatamente a chamadas de números desconhecidos e aguarde a outra parte se manifestar. Além disso, bloqueie números que fazem chamadas silenciosas repetidamente.
Caso receba um pedido de ajuda financeiro que pareça vir de um familiar, desligue imediatamente e ligue novamente para o número salvo na agenda para confirmar se a situação é real.
*Quem navegava pela internet nos anos 2000 certamente se lembra do susto e do alerta: "Uma ameaça foi detectada". A frase que batiza esta série de reportagens resgata a famosa voz dos antigos antivírus para traçar um paralelo com os dias de hoje. Duas décadas depois, as ameaças mudaram de rosto: os novos golpes agora usam a inteligência artificial, exigindo do usuário uma atenção ainda redobrada no ambiente digital.
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