A volatilidade dos preços do petróleo com a guerra no Irã abalou a convicção do mercado financeiro e moderou a expectativa sobre o início do ciclo de redução de juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). Para a decisão desta quarta-feira (18), cresceu a aposta de redução de 0,25 ponto percentual da taxa básica, a Selic.
Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, o consenso era de corte de 0,5 ponto percentual no primeiro movimento de queda de juros.
Muitas casas até mantiveram essa projeção oficial, mas já admitem que o colegiado do Banco Central pode tomar uma decisão mais conservadora. Há quem acredite que o Copom nem sequer reduza a Selic do atual patamar de 15% ao ano --o maior em quase 20 anos.
No dia 9, na maior variação diária desde 1988, o petróleo chegou a disparar quase 30% e ficar próximo de US$ 120 pelo barril. Os preços recuaram depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar que a guerra estava praticamente encerrada. No entanto, na quinta (12) e na sexta (13), nova onda de ataques levou os preços a superarem novamente a casa de US$ 100 para o barril Brent.
A volatilidade dos preços permanece.
Fabio Kanczuk, diretor de macroeconomia do ASA e ex-diretor do Banco Central, vê indefinição na magnitude do primeiro corte de juros. "Se o Copom fosse ontem [quarta], eu ia falar que o corte é de 0,5 ponto. Se o Copom fosse hoje [quinta], eu ia falar 0,25 ponto. Amanhã [sexta] pode voltar a ser 0,5 ponto", diz.
Ele ressalta que, apesar do período conturbado, o BC está acostumado a lidar com choques vindos dos preços do petróleo e a reagir de acordo com esse cenário já conhecido. Mas, qualquer que seja a velocidade escolhida para reduzir a Selic, Kanczuk espera uma pausa em setembro, às vésperas do período eleitoral, para ver "para onde o Brasil vai".
O tamanho da queda de juros, na avaliação dele, vai depender da magnitude do primeiro passo. Antes da guerra, projetava que o Copom levaria a Selic a 12% ao ano. Mas, se a opção for por 0,25 ponto na largada, a taxa básica pode estacionar num nível mais alto.
Sérgio Goldenstein, sócio e fundador da Eytse Estratégia e ex-chefe do departamento de Operações do Mercado Aberto do BC, segue apostando em um corte de 0,5 ponto percentual. Na visão dele, esse já é um ritmo cauteloso no cenário atual.
"É incoerente ter um ritmo de 0,25 ponto para uma taxa Selic tão alta e tão acima da [taxa de juros] neutra", afirma. "Não se trata de pisar no acelerador, mas de tirar o pé do freio."
Ainda assim, ele não descarta a alternativa de um corte menor na partida. "O que acho muito improvável é ele não fazer nada. Seria um erro grande o Banco Central não iniciar o processo de redução desse grau excessivo de restrição monetária", acrescenta.
Na visão do economista, o BC precisa ter cuidado para não gerar uma relação mecânica entre a política monetária e o comportamento de curto prazo no preço do petróleo e deve se preocupar com os efeitos secundários desse choque de oferta sobre a inflação.
Ele diz ainda que a banda de tolerância da meta de inflação serve justamente para acomodar esse tipo de choque de oferta. O alvo central perseguido pelo BC é 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o objetivo é considerado cumprido se oscilar entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto).
Devido aos efeitos defasados da política de juros sobre a economia, o colegiado já trabalha com a inflação do terceiro trimestre de 2027 na mira. Nesse horizonte de tempo, o ex-membro do BC não vê mais necessidade de uma política de juros tão restritiva, como no início de 2025, diante da perspectiva de um crescimento econômico abaixo de 2%.
Para Goldenstein, o tamanho do ciclo de queda da Selic vai depender da persistência e da intensidade do choque provocado pela guerra. Se ele não for tão duradouro, projeta que a taxa básica possa cair a 11,75% ao ano. Caso contrário, estima que o juro estacione a um nível próximo de 13% ao ano.
Outro ponto de interrogação para a Selic à frente, segundo ele, é o cenário político do Brasil e o comportamento do câmbio conforme a percepção dos investidores no período eleitoral.
Pesquisa Datafolha mostrou que a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) se consolidou no campo oposto ao do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a pesquisa, o senador se aproxima do petista nas simulações de primeiro turno e empata tecnicamente na de segundo, marcando 43% ante 46% do chefe do Executivo.
Rafaela Vitória, economista-chefe do banco Inter, também vê espaço para que o Copom inicie o ciclo de cortes da Selic com uma redução de 0,5 ponto percentual, considerando os efeitos da política de juros sobre a atividade econômica.
Como exemplo, cita a desaceleração do crédito, que pesou no pedido de recuperação extrajudicial da Raízen e do Grupo Pão de Açúcar, e na alta da inadimplência das famílias, e que pode se acentuar com o menor apetite a risco dos bancos.
Apesar do dado mais recente de inflação "não tão bom", Vitória viu o comportamento do indicador como dentro do esperado pela sazonalidade do período. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) subiu 0,7% em fevereiro, com alta de educação e transporte. No acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 3,81%.
Quanto aos efeitos da guerra no Irã, considera que o IPCA possa ser afetado de maneira mais significativa se o conflito se estender por prazo prolongado. Na avaliação dela, o pacote de medidas lançado pelo governo Lula para conter os preços de combustíveis traz mais efeitos negativos do que positivos ao país.
"Você traz de volta para o radar o risco fiscal, que pode impactar o câmbio. [...] Represar aumento de combustível não tira um impacto negativo nas expectativas de inflação. [...] É uma medida populista que pode sair mais caro do que o encomendado", afirma.
Ela lembra que, desde a reunião anterior, em janeiro, houve apreciação do câmbio. As projeções indicam que na semana que vem a cotação do dólar que servirá de insumo para o Copom será de R$ 5,20, ante R$ 5,35 no último encontro.
Mesmo com a expectativa de corte maior, a economista admite que o colegiado do BC possa optar por maior cautela. "É um cenário de bastante volatilidade nesse momento, e a gente não descarta o Copom ser até um pouco mais conservador e iniciar o ciclo com [corte de] 0,25 [ponto]. Mas acho pouco provável ele não cortar nada", diz.
Assim como em janeiro, o Copom voltará a se reunir com quórum reduzido --sete dos nove membros. O governo ainda não indicou os substitutos dos diretores Diogo Guillen (Política Econômica) e Renato Gomes (Organização do Sistema Financeiro e de Resolução), cujos respectivos mandatos terminaram em 31 de dezembro de 2025.
Feira de Santana Governo da Bahia autoriza segunda etapa de requalificação do Centro Industrial do Subaé em Feira de Santana
Reajuste salarial Salário mínimo deverá subir para R$ 1.741 em 2027
Economia Gasolina com mais etanol chega aos postos e acende debate sobre carros e preços
Economia Dólar sobe e Bolsa cai nesta sexta com dados dos EUA e tensão no cenário doméstico
Redução Preço da gasolina reduz em 11,3% na Bahia; entenda
Redução Senado aprova projeto que reduz tributos sobre combustíveis 
Mín. 19° Máx. 32°
Mín. 17° Máx. 32°
Tempo limpoMín. 18° Máx. 31°
Tempo nublado


