O senador Flávio Bolsonaro (PL-SP), que é pré-candidato à Presidência em 2026, começou a conversar com empresários e investidores da Faria Lima para tentar salvar sua candidatura.
A imagem dele ficou abalada depois das revelações sobre negociações com o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio pediu R$ 134 milhões ao banqueiro e recebeu R$ 61 milhões, por meio de um fundo administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro.
Segundo o jornal O Globo, Flávio chega a São Paulo nesta semana para uma série de reuniões com representantes do mercado financeiro. Isso acontece num momento em que a desconfiança dos empresários com ele aumentou. A movimentação vem depois de dias de crise política em Brasília e da reação negativa do mercado ao caso.
Nos bastidores, aliados do senador reconhecem que o episódio piorou a imagem de Flávio junto a investidores e empresários, que antes viam ele como a principal opção da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.
A relação com Vorcaro virou o principal assunto entre investidores durante a Brazil Week, em Nova York, e aumentou as dúvidas sobre a estabilidade da pré-campanha bolsonarista.
A viagem a São Paulo já estava marcada antes da reportagem do Intercept Brasil revelar as negociações para financiar o filme “Dark Horse”, que conta a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Depois da repercussão negativa, esses encontros passaram a ser a principal forma de tentar controlar a crise e mostrar que Flávio está alinhado com os interesses do mercado.
De acordo com pessoas ouvidas pelo O Globo, Flávio vai reafirmar para a Faria Lima seu compromisso com uma agenda liberal na economia, com redução de impostos, desburocratização e maior aproximação com o setor privado.
O objetivo é passar uma mensagem de previsibilidade e estabilidade aos empresários depois da turbulência causada pelo caso.
O episódio também fez com que parte do empresariado começasse a discutir outras opções dentro da direita. Grupos ligados ao mercado financeiro passaram a defender com mais força nomes como o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
Mesmo assim, assessores de Flávio Bolsonaro dizem que a estratégia da pré-campanha é não recuar de jeito nenhum. O senador pretende fazer mais viagens pelo país, dar mais entrevistas e aumentar os encontros públicos e privados para mostrar força política após a primeira grande crise de sua campanha presidencial.
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